Bissexualidade – entre o fetiche e a situação social real

Estou muito longe de ser uma especialista na teoria Queer, mas, não sou completamente leiga no assunto. Quando se trata de sociedade, é impressionante como algumas coisas sociais eclipsam a necessidade de alguns, e como é importante um bate-papo sobre o assunto pra eliminar alguns preconceitos.

 

A algum tempo atrás, fui induzida num debate a falar sobre bissexualidade, tinha pessoas de todo o tipo de sexualidade ali: heteros, gay, bi, etc., indo ao que interessa, me deixou bem assustada a opinião geral sobre os bissexuais.

 

Sabemos que academicamente a bissexualidade já foi considerada o natural do ser humano: para Freud, para Focault, para Jung, todo ser humano naturalmente é bissexual, a diferença é que vivemos numa sociedade heteronormativa que não permite essa ideia, e a encara com a desordem contra o patriarcado (por conseqüência estudar feminismo também me deu bastante abertura sobre isso).

 

A questão é que muitos gays repetem esse discurso do heteronormativo. Se não é gay, tem que ser hetero, não dá pra ser ‘os dois’. Algumas garotas disseram que não se relacionam com meninas bissexuais pois elas sentem em algum momento falta ‘do pênis’, o que beira ao machismo que a Mary Del Priore tanto relata nas relações sexuais femininas em tempos colônias.

Para Mary Del Priore, as mulheres que se trancavam nos seus quartos tardes inteiras com as amigas (se relacionando sexualmente) não eram vistas com estranhamento pois para a sociedade machista da época, sem um pênis na relação não havia verdadeiro envolvimento sexual (por isso os homens eram mais perseguidos nesse aspecto). Esse pensamento mágico que a menina que é tocada pelo pênis AINDA vigora. Inclusive como se fosse degenerativo ela ser tocado e depois recusar, como se a mulher fosse um lixo humano após essa relação, como se estivesse infectada, ‘usada’.

 

Curiosamente esse pensamento ainda vigora. Inclusive sob grupos que não devia, achar que bissexual é aquele que quer se relacionar com duas pessoas ao mesmo tempo. Afinal, desde quando sexualidade dita monogamia?

 

17829_309851149144323_259227347_n(bizarrice pra humanidade heteronormativa: casal bissexual)

 

Voltando pro debate, defendi essa ideia que citei acima, dizendo que elas estavam sendo machistas em afirmar isso sobre as bissexuais, como se a vida da mulher girasse em torno de querer um pênis, ou repudia-lo.

Como se existisse somente a opção machismo ou femismo.

Curiosamente esses preconceitos sociais surgiram juntos (nos moldes atuais). A homofobia assim como o machismo estão ligados a um mito de origem em que a mulher foi feita para o homem, e o homem para Deus.

E por isso, é tido como bizarro tudo que sai dessa ordem: mulher que não é submissa, homem com homem, mulher com mulher, e tudo que engloba essa liberdade sexual.

 

A questão é que esse ‘normativo’ ainda bate na cabeça de muita gente, independente da forma que for, estou longe de afirmar que os gays querem uma ditadura gay (precisa ser muito idiota para pensar assim), apenas estou dizendo que ainda quem transita entre suas próprias vontades e desejos é visto como vulgar e ousado demais.

 

Esse receio todo ta completamente ligado aquela ideia fantasiosa que a bissexualidade não passa de uma curiosidade, de um pornô consumido por meninos na sua adolescência, de um fetiche. Ninguém lembra da bissexualidade como uma condição complicadíssima social.

 

Não é porque a mulher, ou o homem, que você namora é bissexual, que ele, ou ela, vão ficar se relacionando na sua frente com uma pessoa do mesmo sexo só pra satisfazer suas fantasias. Na maioria das vezes no meu ver, essas pessoas selecionam duas vezes mais seus companheiros: se está com você, é porque quer estar mesmo.

 

E essa questão da fantasia qualquer um faz, independente da sexualidade.

Não dá pra esperar isso virar tema da novela da globo e dramatizar a opinião da galera, sexualidade ainda é o maior freio social da felicidade alheia, um dos pretextos para apagar a existência de alguém no mundo, seja por ignorar e repudiar ou matar.

Principalmente uma condição que muitas vezes sofre preconceitos em dois ‘ambientes’ diferentes: o gay e o heteronormativo.

 

Portanto é importante sim, saber que seu colega bissexual não é um promíscuo, ele apenas tem uma sexualidade diferente da sua, e só.
Passar o rodo na galera não tá ligado a sexualidade, afinal, se fosse assim ninguém que era gay ou hetero iria cometer traição. Necessidade de sexo é diferente da sexual.

 

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Um pensamento sobre “Bissexualidade – entre o fetiche e a situação social real

  1. Interessante esse texto pela clareza com que você transmitiu as ideias, fora o caráter explicativo do início. Mas de certa forma, fico triste em ler isso, por saber que tem gente, e muita gente, que ainda tem a cabecinha da idade média, que muitas pessoas são vítimas de preconceitos e opiniões … parvas, não sei… Não se digo burrice, se é falta de pensar melhor, se é medo de pensar, medo de dizer o que pensa, não sei, mas coisas realmente absurdas. Confesso que até eu me pego pensando coisas imbecis e medievais sobre os outros, como se alguém (ou eu ) pudesse simplesmente escolher como os outros devem viver. Às pessoas estão tão longe de compreender umas as outras porque sequer têm coragem de olharem para si mesmas.

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