It’s my liiife – teorias aleatórias, e nenhuma certeza

Já aviso, pelo nome do post. Saindo um pouco do eixo, novamente. Até sair do eixo está se tornando ‘mainstream’ aqui.

Eu tenho (milhões de) teoria(s), a teoria que construí refletindo sobre alguns erros ou situações “erradas” na minha vida.

Quando eu comecei a dar aula, eu não esperava de tudo, depois que eu fui agredida, comecei a esperar de tudo. A primeira coisa que eu senti foi à verdade daquela frase do Nietzsche d’o que não me mata, me fortalece. A segunda foi como o coletivo funciona na cabeça de algumas pessoas.

Eu me lembro de ter virado e perguntando quem foi na sala, porque não vi o agressor(a), ninguém falou nada. O medo de dedar era tão grande que todos foram punidos por igual por causa de uma atitude de um ser. Eu fico pensando o que passava na cabeça deles para essa ideia de coletivo quase mafioso, pensam que devem arcar com as consequências, todos devem sofrer a atitude de um idiota, por inteiro.

Em minha opinião, não foi justo porque, a sala arcou com o idiota, por puro medo, ou até educação vulgarizada de acreditar que “não devemos falar” em situações assim, quando você tem a liberdade de se expressar e principalmente, de não se ferrar diante de uma situação que você não tem nada a ver. E pior, a vida já te ferra no individual tanto, que se tu resolver abraçar esse tipo de causa logo tá cortando os pulsos. Não é uma questão de ser individualista, é uma questão de ser assertivo.

Mas parece que as pessoas pegaram alergia do termo ‘denúncia’ por causa de como foi vulgarizada a palavra ultimamente. Nem os culpo, sinceramente.

Na minha cabeça, o coletivo é quando você une as pessoas por ‘n’ interesses, e elas vão à busca diante de toda sua adversidade em um ponto em comum. Você, por exemplo, reúne seus amigos para um café, ou uma cerveja, é um pretexto para unir todos em algo em comum, quase sempre funciona porque é objetivo e programado, todos vão para o lugar x, a hora y e geralmente vestidos para a ocasião, de forma despretensiosa para ver no que vai dar.

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Até você lembrar de um pequeno detalhe, o ser humano “é o único animal que é imprevisível”. Todo mundo tenta te convencer que tem fórmula para lidar com o animal racional, mas não tem, não adianta, nunca sai o “combinado”, os humores não deixam.

É tipo no dia um amigo seu tomar uma atitude idiota e tu por vergonha alheia ir lá e fazer exatamente o mesmo. Isso não retarda a vergonha alheia, pelo contrário, propagada ela, aumenta, duplica. E é isso que as pessoas entendem por coletividade, ou amizade. Na minha opinião coletividade mesmo seria você apontar pra atitude e falar um sincero “que merda hein”, mais útil do que simplesmente fazer o mesmo, mas isso pode custar sua amizade também. Sinceridade é aquela pessoa solitária que se ninguém põe limite ela desfaz todos os laços da sua vida. Por isso a fantasia é tão bem vinda (até todo mundo ir parar no terapeuta).

E eu tenho prestado atenção em como as pessoas agem por pura repetição sem parar para pensar nisso, qualquer pessoa que tenha um lapso de lucidez e se pergunte um ‘por que estou fazendo isso?’ incomoda mesmo, incomoda tanto que acaba sendo jogado de fora da máfia.

E essas pessoas se tornam as ovelhas desgarradas, também conhecidas como ovelhas negras, àqueles que se tornam independentes e pagam o preço da não imunidade, mas ganha de praxe o hábito de poder criticar livremente, sem intervenção dos demais.

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Mas o coletivo também não é só ruim, dizem que se você tem amigos por perto você além de se atualizar mais, se cuida mais, e tem amigos para lhe apontar coisas que muitas vezes não passam pela sua cabeça. E quando falo amigos não digo aquela versão romântica dos amigos, mas sim, algo associado a uma pessoa confiável por perto, seja como for esse “perto”, que possa te fazer comentários sinceros sem ter o perigo do rompimento e sem ser estúpido.

É quase uma arte isso, e quando digo que é uma arte eu digo que tu tem que se despir de tanta coisa pra atingir tal “alfa” que é quase impossível.

E a ideia do coletivo faz as coisas funcionarem bem, não adianta acreditar que você é um ‘super humano’ que é capaz de pensar em todas as questões e de forma eficaz, sempre tem um ponto de vista mais interessante que o seu por perto, e você só perde a oportunidade de saber se fecha a sua cabeça a isso. Até as pessoas que falam bobagens tem algo de bom, pelo menos você percebe o quanto está coerente, e isso é bem estimulante.

Mas fato que a convivência em sociedade é algo muito difícil. E romantizar a coisa só piora a questão, porque é gostoso você criar uma situação fantasiosa, mas 24 horas por dia vai se tornar o martírio de amanhã. Uma vez eu li que é necessário sermos abertos socialmente, e ao mesmo tempo termos desapego.

Será que é possível? Eu vejo desapego como suicídio, e estou falando no literal, é o extremo desapego a tudo.

Eu penso precisamos mais nos conformar do que nos desapegar, nos conformar em pensar que certas situações, ou pessoas, não nos pertencem mais. Se isso é desapego, então tá, mas segundo o Bauman nem temos mais tempo pra pensar nessas questões, estamos sendo inseridos em situações diferentes tão rapidamente que nem tem um tempo para reflexão verdadeira disso tudo, e todo mundo tá sofrendo isso, você percebe na cara das pessoas que estão a sua volta que eles também tá nesse “olho do furacão” constantemente.

Isso é vida adulta né, quando você percebe que não existe um dia após o outro (ahuahuaha). Você nunca tem tempo, até que alguém fala “tem café” e tu cria tempo.

A coisa está tão estranha, que ideias são inseridas nas pessoas e mesmo assim não funciona. Leio as pessoas falando ‘não sou homofóbico, tenho amigos gays’, como se isso fosse sinônimo de ser aberto a ideia. Assim como no racismo, assim como os pseudo-xenofóbicos são com culturas diferentes, e por aí vai. É verdade mesmo que uma ideia demora e muito pra ser digerida.

Pior é que, se alguém esperava um post ao estilo “autoajuda” deve estar me xingando horrores, porque a minha dúvida só aumentou escrevendo essas coisas, e eu acredito que se alguém leu essas ideias aleatórias soltas aqui também está mais com dúvidas do que com respostas. Acho que todo mundo tá perdido entre as próprias certezas. Essas certezas são tipo um castelo de cartas, qualquer ventinho desabam, pra quem acredita que elas são um ‘castelo medieval’ a negação é a primeira reação.

Às vezes tenho a sensação que a minha vida é mais um “observatório” do que um palco.

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