E a inveja, é possível não ter?

Será que é possível não sentir inveja? Se vivemos em uma sociedade do consumo na qual, somos inseridos em um mercado “eterno” (na verdade é interno, mas achei interessante o trocadilho idiota), aonde o consumo vai muito além da nossa vã vontade de filosofia, será que é possível se dizer “sou uma pessoa virtuosa, nunca senti inveja”?

 

Para pra pensar bem sobre o assunto, como não sentir inveja se desde crianças somos educados a simplesmente consumir tudo que vemos pela frente, seja consciente, ou inconsciente, seja degustando ou só olhando, aprendemos a consumir inclusive a pessoa alheia, e somos educados como se isso fosse bom. Quando falo consumir, eu digo consumir no quesito de sempre olhar a pessoa desejando o que ela ostenta ser, e não o que ela de fato é. Chegamos em um nível tão louco, que desejamos coisas naturais da pessoa (ou não) e negamos automaticamente as nossas, o nosso próprio corpo, e quando as pessoas conseguem sair um pouco dessa ideia, se tornam superegos, insuportáveis, ficam egocêntricas, parece não existir um meio termo.

 

Eu falo isso porque, eu sou uma mera morta como qualquer outra pessoa, eu consumo muito com os olhos as coisas, ah, pode ser que seja por uma questão financeira? Talvez, mas segundo Marx esse nosso fetichismo da mercadoria não é exclusividade dos menos “assalariados”, mas sim, de todos no capitalismo, onde a nossa eterna insatisfação não é paga por dinheiro nenhum, sempre você quer mais, e sempre tem alguém por perto que tem mais, sempre tem alguém  por perto, que tem mais. Isso já basta para a pessoa sentir o mundo dela desabando, e quando eu falo mais, é mais felicidade, mais bebida, mais dinheiro, mais estilo, mais beleza, mais..mais…

 

tirinha-trabalho-marcia

 

Será que é possível ser não invejoso no capitalismo? Talvez seja possível não ser um doente invejoso, onde não se tem valor em nada que é seu e só o que é dos outros, mas no fundo todos são invejosos. Porque o mercado circula tão rápido que não dá tempo pra gente ostentar muito o que temos.

Será o problema é a “inveja”? Pensa bem, aquelas pessoas que dizem que as pessoas mais pobres só deviam comprar o necessário para viver, como se eles não tivessem ambição, desejos superficiais como todo ser humano tem, eles são inseridos nesse mercado desigual tanto quanto os ricos, e são tratados pela mídia de maneira bem mais maçante.

Então porque eles não podem, de ao invés de comprar uma cesta básica o celular do ano? O desejo de consumo deles pelo menos de imediato realiza. Depois sobra aquele vazio enorme de ‘preciso de outra coisa nova’, ninguém tá livre da superficialidade da sociedade do ‘parecer ser’, isso é o socialmente aceito, você é aceito na sociedade não pela sua despensa, mas pela sua roupa, seu celular, seu computador, etc.

 
tumblr_m55hv2eVS21rxjqjno1_400

 

 

Não é condenável, se tem pobre que passa fome para ter carro e rico que faz os outros passarem fome pra dar colar de diamantes para o cachorro. E me pergunto, a questão é a inveja das pessoas ou do que elas têm?

Sinceramente, você como eu, deve ter inveja todo dia, sabe-se lá quantas vezes por dia, mesmo que você não declare, mesmo que pense ser admiração, e tenha aquelas questões do ‘eu não quero que a pessoa fique sem, só quero ter também’, para mim isso é um tipo de inveja.

O problema é a matéria e não o orgânico. O problema é o capitalismo, não adianta pregar milhões de frases motivacionais contra os sentimentos não nobres, eles são parte do humano porque somos um animal que não tem jeito como diria o Pondé, mas pior, estamos em um mercado tão intensivo que a nossa vontade é;
Queremos ser exclusivos, em um mercado feito para a massa. Queremos exclusividade da marca que está em cada esquina com uma propaganda nova, ou em cada página “hipster” da internet.

 

 

Queremos o underground que tem mercado para quem é underground.

 

tumblr_lm8gjtLNt41qadlzho1_500

 

Queremos revolução, e a revolução em si já se tornou um investimento dos bons para as empresas. Eu quero revolução! Mas eu não posso deixar de observar esses acontecimentos.

Talvez a única pessoa que eu desconfio que não ostenta tanto essa ideia do consumo por enquanto são os que são considerados ‘diferentes’ pela sociedade, como meu irmão mais novo, que é autista, e sem saber dos estereótipos que os aguarda, não vive em função desse consumo.

 

Será que a inveja é curável no capitalismo?

Será que é inveja? Ou foi um nome romântico que deram para toda uma problemática social?

Um vídeo para se refletir mais sobre o assunto.

 

Anúncios

Um pensamento sobre “E a inveja, é possível não ter?

  1. Acredito que o nome não é inveja, e sim vontade de consumir também, como o texto mesmo cita, uma sociedade desigual, e pelo fato do sujeito ser pobre, ele não deseje ter algo ou alguma coisa. O desejo não tem classe, mas, para se ter o desejado, precisa de dinheiro e um determinado padrão social.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s