Crítica do blog a mídia: Noveleiros

Os costumes produzem um significado, embora muitas vezes a intenção não era exatamente de produzi-lo como tal.
Criando significados ou signos.

Muitas vezes esses costumes estão associados a puramente, e simplesmente o gozar, ou desfrutar da vida de uma parcela populacional, e outra que assiste a isso, e trabalha e paga, e se contenta em ser parte do que bancou a festa alheia. Assistindo tudo do lado de fora, atrás da tela.

Por exemplo, em tempos medievais quando somente os nobres e o clero detinha o conhecimento linguístico, podemos dizer que era eles que ditavam as regras nesse aspecto, das palavras até as expressões, das palavras as frases, das frases aos livros, dos livros às ideias, da ideia à própria identidade.

E a tradição, essa tradição de assistir a cultura como se não fosse parte dela é exatamente isso. É como você assistir a algo como se não fosse parte disso, assistir o triunfo da nação se sentindo um pequeno ponto de inutilidade, se contentando apenas em assistir o espetáculo.

E isso é mantido, afinal, nada mais sagrado que a tradição, nada mais ofensivo do que não se deixar levar pela tradição, romper com ela, o que os antepassados fizeram e chamaram de revolução, hoje a própria juventude ludibriada o suficiente se vira contra qualquer tentativa do diferente.

O diferente não passa de algo estético e pobre, que impressiona apenas aos olhos, nunca verdadeiramente as ideias. Isso dá uma péssima impressão que é graças aos ricos que os pobres tem o que comer não o oposto, ou que é graças a cultura da etiqueta que temos alguma coisa para nos divertimos, e não que somos geradores diretos disso tudo quando não tão condicionados.

Essa é a mesma nação onde uma revolta de escravos fez um dos episódios mais sangrentos da humanidade quanto a isso, também é a mesma nação que por ameaça de se fechar ao mercado internacional e se tornar auto suficiente despertou a fúria dos EUA.
Não se compara Brasil a Cuba, o Brasil é forte, mas ninguém sabe disso, todos querem saber quem matou o fulano de tal, fato que se repete em todas as novelas e é visto como novidade.

Fato esse que é um catarse maldito que aliena tanto que as pessoas sentem a mesquinharia das suas vidas serem compensadas pela pobreza de atitudes que ser espectador da mídia é.

É, enquanto você canaliza toda a sua fúria dessa sociedade que o trata feito um imbecil no vilão da novela, a mesma sociedade se livra da culpa porque tá te tratando a modo pão e circo de ser.

A alienação é um conforto, não sair do lugar por medo de encarar de frente um sistema, não entender a complexidade, jogar a culpa no “Estado”, e ser alienado o suficiente para perceber que a verdadeira manipulação não vem do Estado e sim de você mesmo que se deixa alienar, é mais fácil por a culpa nos demais e tornar doido quem denuncia isso.

A ignorância se torna uma benção quando isso se faz, afinal com ignorância não se faz desejos se fazem apenas vontades, vontades pequenas e mesquinhas sem um verdadeiro desejo, o conhecimento torna não somente o desejo uma prioridade, mas o multiplica.

Não precisamos de desejos, apenas nos contentamos em ver o desejo do personagem principal vingativo ser realizado.
Podemos ser da massa sem desejos e com desejos somos únicos.

Esses são os seus direitos, o direito de ficar calado diante de uma tela, e caso você se rebelar, todos os discípulos dessa mídia dogmática irão lhe calar, pois nada se questiona quando se tem imagem e som. Não, a novela não é o problema, o problema é quem assiste.

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