A Faraó Hatshepsut um suposto “feminismo” na antiguidade?

Antes de iniciar esse este post gostaria de pontuar questões sobre a antiguidade:

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1. Como se sabe, a antiguidade detinha peculiaridades, é incorreto afirmar que existia um comportamento padrão, na verdade as sociedade antigas detêm coisas parecidas no máximo, mas suas peculiaridades lhes diferenciavam muito.

2. Quando o Deus cristão surgiu no horizonte da humanidade muitos preceitos foram mudados, inclusive a moralidade, o que se perpetua até hoje em forma de encarar as relações, sejam elas familiares, amizades, amores, etc. Entretanto essa moralidade se esvai na antiguidade onde não se associava aos deuses a perfeição, mas no caso do Egito em específico o maior poder dos deuses era sua eternidade.
A eternidade desses deuses não era como as dos gregos, pois não associava-se a um estado físico estável: os deuses egípcios nasciam do gozo, da relação sexual, cresciam, envelheciam, morriam e renasciam. Esta era a eternidade pela visão dos egípcios por volta do século XV a.C.

3. Falo tanto dessa questão religiosa porque a religião era muito importante aos egípcios, era através disto que eles determinavam certas morais e ordens pela sociedade. Sendo o faraó um “Hórus vivo”, ele era o enviado dos deuses, um deus na Terra para conectar os mortais ao que há de divino. Por isso essas relações entre deuses, seus mitos tornam-se tão importantes para compreender o Egito.

4. Era muito comum as relações entre irmãos e meio-irmãos entre os membros das dinastias (alguns historiadores dizem que isso era geral). Calma, não acontecia nenhum tipo de anomalia, na verdade eles levavam a sério a questão de que “não há ninguém melhor do que nossa família”, e por uma questão de não dividir riquezas, claro.
Os próprios deuses para eles tinham os mesmos princípios para manter a ‘pureza divina’. Entretanto isto tende a ser perigoso pelo fato da genética ser menos favorável as poucas misturas, no quesito de que uma doença podia vir a matar uma dinastia por inteiro.

Finalmente iniciando o assunto, Hatshepsut aparecerá pela primeira vez em uma estela de Thutmes II, sendo mencionada como “Esposa do deus”. Como única filha real da esposa real Ahmose do faraó Thutmes I, casou-se com o meio irmão para ter ascensão ao trono.

Quando o trono fica disponível para um novo herdeiro, ao pensar-se sobre quem assumiria sobre o trono, ao subir ao trono Thutmes III (seu meio-irmão), Hatshepsut assume a posição de regente do país.

Como regente, Hatshepsut mandou construir dois obeliscos a princípio, ação de característica real. Para reforçar sua autoridade, apesar de Hatshepsut não ter aberto mão da insígnia de “Esposa do deus”, necessitou reforçar sua autoridade através de imagens, títulos e ações. Era muito comum desde a antiguidade utilizarem da “propaganda” para reforçar uma ideia, uma pessoa.

No sétimo ano da regência de Thutmes III, Hatshepsut assume a insígnia de rei, abandonando seu cargo de “esposa de …”, e passa inclusive a adotar um novo nome – Maatkare. Para refirmar seus poderes, também tratou de criar textos citando seu pai (Thutmes I), utilizando-o como instrumento para ascensão, citando que era “vontade de seu pai que fosse ao poder”, assim como também afirma que fora uma vontade dos deuses. Tal afirmação de apoia no mito em que ela cria, sobre a união do deus Amon com sua mãe Ahmosé, tal união gerou no mito seu nascimento.

Hatshepsut, como mulher, não assumiu campanhas militares pois preferiu fortalecer a defesa egípcia, e promoveu a economia através de expedições comerciais em terras estrangeiras, como a realizada na terra de Punt. Como faraó também priorizou as grandes construções como o templo de Deir el-Bahri.

Ao se tornar rei, Hatshepsut transferiu o título de “esposa do Deus” para sua filha Neferura, isto liga-se ao fato de que em alguns rituais Hatshepsut necessitava de uma presença feminina para que se concretizassem, por isso a necessidade em fazer sua filha assumir tal título.

Não existem dados de como Hatshepsut morreu, pois aproximadamente no ano 22 do reinado de Thutmes III, este aparece governando sozinho. Existem fontes que afirmam que Thutmes III tentou apagar a memória de Hatshepsut, após a estabilidade de seu governo, mas não são concretas.

Entretanto para analisar a situação de Hatshepsut torna-se necessário pensar a questão de gênero: sendo esta questão papéis construídos socialmente que permeiam a questão do sexo e da sexualidade.

No Egito, a explicação do mundo era através de mitos que ordenavam a sociedade. Assim, sendo esses mitos o fundamento para as questões vividas, o masculino e feminino também permeava essas questões. Eram vistos como diferentes e pelas suas diferenças naturais criava a dinâmica social.

Às mulheres a função era gerar, criar o equilíbrio, e curar, enquanto os homens caberia a guerra, julgar e conduzir. Para a ocupação da função de faraó, que era considerado o Hórus vivo, a mulher ocupar esse cargo era relativamente ousado para os preceitos egípcios. Por isso quando Hatshepsut ocupa o trono necessita de justificativas pra tal: escrituras, obras e ações que justificassem tal título.

Durante a regência de Thutmes III torna-se evidente quem ocupava o cargo de “superior” na relação: Hatshepsut não somente governa como cria uma “aura” que a lhe dá uma feição divina. Também parte de algumas reproduções artísticas acerca da faraó a associavam a um hipopótamo, animal associado a fertilidade, como protetora das mães e das mulheres grávidas.

Entretanto quando a faraó necessita de reafirmar sua presença como governante surgem imagens mais masculinizadas relacionadas a ela. Até associa-se a Hatshepsut parecer andrógena em algumas imagens: masculinizada, porém, suavizada por traços femininos.

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Como por exemplo, quando a faraó é representada com uma barba real, porém, com os lábios carnudos e o sorriso leve como representação do feminino. Na imagem acima é Hatshepsut como esfinge.

Entretanto apesar de suavizar, o masculino aparece como forma de reafirmar o poder da rainha e sua posição social. Este aspecto de envolver a imagem como forma de reafirmação era comum no Egito antigo, onde os artistas se vinculavam com o Estado, para reafirmar a divindade de maneira por vezes pedagógica do Faraó.

Entretanto quando Hatshepsut desaparece misteriosamente, Thutmes III busca destruir todas as imagens que associam-se a Faraó. Assim que Hatshepsut falece seu meio-irmão destrói tudo que remete a sua imagem, com poucas mostras sobreviventes a tal destruição.

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