Mal entendo a minha cultura, mas estou julgando a dos outros.

Pense no século 18 e 19, o mundo era “grande” e “pequeno” ao mesmo tempo.

Para a visão eurocêntrica, o mundo não passava das frotas de comércio europeu, muitos poucos viajantes sabiam mais além do que interessava no campo econômico.

Esse mundo do desconhecido não tinha limites.

Era uma grande jornada até as Índias, com muitos perigos a própria sobrevivência para simplesmente comprar um tempero.

Hoje você pode comprar produtos importados do outro lado do mundo de dentro da sua casa, a globalização diminuiu as fronteiras.

Estamos próximos a culturas totalmente diferentes a qualquer momento e um tanto com descaso a entender a nossa própria cultura.

Se isso acontece com a nossa própria cultura, imagine com as demais.

Com essa visão eurocêntrica nasce o Brasil, o próprio nome dado é uma referência a paraíso na Terra, que os europeus denominavam. Nossa democracia latina baseada em ‘latinidade’ denominada pelos franceses, uma democracia que tenta a todo custo ser grego-romana, e um modelo de Estado positivista. Onde a ordem nos dará direcionamento e o progresso trará à riqueza, o progresso da ciência, a ciência do futuro, o futuro que nunca sabemos, mas cremos que será resolvido pela ciência.

E esse mundo todo que vivemos da alta classe brasileira é de uma visão limitada e eurocêntrica. Limitada pela questão do próprio europeu pouco saberem sobre os continentes que o cercava. Muito pouco sabia sobre a Ásia e Oriente, menos ainda sobre a África, talvez isso dê início ao extremo preconceito gerado por essa falta de compreensão, que vai desembocar de uma forma mais violenta na globalização. E pior, a permanência pela falta de compreensão desde os tempos feudais em tempos atuais é no mínimo imperdoável.

Isso porque o assunto era o Brasil, um país com uma democracia nova, muito nova.

Imaginem quando falamos de Oriente Médio. O Oriente Médio foi basicamente a terra dos Persas, uma das civilizações mais antigas do mundo, e também uma das mais bem organizadas no que se diz sobre cultura e arte da guerra.

Esse continente é tão antigo que as pessoas simplesmente têm heranças terrenas de mais de 900 anos, um terreno que é da sua família por 30 anos já se torna um “patrimônio sentimental” da memória da sua família, imagine nesse caso.

E mesmo assim, os demais países se sentem no direito de ordenar algo para eles, como construir o estado de Israel à custa da Palestina, marginalizando os muçulmanos como uma forma de pedir “desculpas” aos Judeus. Péssima maneira, só está mudando o holocausto de posição.

O radicalismo é a principal marca dos muçulmanos no jornalismo, e todos denominam isso como a razão de serem muçulmanos.

Como se a religião explicasse o problema a partir dos conflitos sociais.

A diferença é que nós brasileiros novos como democracia, como cultura tivemos uma recepção maior às demais culturas por “natureza”, foi essa recepção que criou nossa cultura. Sejam elas aceitas socialmente ou não. E essa suposta recepção custou muito caro a nossos índios, principalmente.
No caso de povos que está há 3.000 anos em um processo cultural, econômico e territorial a não aceitação da intervenção de outra nacionalidade faz todo sentido.

Além disso, a não aceitação de qualquer cultura que vá modificar o cotidiano deles faz todo sentido, pois é dessa forma subversiva que se muda totalmente a cara da cultura de um país, começando com os hábitos.

Com aquela simples mudança de rotina de parar de almoçar em casa para comer em fast-food você sem perceber muda uma questão cultural por inteira.

Primeiro porque não teremos mais as questões dos armazéns que fechavam durante o horário de almoço para todos irem as suas casas almoçar.

Adiante, teremos uma mudança de ordem medicinal, tanto na faceta física da população quanto a própria desvalorização do lado bom do senso comum, como herdar técnicas para cozinhar dos seus antepassados.

O que tira cada vez mais sua própria autonomia. Nós brasileiros aceitamos esse “american way of life”, porém os muçulmanos tendem a resistir porque diferente de nós, os processos culturais deles são mais antigos, e tudo que ganha tempo, ganha permanência.

Pode ser até uma permanência de “ser proibido permanecer”, somos fruto principalmente das não permanências segundo Nietzsche.

Não é possível intervir em uma economia e cultura sem ser da própria, por mais que você veja como algo negativo, é para você.

O grande x da questão é que com a globalização, a política se tornou um monstro gigantesco que os tentáculos se estendem ao mundo inteiro.

A primavera árabe aconteceu por essas duas razões, globalização e internet, coisas que aproximam pessoas que fisicamente podem estar distantes, mas seus ideais estão próximos.

A diferença é que a primavera árabe foi feita pelos próprios árabes, e não por um país que paga de bonzinho e quer subversivamente intervir diretamente na economia do outro país criando uma espécie de sistema colonial pós-moderno.

O que a mídia diz sobre a intervenção política, militar de um país para “salvar sua cultura” é justamente o contrário, você tira a força as rédeas da mão do povo, torna o caos mais generalizado, não estamos sendo manipulados mais pelos nossos políticos, e sim pelos outros que estão do outro lado mundo. Bem desesperador.

E atos radicais acontecem à medida que essa situação vai se tornando cada vez mais berrante.

E nesse caso, o que a religião tem a ver?

A única questão é o enraizamento cultural que esses cidadãos têm com seu território, e talvez nesse patamar possamos colocar de uma forma bem cuidadosa o imaginário religioso.

Curiosamente, do ponto de vista cultural a tal opressão em cima da mulher tem gerado muitos filmes feministas no Oriente Médio, que vem sendo premiados. E o feminismo no Brasil ainda é tratado como um “avesso do machismo”.

Não adianta julgar a cultura deles atrasadas ou ortodoxa demais, ainda temos um “Sob a proteção de Deus, o Estado de São Paulo” na constituição. Pelo menos eles reagem, nem que seja de forma violenta e drástica aos problemas sociais.

Não cabe a mim por um modelo de democracia, ou dizer que o Brasil é melhor ou pior, mas apresentar os pontos de vistas que sei. A questão que fica em mente é a globalização tornou a intervenção social internacional mais ativa do que a própria intervenção política nacional?

Essa aproximação mundial das culturas, dos costumes criou uma guerra por um Imperialismo, e a cegueira aos problemas próximos?

Ficam as dúvidas.

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