Sistema Educacional – do Blog para o Vlog (admirável vlog do Diego)

Segue o vídeo que farei comentários adicionais, recomendo que vejam o vídeo antes de ler o post.

No vídeo, o Diego (que é sociólogo) comenta sobre o sistema educacional e a forma escassa que a educação se propaga, e não somente no Brasil, em muitos outros países que tem o modelo educacional moderno.

Como vivemos a pós-modernidade, esse tipo de modelo torna qualquer um invisível, e quando digo invisível quero dizer da seguinte forma; não adianta você jogar bem futebol ou vôlei, não adianta você ter dons artísticos, não adianta você ter uma escrita boa, o importante é que você se destacar como uma máquina em todas as matérias.

Como o Diego disse, não considero não importante o ensino das disciplinas, afinal, não é somente um “o que vou usar na vida”, mas, a ampliação da visão e por fim do intelecto, porém essa ampliação se torna no mínimo brochante diante dessa ideia de anulação do próprio eu.

Somos inseridos na escola e divididos por “data de validade”, como numa fábrica, passamos por vários estágios até estarmos completamente enquadrados para o mercado.

A grande questão é que a escola não aliena um, aliena todos, o sistema educacional na modernidade tinha a função de preparar as pessoas para o mercado, em tempos do surgimento do capitalismo selvagem, as pessoas precisavam ser educadas antes de irem a seus respectivos trabalhos; precisavam acordar cedo, ou o portão fecha e são punidos pela falta de pontualidade.

Necessitam de ordenar sua natureza, acostumando-se a ter horário para comer, para conversar, para ir ao banheiro, etc., assim poupando o trabalho de qualquer emprego futuro de lhe domesticar a ordem do patrão.

Você moldado como perfeito empregado. Mas até agora só falamos do aluno.

Agora dando aula a mais de um ano, como a famosa e detestada “professora temporária”, eu tenho uma ideia do quanto toda essa alienação é grande. Você pode ter o discurso precário de que os professores são desmotivados, os pais não interessados, mas na realidade a teoria é outra.

Muitas vezes os pais são postos a posição de não faltar nunca do seu emprego, ou dois empregos, e isso logicamente escassa qualquer interesse, seja no filho, seja na educação, seja na própria vida e relação. Você percebe o cansaço no olhar deles.

Então não é uma mera questão de querer, é uma questão de disponibilidade para pelo menos pensar no assunto, e o sistema educacional moderno foi criado justamente para isso acontecer, para o tempo dos pais com a família se tornar tão pequeno a ponto de estarem sempre ocupados, sendo explorados.

Quando eu comecei a dar aula, a burocracia foi o que mais me assustou. Eu era inserida numa sala, em um tempo de 50 minutos, para ficar com 40 ou até mais alunos e ocupa-los com uma matéria aleatória, em 90% das vezes eu posso dizer com propriedade nunca deixaram uma matéria para eu aplicar (…)  e isso por muitas vezes eu fazia 12x por dia.

Dava-me uma sensação de estar enfiando a minha vida no cu.
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Imagina dos alunos. E era uma verdadeira vontade de potência entre eu e os demais, em quem mandaria naquela aula. Até você ganhar intimidade com todas as salas você é simplesmente inserida em outra escola, em outra situação, e começa tudo do zero. Até porque é uma burocracia tão grande que destrói qualquer tentativa de relação de um professor novo com os alunos. E isso cansa qualquer boa alma.

Está mais do que claro, que esse modelo educacional de simplesmente mecanizar a educação do aluno e anular qualquer qualidade dele não funciona.

E o discurso de que o problema são os pais, o problema são os professores,  o problema são os alunos, é um discurso conformista e que não ajuda em nada, muito menos em reflexão para uma mudança.

O problema é esse sistema para que todos se afastem dos interesses da escola, e que tratem os alunos como meras caixas vazias prontas para serem inseridos conteúdos, como se não tivessem nada a oferecer. Esse sistema vem desde a modernidade quando priorizaram educação para todos. É um sistema que estava destinado a ser falido.

A diferença de uma geração para outra, é que a geração anterior viu isso como dádiva, assim como a oportunidade de trabalhar incansavelmente em uma fábrica e ter sua existência resumida a isso. A geração atual vê os pais sofrendo tudo isso e tem uma visão mais ampla do assunto, vê a realidade.

Só discordo no ponto em que o Diego comenta que o ensino da História é uma mera reflexão do ontem para o hoje como ação-consequência. O Ensino da História é uma reflexão bem profunda sobre as ações humanas, tanto é que se fosse assim não seria necessário estudar escravidão. Pois escravidão acabou, mas essa ideia e essa tara por liberdade nossa vem exatamente desse episódio da história acabado. Nosso cotidiano tem mais do que nos desejamos que não aconteça de novo do que de fato com o que de fato existe historicamente e até tempos atuais, tipo democracia.

Conseguimos entender sociedade mais aprofundada assim, pois esses temas que nos causam certo medo de serem explorados são os que mais causam estragos atuais, então história não é só o que se construiu no passado para termos hoje, mas o que deixamos lá principalmente.

Um bom exemplo disso é a revolução mexicana, os mexicanos tem pavor dessa ideia de revolução por conta da revolução ter matado aproximadamente 1 milhão de pessoas. Como associar a algo bom dessa forma, e como a corrupção se propagou de forma mais demasiada no país por conta desse medo da revolução, da mudança, da luta.

Por que as pessoas insistem que não ver os crimes de Israel?
Porque Israel é sempre vitimada no conteúdo da escola. Não é posta uma reflexão verdadeira do que o governo de Israel tratava na segunda guerra, mas é apenas colocada imagens do Holocausto, apenas para chocar, não para refletir, apenas para ter medo de que algo do tipo aconteça de novo.

A escassez é tanta, que eu comecei a dar aula no meu primeiro ano de faculdade. Não é possível que tenham tão poucos professores, na verdade tem muitos, mas, o percentual de professores que simplesmente estão trocando a sua profissão por qualquer outra é tão grande que alunos do primeiro ano estão se permitindo dar aula.

Não é uma simples questão de vontade, é uma questão de uma sociedade que simplesmente te cobra por algo que você não irá resolver, nem com a união das forças.

E se estamos mesmo no auge do capitalismo e da sua sociedade, e assim estamos também no auge das suas contradições, pelo menos uma boa remuneração seria já um grande estímulo.
E não é só a escola pública não, o déficit da escola particular também é grande. Tanto é, que vemos pela nossa alta burguesia e seu padrão de “inteligência”. Não está pondo ninguém à reflexão, também são tratados como meras máquinas, talvez em ambientes melhores e com mais tempo, sem dúvida, mas também sendo um ensino superficial e não eficiente. Não verdadeiramente crítico.

Mas, não dá pra chegar nesses méritos na escola, porque simplesmente não dá. Esse sistema de pequeno olhar a todas as ciências faz com que todas elas percam sua beleza. E não é indisposição dos alunos, nem dos professores, nem dos pais, não é apenas isso, é esse sistema que não funciona. Precisamos eliminar a modernidade da nossa sociedade se queremos ver alguma verdadeira mudança, e não simplesmente cair em discursos de culpa ou de cobrança.

O sistema educacional te anula como cidadão, ele não te ensina a criticar suas próprias atitudes e sim somente a “n” fatos, que muitas vezes vão além do pequeno olhar escolar e geram opiniões tão ruins quanto o senso comum, e o próprio senso comum é marginalizado como não necessário.

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