O poder e o saber: o conhecimento científico desvinculado da causa social e seus impactos

Qual é o peso do saber e do poder?
Foucault demonstra que existe sim uma ligação muito forte entre um e outro. Existe uma questão, por exemplo, que percorre o universo das ciências exatas que justamente desemboca nessa questão: em quê um químico e um físico perpetuam na sociedade? A questão parece complicada o suficiente para não ser respondida?
A questão não é ‘não ter impacto social’, muito pelo contrário, o impacto social é gigantesco, porém, esse impacto ao mesmo tempo é contido pela questão do poder. O poder do capital e suas instituições.

Outro exemplo disso é a psiquiatria, e a própria psicanálise, embora Freud, Jung, dentro outros tentaram ir à contra mão do capital em fornecer seus conhecimentos de forma didática através de livros (sejam de leitura difícil ou não, no caso o Jung se preocupa mais com isso) isso não se torna mais tão claro em termos sociais, a questão da dominação ou do verdadeiro auto-conhecimento chega a ser quase que totalmente camuflada, e propositalmente desvalorizada fora das instituições. Também vamos de contra mão aos argumentos que ‘quanto mais alienado melhor’ dentro das empresas, nem sempre são alienados. Mas certamente seus conhecimentos são utilizados de forma completamente subversiva, para estabelecer uma ordem (ou desfaze-la).

A genialidade vende bem. Porem, não é por dinheiro que ela surge, e sim por capacidade humana e oportunidade. O conhecimento científico e os demais saberes são dignidades da humanidade e não do capitalismo. Porém, este continua sendo limitado a uma minoria por conta do capitalismo.
O capitalismo limita nossas capacidades humanas e nossa inteligência.

A questão é a ‘não utilização dos conhecimentos de forma política’, o que é no mínimo contraditório, afinal monopolizar o conhecimento por uma questão de poder social é um ato político ainda sim, a favor de uma elite.

Só podemos analisar o impacto social e a força em intelectualidade de uma disciplina em sua totalidade através da dialética histórica. É no mínimo curioso, como em momentos em que o pensamento rompe com a ordem do capitalismo, em como a ciência avança de forma assustadora, e logo é limitada novamente aos moldes do mercado.

Voltando ao exemplo da psiquiatria, o que leva a internar uma pessoa em uma clínica psiquiátrica, são questões de poder e sistema econômico que normatizam atitudes ou de fato científicas no capitalismo?

Não internaram os padres pedófilos, pois no nosso sistema isso é ‘normal’ vindo de uma instituição poderosa em termos de influência econômica e política, a Igreja tem o protecionismo do poder do capital, porém as loucuras que percorrem seus fiéis são consideradas normais.

O poder é exercido de formas diferentes, na URSS, por exemplo, o poder da ciência era a favor da sociedade por inteiro no regime Leninista. Diferente do capitalismo, em que o poder é concentrado em 1% da população e a mesma utiliza de todo tipo de artimanha para não o perdes.

É como nos quadrinhos do Homem de Ferro. Um homem com inteligência excepcional simplesmente privatiza a paz mundial. Todo conhecimento científico utilizado para ostentação pura de riqueza e ‘playboyzices’.

Ostentar o mito da inteligência e não o impacto social formidável de uma mente que pensou algo que não havia sido aperfeiçoado anteriormente.Ou muitas.

Este desvincula das ciências (sejam humanas, exatas, biológicas) da causa social que criam as verdadeiras pirâmides de conhecimento, torres de marfim, que por sinal está para cair por terra, pois há muito tempo se questiona a “imparcialidade da ciência e sua verdadeira qualidade como ciência”. O positivismo já é visto como atrasado.

O positivismo foi essencial em tempos jesuítas, quando era ensinada ciência mesclada com conhecimento dogmático, foi essencial para questionarmos, mas agora estamos em uma nova instância. Não basta só mantermos a imparcialidade filosófico-dogmática, temos que vincular nosso conhecimento à parcialidade política. Temos que defender uma causa ligada ao conhecimento, ou será mero caso de preenchimento dos cofres da elite (ou dos bancos).

Seu estudo de uma vida inteira para a desigualdade social, ou para revolucionar a sociedade por inteiro?

No marxismo isto é apresentado como uma forma de ‘sucatear’ o próprio gênio. Ele ou ela entende do produto, sabe como o fazes, como pensá-lo, enfim, como utilizar, para quais fins, até onde é inovador, porém não faz ideia do que acontece com ele em termos sociológicos.

É uma forma de saber tudo sobre e ao mesmo tempo, ser ingênuo e ignorante o suficiente para acreditar na mágica da venda: não faço ideia do que isso se tornará, do que irá gerar, é um evento mágico que desconheço. Em termos é sabido que vai para a empresa x com a função y, mas em termos sociais? O que é gerado? De uma forma ampla, quem foi o explorado? Romper com as perspectivas é criar para mudar ou para só perpetuar?

Toda essa inspiração veio das minhas leituras sobre Foucault e também da leitura de artigos sobre a imparcialidade das ciências exatas e os impactos sociais gerados por esse tipo de pensamento.

Uma questão para se pensar…

*Créditos a Natália Jacarandá por ter criado minha curiosidade sobre o tema primeiramente, e por ter me passado um artigo (ou era resenha?) produzido por ela sobre o assunto.

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