‘Intervenção militar já!’ a política de politizar/alienar as forças armadas

Esse mito da intervenção militar não surgiu do nada, desde que nos conhecemos como república o Brasil começou com uma intervenção militar.

Não quero que encarem isso como uma maneira pejorativa de iniciar um bate-papo histórico, hoje mesmo tive o desgosto de debater com pessoas que justificavam as piores atrocidades sociais na base do ‘é cultural’, ‘é histórico.’

Longe de parece prepotente, mas, faço faculdade de história e estou no último ano da graduação; se eu não souber o que é histórico não posso me dar ao luxo de exigir um diploma.

Não é porque é histórico que se justifica como algo que se congela na sociedade, mas sim como permanências.

A diferença entre permanência e imposição de uma cultura é que certamente um vem com uma abertura para análise e novas ideias para um novo direcionamento.

O outro vem com a ideia de não modificação, muito menos de qualquer ideia subversiva.

Os militares intervirem na economia é uma ideia que sofre uma permanência muito forte na sociedade, e ela vem desde a república, quando com um verdadeiro tiro no pé, nossos agentes do império prenderam um sujeito das forças armadas, rés a lenda que isso impulsionou a república.

A república surge com o ideal iluminista da pátria, e esse ideal embora no iluminismo tenha a ideia de democracia indireta e direta, dentro da visão tupiniquim cabia aos militares serem os interventores do campo político e social.

Pense bem no peso do poder político exercido pelas forças armadas quando são postas como interventoras diretas da nossa política e do nosso processo de evolução social. Um mito carregado de precipitações e erros que sofremos ressacas até hoje.

Não foi em 1964 que isso surgiu para quem acha que foi mero fruto da ditadura, o buraco é bem mais embaixo.

Os militares carregaram títulos muito pesados ideologicamente, eram responsáveis pelas ideias mais poderosas da nossa pátria, carregam o significado da bandeira: ordem e progresso.

E de contra partida devo dizer que se não fossem os militares o golpe de 64 teria sido adiantado antes mesmo de Vargas retornar a presidência da república. Em momento algum estou defendendo os militares, estou apenas propondo um contra ponto.

Esses mesmos foram silenciados tempos depois durante o golpe, o que as pessoas não estranham é o fato de essas vozes militares serem tão uniformes, assim como nos meios jornalísticos, existem pessoas que pensam diferentes e são censuradas a força.

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(Imagens para relaxar seu cérebro: tranquila e não repressora)

Em momento algum dentro de uma escola militar parece ser ensinado que o povo que carrega o poder político de uma nação. Na verdade o povo é visto como uma forma de tumulto que pode causar algum problema, um bando de alienados que vai levar o Brasil a falência (e por ironia, ninguém também pensou que é esse povo que constrói o país, seja à base da submissão ou da luta ideológica).

O que eu quero dizer com esse texto é claramente que as forças militares brasileiras trabalham mais a visão política das pessoas do que a visão ‘técnica da coisa de fato’, por isso não é uma total bizarrice tanta gente agregar a eles tanto significado político, mesmo com tantos episódios da História desfavoráveis, eclipsando um suspiro ou outro em que os militares fizeram uma política correta (independente de ideologia).

A intervenção militar não é ligada a repressão, não para essas pessoas sem um pingo de escrúpulos históricos, mas sim a uma ordem que será estabelecida, afinal o ideal que ‘manifestação social é tumulto no Brasil’ ainda existe na cabeça de muitos.

Na Europa, manifestação social é sinônimo de democracia para os reacionários.

Também não é de se surpreender saber que essa suposta intervenção militar extorquiu os trabalhadores e ajudou e muito a classe média nos anos mais violentos da ditadura militar.

Porém, quando o ‘milagre econômico militar’ desaparece, ainda durante a ditadura, a classe média sofre recaída econômica gigantesca a ponto de ter o carro, mas, não ter a gasolina, e resolve sair com s caras pintadas pelas ruas a fora.

Aí os burgueses como Renato Russo surgem no horizonte contra a ditadura, virou moda. Enquanto matava e torturava beleza, mas eu não poder dar meu rolê e curtir meu rock americanizado já é vandalismo.

A economia rege a coisa, o Marx continua atual.

E agora que a classe média vive um momento onde ela passou de protagonista para coadjuvante da história por livre e espontânea vontade, se rebelam falando que querem intervenção militar novamente. Memória fraca, falta de identidade, falta de noção histórica, a estupidez reina a ponto de quererem o próprio detrimento novamente. Lembrando que muitos perseguidos da ditadura também foram pessoas da própria direita.

O fascismo realmente é uma ideologia muito sedutora nos nossos momentos de crise, principalmente para os que não tem noção histórica e social.

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Esse aviso final chega a ser engraçado, cheguei realmente a rir quando li. Ainda bem hein! Pensei que golpe militar fosse exatamente isso, mas é bom saber que estou me precipitando #sarcasmo

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