Brasileiros estrangeiros no próprio país – o populista, o conservador, o pseudo-fascista

Essa não é uma crítica geral, todos os brasileiros que vemos por aí, estou criticando em específico àqueles que costumam comentar ou apenas criticar nosso sistema brasileiro em geral sem um pingo de informação.

E como bom brasileiro se sente cidadão em criticar apenas nosso modo de ser com olhos clínicos que são duvidosos, permita dividir-me em tópicos, pois a problemática é extensa.

O Populista do século XXI

O populismo no Brasil começou lá na Era Vargas, a maldita passagem histórica tão estudada e tão criticada e reavaliada pelos mais diferentes historiadores brasileiros. Não irei comentar daquele momento histórico em si, mas é importante ressaltar que dele surgiu um modelo de governo muito peculiar, aquele que o governo toma a frente do povo.

Parece muito digno, mas em alguns pontos é negativo, é negativo porque o povo se torna muito crítico apenas ao presidente e suas atitudes e mal se olha no espelho.

E conforma em cruzar os braços e criticar o governante pela tela da televisão, não toma partido, não abraça uma causa, não faz absolutamente nada. Esse geralmente é o mesmo brochador de causas sociais aquele que reclama que ninguém faz nada, mas quando alguém faz, reprova, pois seu conservadorismo disfarçado de criticismo reage violentamente a qualquer manifestação.

O sujeito reclama, mas só espera mudança do próprio presidente, não pensa que não precisa necessariamente sair nas ruas com cartazes, mas uma mudança cotidiana faria toda a diferença, mude no seu cotidiano e por consequência você põe umas 50 pessoas por dia para refletir sobre a questão.

E com a internet esse número tende a ser maior ainda, pois através das redes sociais e suas ‘linhas de compartilhamento’ você passa ideias adiante de forma ilimitada.

Então para de ficar xingando a televisão quando você pode ser ativo criticamente de uma forma que causa bem mais impacto. A mídia que você reclama que manipula tá totalmente ao seu dispor também com a internet.  Ou não, prefere ficar projetando de uma forma bem engenhosa a própria invisibilidade.

Pare de ter esse espírito populista de esperar que os outros tomem atitude, que o presidente mude de atitude, que o senado exploda porque isso não vai acontecer.

O puxa saco de gringos

Esse é bem comum, é aquele que critica funk o dia todo, mas ouve músicas em outro idioma que são tão (ou quanto) de conteúdo pornográfico quanto o próprio funk. Esse é tão puxa saco de gringo que se um artista nacional faz sucesso internacional ele passa a gostar. Enquanto é apenas produto nacional, ele o ignora.

É aquele que adora repetir como a Lana Del Rey “my pussy taste like Pepsi cola”, mas fica enojado quando ouve alguém falar “a buceta é minha” e coisas do tipo, porque tem aquele argumento babaca de que “em inglês é mais legal”. Para mim, é uma pessoa que obviamente não sabe o significado de tudo que ouve. Claro que não é necessário gostar de tudo que é sinônimo de baixaria por você curtir uma baixaria, mas esse argumento de falso moralismo é realmente desnecessário.

É aquele típico Cauê Moura que vomita na cultura nacional e come com talheres de prata o cocô internacional porque “é mais legal”.

Também me lembra de alguns que gostam do filme ou acreditam que os filmes são bons pelos atores e não pelo conjunto da obra. Já vi filmes de atores que eu adoro péssimos.

Esses são os mesmos que acreditam que cinema nacional é só o Auto Da Compadecida e o resto não merece atenção. São os mesmos que argumentam que o Brasil tem uma cultura pobre, mas nunca ficaram sabendo (justamente pela falta de cultura DO sujeito) de que a literatura brasileira é tida como uma das mais respeitáveis do mundo.

Também jamais irá atrás de música nacional além da rádio, pois o termômetro de qualidade dessa pessoa é o que “toca na rádio”.

A rádio, assim como a televisão nunca se comprometeram com o sinônimo de qualidade cultural ou de conteúdo, é feita para entreter. E esse entreter é a qualquer custo, portanto até as críticas ao conteúdo televisivo tem um limite, em momento algum você assina um termo de contrato que viabiliza a qualidade do que irá ver, o máximo que se comprometem é com a qualidade da imagem.

Entender cultura nacional não significa abandonar aquele teu vício pop que alguns super-nacionalistas insistem que você abandone, mas sim olhar adentro antes de meter os pés pelas mãos na opinião.

Nacionalistas ao extremo

Todo mundo curte uma farofa, curte algo pop, algo que é considerado pelos modernos e seus mimimi irritantes como “pobre”. O problema dessas pessoas é que elas pararam no tempo em que isso tinha alguma importância. Não importa o quanto você se empenhe em algo, sempre vai ter alguém muito pior que você naquilo que fará mais sucesso. E se você ficar fixada nessa ideia vai no mínimo pirar, então é bom não pensar que a sociedade atual está ligando para refinamento social.

Quem verdadeiramente tem prioridade é o capital, e ele circula e as pessoas paralisam se não circularem junto a ele. E é verdade que precisamos ter noção da nossa cultura, dos nossos valores, da nossa ética, pois eu penso ser uma vida miserável você viver debaixo de um teto a vida inteira e nunca ter parado para olhar ele.

Mas você não precisa se tornar um ditador, dizer que tudo que é nacional é melhor, enfiar garganta abaixo dos seus amigos aquele CD obra de arte e todo conceituado de um artista que muita gente acha chato, mas ouve porque todo mundo ouve. Deixa o sujeito ouvir Britney Spears e comemorar o Halloween em paz, isso não torna ele menos brasileiro que você.

Também sei que essas pessoas nacionalistas demais piram um pouco, ou piram demais, e que isso quase sempre cheira a fascismo, pois vem com toda aquela ideia de superestimar a própria cultura e subestimar a cultura dos demais.

Daí vem aquelas ideias horrorosas de ‘vamos levar cultura ao bairro’, como se o bairro não tivesse cultura, como se as pessoas não já tivessem cultura, e cultura é o que você dita ser cultura brasileira.

Sinto lhe dizer, mas até Braga Boys é cultura.

Tu não és nenhum pouco menos conservador do que o conservador de extrema direita, com essa ideia de nacionalismo extremo, se fecha para eventos mundanos e eventos que atingem diretamente nosso cotidiano, seja pela ordem da economia ou até do comportamento mesmo.

E a pós-modernidade é isso, é essa mistura de culturas e identidades a ponto de não querermos mais fazer uma identidade. Vimos nos regimes fascistas que a ideia de uma identidade nacional foi péssima, negou a identidade de milhões e chamou isso vulgarmente de cultura refinada. No Brasil tem uma porção que é assim.

Conservador violento

Esse talvez é um dos mais preocupante, aquele leitor típico de VEJA e coisas do tipo, darwinista, que acredita que a biologia irá responder questões sociais e ignora com sucesso qualquer crítica social ao ‘bons e velhos costumes da família’.

Também é aquele babaca que disfarça preconceito por humor negro, assim por ser também aquele machista ativista, racista nas piadas e falta com tanta ética que quem te vê chega a ter vergonha alheia.

Em geral falso moralista, é aquele típico que quando vê a foto de uma manifestação comenta das pessoas e não da ideia.

Aquele típico amigo que vale muito apena ser bloqueado, pois é uma violência ao seu cérebro os compartilhamentos dele de ‘olha a polícia defendendo o povo espancando o povo’.

Também é aquele que se sente desmembrado do povo, e em geral também é classe média baixa. Típico que critica programas sociais do governo sem fazer a mínima ideia de como funcionam, e critica no embasamento do seu mundo imaginário mental. Na base do achismo com estrutura científica digna de artigo da superinteressante de ‘a cada 10 pessoas, 8 que comem o próprio cocô são ruivos’. Adora ciência que dita comportamento, como se isso fosse possível por muito tempo.

Por isso mesmo ele se disfarça de culto, e passa despercebido pela maioria das pessoas, até que uma pessoa que tem cérebro o adiciona por acidente e se revolta com as postagens dele.

Aqui podem ser inseridos os que também adoram exibir o que leem, mas toda vez você se pergunta que diabos de genérico do livro ele leu que o pensamento dele não condiz em nada com o autor. Típico conservador que lê um livro inteiro e capta uma frase que condiz com a sua teoria de ‘nada vai mudar, e se mudar piora’.

O cara vê diariamente o mundo desabando na frente dele, o colapso do sistema, e afirma ainda ser anarco-capitalista. Como se isso fosse possível, um sistema antidemocracia com um sistema que diz ser ‘democrático’.

Um governo sem governo. A centralização do poder no capital na base de um sistema que visa à descentralização total de todos os poderes, enfim, apenas detalhes né.

É aquele típico idiota que acha que os problemas sociais são causados pelos pobres e não pela pobreza, que a crise da família patriarcal é culpa dos gays e das mulheres. E que o mundo acabaria se tudo isso fosse encarado com normalidade.

O melhor mecanismo para lidar com isso ainda é como eu jogava Mortal Kombat em meado dos anos 90 (ahuahauhauh) ataque e bloqueio!

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