A vida imita o virtual

Dialogo: a vida imita o Virtual. E as redes sociais é a nova sociedade.

Chamei um amigo (Danilo Fischer) meu para uma conversa, pretendia fazer um post sobre exposição no século XXI, estou lendo a Era dos Extremos do Eric Hobsbawn, pensei. Atualmente, vivemos a era da superexposição. Sentamos na calçada mesmo e começamos a discutir.

Minha meta era falar sobre como tudo nos inclina a nos expor, mas a conversa foi tomando um rumo mais interessante do que a minha proposta inicial.

Fui perguntando ao Danilo o que ele pensava sobre a internet, mais especificamente, sobre as redes sociais.

Perguntei para ele as vantagens e desvantagens, na opinião dele, até onde pude assimilar ele mostrou a postura que eu imaginava uma postura um tanto radical perto da minha, na qual ele vê que as pessoas se sentem escravas desse meio e não o utilizam da forma que “propõe” os anúncios.

Como resultado disso dá naquele efeito “aproxima-desaproxima”, você perde o calor humano das relações, acaba que por fim se manifesta no virtual e no seu cotidiano, bom seu cotidiano continua intacto, a grande mudança acontece apenas na máquina.

Aproveitei para divagar sobre a questão que propus inicialmente, a exposição, a questão de que cada rede social:

Twitter – sem duvida o mais “invasivo” pois tem uma linguagem mais íntima, as pessoas realmente sem querer colocam toda sua rotina imposta naquele simples formato de rede social. Você sem querer “posta” o que fez, quando acordou, o que pensou, com quem falo, onde está, o que está ouviu, o que está vendo (que pode se prolongar a estar vendo o que os outros estão vendo) e comenta sobre tudo isso e quando se dá conta, justamente pela simplicidade do meio você solta mais informações do que imagina.

Facebook – é o alter ego da internet. No facebook a necessidade de autoafirmação é doentia. Todo dia você vê pessoas postando mensagens de autoajuda, indiretas “bem sacadas”, devoção religiosa, devoção voluntariosa, tudo que você ouve, pensa.

A última coisa que a pessoa faz é colocar “o que você está PENSANDO”, porque, honestamente, muita gente faz coisas lá sem pensar. Simplesmente entra e caça algo para compartilhar e sentir-se desejado. É uma forma de você elevar tanto seu ego para todas as nobres causas e todo seu lado forte, perseverante que chega a dar nojo.

Em certos momentos eu paro para pensar, é um tiroteio alheio tão grande que você realmente se perde e quando vê, “compartilhou, curtiu ou comentou” mesmo sem exatamente parar para refletir.

É como as tirinhas que tenho visto “vou andar, comer, transar, mas antes, uma foto para eu postar”. E eu não me excluo dessa ideia de alter ego, pois também participo dessa exposição. De certa forma é genial e perigosa essa ideia de você a qualquer momento jogar algo em um lugar que todos seus amigos, conhecidos, e desconhecidos (pseudo conhecidos) irão ao mesmo tempo ver.

O problema disso está pela falta de filtro que isso gera.

Ask.fm – como se não bastasse, ainda também existe um rede social da qual você entra anonimamente se quiser e faz perguntas, das mais idiotas as mais grotescas para a pessoa e ela responde. Desumanizaram de vez até o ato de perguntar, agora você pode sentir que perguntas vêm “de ninguém” para responder algo que muitas vezes é íntimo demais para a internet suprir.

Aproxima e desaproxima, é tão íntimo e tão mecânico ao mesmo tempo.

Para o Danilo isso é o que mais torna a internet uma desvantagem. Pois desaproxima totalmente as relações do dia a dia, estamos fixados pela ideia do virtual, foi quando eu me recordei em ler sobre a questão do símbolo da memória.

Muita gente acha que memória é sinônimo de passado, não é. Memória é tudo aquilo que gravamos, por exemplo, vivemos em uma sociedade de destruição contínua, a única coisa que (ainda) não foi destruída é a memória.

Vemos uma árvore, quando viramos as costas, essa árvore é derrubada. Parte dela vira uma bela estante para livros, e a outra parte se torna papel. Mas para nós ainda é uma árvore, pois na nossa memória isso foi construído. Vivemos a realidade ‘virtual’ por conta desses “memorismo” constante.

Um outro exemplo é quando vamos até uma lanchonete do cunho “McDonalds”, em que o cardápio te seduz a comer o lanche número x. Você come o lanche do cardápio, não o real, na sua mente aquele lanchinho de nada, é na verdade aquele lanche enorme e suculento que você viu na imagem, ou na propaganda. Essa é a grande sacada.

Esse mundo virtual começou a crescer e muito a partir do século XX, quando a modernidade literalmente se instalou dentro das casas das pessoas. A sala de visitas passou a ser a sala de visitas de diferentes localidades do mundo. Bons contatos? Não, televisão. A televisão aparece por coincidência em um dos lugares mais receptivos (principalmente a ideias) na vida cotidiana das pessoas.

E daí para os ambientes mais íntimos ainda foi apenas um passo.

Toda a família se reúne para ficar em frente à TV, quando seu avô ou avó fala que antes a família era mais unida, é mentira. Era uma falsa união para ver televisão, na qual ninguém tá preocupado com os problemas da pessoa do lado e sim da personagem principal da série favorita e assim posteriormente.

Conforme a tecnologia foi entrando, a impessoalidade também.

Por um lado, eu e o Danilo concluímos que existe sim um lado positivo, um deles é essa questão exatamente de aproximar o que está longe. Não seriam possíveis tantas assinaturas sem petições online, o mesmo se apropria da televisão em si, quando uma grande catástrofe acontece e a humanidade inteira mostra um dos seus bons lados quando estamos em tempos extremos: caridade.

Pura caridade, independente de ser incentivada pelo governo, pela Igrejinha do bairro, pelo amigo partidário, é caridade. O problema é quando você manda mantimentos para o Japão pós-tsunami e quando vê um mendigo na rua, finge que não existe, trata o ser humano da pior forma possível, com indiferença, com nojo. Esquece que ele também é um humano como você.

Novamente divagamos sobre o lado negativo, essa necessidade das pessoas de virtualizar todas as relações. Até na hora de comer, de beber, é preciso “registrar”, compartilhar, esperar as reações, para aí sim, beber ou comer. Isso é viver o virtual, a pessoa nem na verdade está ligada a ação dela.

Compra a cerveja ou a comida x para simplesmente exibir, e não degustar, esse exibir se tornou a principal regra da etiqueta atual. Se possível com filtros da instagram.

De que adiante eu comprar a bebida mais cara do local se eu não puder mostrar para todos? Porque esses “todos” não se tornaram apenas a sua roda de amigos, mas todas as redes que você é incluído.

E isso é uma verdade armadilha da superexposição.

Para o Danilo, o vício em se expor e sentir-se um pequeno reizinho ou rainha da internet é negativo, faz as pessoas e conformarem com as suas vidinhas por conta de seus “likes”, e faz ficarem obstinadas, não irem atrás de uma evolução pessoal, ou até de uma mudança da vida atual. Se morarem na favela, não veem o problema social tendo a o celular de última geração, isso cega as pessoas que menos deviam estar “fechadas” ao espírito de mudança.

Para mim, existe o lado positivo que você tende a atrair pessoas de outras partes que jamais teria como conhecer, por afinidades puras. E por isso mesmo eu soube de muita coisa, muitas informações boas chegaram até mim, ampliou demais a minha visão de mundo, meu círculo de amizades, mas eu tenho que ter um tanto de conformismo com a ideia de que tende a ser mais virtual, sim, infelizmente, 90% do tempo com essas pessoas será. Mas isso não desumaniza elas, elas continuam sendo pessoas interessantíssimas para mim a ponto de eu observa-las o tempo que posso, é um vício mesmo.

Porém não posso deixar de admitir que isso é complicado, pois quando me fecho a fazer isso é automático, eu desaproximo totalmente do que está acontecendo ao meu redor.

Mas é o peso de ampliar a visão, você abrir mão do seu “quintal”. Entretanto, acredito não valer totalmente apena ficar nesse ‘visualizar o quintal do vizinho’, e abandonar o meu.

A nossa chamada conclusão (hahahaha, se é que chegamos a uma), sobre isso, é que com os estudos notamos que essa aproximação dos povos é geradora de muitas virtudes e muitos vícios. As virtudes são o trocar dos costumes, das ideias, em um país vasto com o Brasil, o gaúcho certamente não tem quase nada em comum com o pernambucano por exemplo. Mas a internet fornece um encontro dos dois, diariamente, a qualquer momento, que venha a complementar esse vivenciar, a criar uma oportunidade de se identificar.

Porém, ao mesmo tempo, quando esses dois se encontram pode haver uma reação xenofóbica da parte dos dois, justamente por essa superexposição, nem todos estão prontos para lidar com a cultura do outro, com o universo do outro, e isso nos afeta e muito.

Afeta a ponto de termos pequenos surtos, como ataques preconceituosos, agressões verbais, etc. Principalmente se essa pessoa não souber nada sobre ela mesma, e ficar apenas apontando para o ‘quintal alheio’, a falta de identidade consigo é a raiz do cidadão preconceituoso, limitado, etc., tanto que as pessoas melhoram socialmente quando vão a um psicólogo por exemplo. Por quê? Porque melhoram pra si mesmos, isso automaticamente melhora nossas relações com os demais.

Em mundo sedento por aprovação alheia, fica um tanto complicada essa questão, e aberta para quem quiser opinar.

Em mundo onde você tem mil frases feitas de autores e obras desfragmentadas, fica difícil alguém se interessar pelo livro.

Em mundo em que todos estão formando opinião alheia com frases de efeito, fica difícil você refletir verdadeiramente sobre o assunto e criar a SUA opinião, verdadeira, não simplesmente abraçar a dos outros e fingir que é sua por essência.

Perdemos a essência cada vez mais quando simplesmente nos preocupamos com tudo que é superficial e rápido, para mostrarmos, para exibirmos, e não em algo que demanda tempo, paciência, e uma visão introspectiva.

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Um pensamento sobre “A vida imita o virtual

  1. Olha, eu já tentei comentar esse post umas 300 vezes, mas eu tomei um olé violento do meu novo notebook; eu aperto de leve qualquer tecla e tudo se põe a perder! Mas vamos ver se agora finalmente eu consigo:

    O principal problema das redes sociais é que todas elas foram projetadas para agregar/aproximar pessoas que. de uma forma ou outra, já se conhecem e/ou possuem vicissitudes, gostos e interesses em comum. Não foram, infelizmente, projetadas para que iniciemos um realcionamento com alguém partindo do ponto zero: se tentamos aprofundar o relacionamento com alguém desconhecido, levamos de cara uma tesourada do tipo “vem cá, eu te conheço/te dei essa liberdade???”

    E vou dizer o seguinte: isto tem sido motivo de alguns dissabores para mim porque eu procuro fazer com que em todas as redes sociais de que participo/participei, se possa ter uma idéia o mais fiel possível de minha pessoa e de meus gostos/intreresses. E sou uma pessoa que não lida bem com críticas e rejeição. Vou lhe dar um exemplo: em determinado período, os alunos da escola em que trabalhei me descobriram no face e pediram em série para que eu os adicionasse. de início eu aceitei, mas com a chuva de compartilhamentos de fotos de crianças com roncopilepsia, pedidos para tomar parte em jogos e aplicativos do facebook, mensagens de adolescentes sem opinião própria (mensagens de autoajuda/religiosas das do tipo Jesus vs. diabo- compartilhe ou só olhe), chamadas para bate-papo em horas e locais inapropriados, mas principalmente manifestações de ignorância quanto a minha religião e meus gostos pessoais e musicais, tomei uma atitude drástica: excluí toda essa gente do meu face… Gente besta, ignorante e arrogante não tem voz nem vez comigo!

    Mas veja lá: algum colega da faculdade lincou o seu post sobre os “10 motivos pra se casr com um historiador” no face dele; eu fui ver o post e cheguei no seu blog; eu uso a minha conta do face pra comentar um post e você me pede pra que eu te adicione; passamos a fazer jabá grátis dos blogs de cada um e pelo menos em meu blog as visitas aumentam consideralvelmente; trocamos uma correspondência virtual razoável e descobrimos nossos gostos em comum, bem como nossas divergências de opinião… Eis ai um lado bom das redes sociais, não é mesmo???

    Olha, eu sei que sou um blogueiro mequetrefe e um pensador ordinário que no fundo não merece ser levado a sério, mas não custava nada você descer o pau nos meus posts de vez em quando…. Quem sabe não seria bom vc de vez em quase nunca colaborar escrevendo alguma coisa pra meu blog; eu preciso elevar o nível dele, agora que ele está já há 3 anos no ar…. finalmente eu consegui terminar!

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