Em um mundo de auto ajuda, quem tem Filosofia é rei.

Sabe, por esses dias assisti o filme brasileiro “Apenas o Fim”, no qual tem uma frase que eu me encaixei tanto.
Perguntam a um dos protagonistas do filme, o que ele mais odeia, ele responde “auto ajuda”.

Eu também, eu também …(…)

Porque a auto ajuda não te leva a nenhum tipo de espírito crítico, não te leva a nenhum tipo de reflexão, não te faz exaltar a sua existência, não te leva a uma auto crítica, introspecção.

No universo da auto ajuda, você é perfeito e os outros que são o inferno, os outros que fazem você ser desvalorizado, os outros que são malvados e tomam as atitudes erradas, por isso você deve mudar com eles. Jamais essa mudança parte de você para você, quase sempre é de você para os outros. Além do fato de você não enxergar a sociedade como um todo e sim como um grande conjunto de picuinhas.

É um universo todo girando em torno do amor, do fetiche do dinheiro e da felicidade.
As outras questões tão importantes quanto perdem sua devida importância. E novamente a ressalta sobre os outros decaí.

A auto ajuda dita regras sobre como viver, como se fosse possível padronizar a vida. Hoje quando fui almoçar, não estava em casa, me deparei com uma folha solta em cima da mesa que muito provavelmente alguém se interessou. Era uma folha de uma coluna de revista, uma coluna sobre praticar o sexo.

Na mesma ditavam regras de como parecer sexy e atrair seu parceiro. As pessoas estão confundindo ética com padronizar comportamento, atração com ditadura da beleza.

Eu sinto uma vergonha alheia tão gigantesca lendo essas coisas que sinceramente, se fosse autoria de tais coisas jamais colocaria meu verdadeiro nome nessas matérias.

É degradante demais.

Eu percebo que a auto ajuda chegou em um nível tão bizarro que parece ser algo sábio hoje. As pessoas compartilham “loucamente” auto ajuda em redes sociais e todos admiram como e fosse uma espécie de Sócrates contemporâneo (do niilismo, devo acrescentar).

Sabe o que faria todo esse vazio crítico existencial não ser tão decadente? Mais aulas de filosofia.

Filosofia jamais pode ser considerada uma auto ajuda, mas é de todas as humanas a que mais entra no embate da existência humana, do se “localizar” enquanto pessoa, do que ser uma pessoa atuante, de pensar sobre amor, sobre felicidade, sobre tudo que é considerado “uma alma solta” entre nós, seja em comum ou não.

E principalmente porque filosofia é o questionar de absolutamente tudo, isso quer dizer, não cria um comportamento padrão, cria questões, teorias, condutas, ética.

Quer fazer um favor verdadeiro a sua vida? Não veja filmes motivacionais, não deixe o efeito catarse lhe dominar a ponto de você ficar um bitolado viciado em novelas, mas sim, questione.

Não é atoa que a filosofia é a ‘mãe’ de todas as ciências, somente o pensamento filosófico abre caminho para a busca de alguma verdade, mesmo que essa verdade dure 15 segundos, foi uma verdade pra você.

Somente o mundo das ideias de tira da mesquinharia do que é “ser”, sem se deixar ludibriar pelos seus sentidos, sem deixar sua visão, audição, tato, olfato e paladar lhe enganarem.

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