Um pouco de dinâmica pós-moderna

É um despertar de um sonho maldito, como diria Bauman, tempos pós-modernos nos trazem a tona sobre uma questão que não admitimos facilmente; a utopia fracassou.

É uma consciência do fracasso, e essa consciência acabou funcionando quase como a falência da moralidade nas relações humanas, a moralidade aparece nos momentos não nobres, ninguém está muito preocupado em produzir nobreza quando se pode produzir riqueza.

Para sobrevivermos, podemos discordar por completo do sistema, mas somos escravos dele, a diferença é se você é consciente disso ou não, e a partir dessa consciência como vai lidar com o que chamamos de viver. Para os pós-modernos essa busca constante por um significado da vida que atrasou e muito o espírito humano, paramos pelo tempo para acharmos sentido em coisas que não tem.

Queremos um sentido para a vida, um sentido para a morte, queremos um sentido para todos os movimentos que nos circulam, sentido esse egoísta de acordo com nossas necessidades e vontades.

Queremos, mas não fazemos, buscamos nobreza nas palavras que se perdem no vento, porque no fundo fazemos apenas o que é eficaz. Não depende do quanto é nobre ou não, você faz o que te torna um bom profissional.

Isso pode ir completamente contra a sua natureza, e em geral vai, pois a sociedade dilacerou nosso lado animalesco, maior brochada.

Com essa consciência do fracasso das utopias, não quer dizer necessariamente um fracasso do marxismo, ainda temos as classes, sabemos da exploração, sabemos da pressão e opressão econômica, não há como negar, mas …perdemos a fé em uma fórmula para a mudança social.

Porém, como garantir que os outros estão ao nosso lado como algo concreto (idéias) se no fundo nem a nossa relação familiar é concreta? Bauman costuma afirmar que vivemos relações líquidas, que tudo escorre pelas mãos, a garantia verdadeira não existe além do mercado.

Muitas coisas não existem além do mercado, a própria relação em si acaba sendo mais intensa e garantida pelo mercado, é depressivo, mas é uma libertação.

Talvez isso seja positivo, nos libertarmos dessa idéia que precisamos fazer constantemente algo pela sociedade, como se nascêssemos para simplesmente produzir para a sociedade. Talvez se fossemos mais voltados para nossa excentricidade, ou originalidade, não faríamos melhor e mais?

Simplesmente anulando nossa identidade a simplesmente ela ser no máximo uma forma de se vestir, e não adianta acreditar que passa disso, todas as idéias e comportamentos são pré-moldados.

Existe uma moda para as pessoas que são ‘fora do fluxo’, por fim, até o que é ímpar é par, ou seja, tem um mercado para tudo, inclusive para você que se sente fora do mercado.

Por um lado, também a pós-modernidade se torna positiva quando se perde essa noção de que o bom é o clássico, o bom é o refinado, e sim que o bom na verdade é a mistura, o bom é o que não é militarmente selecionado.

E liberdade hoje, liberdade de mercado, você tem o direito de consumir o que quer? Ou o que deseja?

Isso é liberdade. O resto é difícil afirmar que sejam. Por fim ninguém consegue ficar por muito tempo longe de todas as questões porque no fundo não queremos tanta liberdade. Isso porque os valores foram modificados. O modelo de revolução até funcionou na modernidade, mas hoje não funciona mais.

A grande questão é que os pós-modernos não afirmam que não haverá revolução, mas não procuram uma fórmula para isso, talvez essa seja a verdadeiramente revolução, mudar o pensamento para um desprendimento de velhas fórmulas e preceitos.

É preciso entender tanto de modernidade para entender pós-modernidade, esse período que vivemos. Hoje somos conscientes que o carpe diem não dá em porcaria alguma, sabemos que o presente é o passado e o passado, futuro. A pós-modernidade aponta para um “esqueça a ciência milagrosa da medicina, das contas, isso não vai resolver os problemas humanos, temos mais complexidades do que se imagina”.

Essa crença positivista que a matemática resolverá os problemas como na escola, caí por terra, veja, temos todas as resoluções, temos teorias sociais perfeitas, temos plena consciência de como somos manipulados e por que, e isso resolveu algo? Mudamos de atitude? Se tentarmos mudar, caímos na espiral da repetição. A pós-modernidade diz, pare de pensar como os modernos, que acreditavam fielmente na ciência como resolução dos problemas. A ciência que prometia conforto nos deu uma bomba nuclear de presente (…).

Também mesmo no meio artístico nos liberta da ideia de inovação, para quê inovar? Temos milhões de influências para misturar.

O que acontece é que não sabemos o que está por vir e por fim, devemos admitir, não temos a solução para a humanidade. A pós-modernidade não vem somente a criticar a modernidade, na verdade faz uma releitura de Marx, entre outros modernos, porém, nos liberta da responsabilidade de um mundo inteiro.

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