Insulto à Inteligência: Liberdade Feminina “de capa de Revista”

O que é ser uma mulher livre?

É ser bem sucedida, tanto em sua vida profissional como pessoal.

Construir seus desejos de forma que possa conduzi-los, se deseja fazer uma família, ter uma família estruturada, se deseja ser uma profissional bem sucedida, ser rica?

Não é o que a maioria das mulheres responde em pesquisar no nosso famoso “novo mundo” ou, por outro nome, na América.

Estivesse de frente com uma pesquisa assustadora, na qual, a maioria das mulheres respondeu que preferem perder de 5 a 7 kg do que conquistar todos os objetivos citados acima.

Então me pergunto, para quê as feministas lutaram? Nos anos 70, houve uma onda de feministas que queriam quebrar todos os parâmetros da sociedade machista. Queriam votar, usar a roupa que quisessem, engravidar quando quisessem, queriam liberdade. Queriam das suas casas, perder a invisibilidade e a fragilidade.

Queriam sair do rótulo feminino.

E eu imagino que todas que veem essa geração que colhe os frutos e o resultado de tantas lutas, estão lamentando pela forma que estão utilizando.

Citarei Max Stirner, em sua obra “O único e sua propriedade”

“E que se passa com a humanidade, cuja causa nos dizem que devemos assumir como nossa? Será a sua causa a de um outro, e serve a humanidade uma causa superior? Não, a humanidade só olha para si própria, a humanidade só quer incentivar o progresso da humanidade, a humanidade tem em si mesma a sua causa. Para que ela se desenvolva, os povos e os indivíduos têm de sofrer por sua causa, e depois de terem realizado aquilo de que a humanidade precisa, ela, por gratidão, atira-os para a estrumeira da história. Não será a causa da humanidade uma causa… puramente egoísta?”

É isso que eu falo, não adiantou nada toda essa causa feminista da forma que estão a utilizando.

Na verdade, nem estão a utilizando, entrei em reflexão agora e me coloquei a pensar, que isso não é utilizar da causa. Houve uma controvérsia no meio das causas feministas.

Depois de tudo conquistado, as próprias mulheres atiraram as feministas para o que o Max Stirner chamou de “estrumeira da história”, pois utilizaram os meios conquistados para se rotularem novamente.

É como se mudassem tudo sem mudar nada. É como um católico que vira crente e acredita fielmente que mudou completamente.

Não adiantou perder o rótulo de dona de casa se agora temos o rótulo da mulher super magra e bem sucedida. Da mulher que se não se encaixa perfeitamente nos rótulos criados pelo universo da moda, ela está atrasada, ela não é sensual, ela não é digna de atenção, na verdade ela pode ter milhões e continua sendo mal sucedida, porque os kg a mais dela a tornam menos do que as demais.

Ela pode ser incrivelmente bonita, mas a beleza é relativa ao tanto que ela pesa e numeração da calça dela. Ela não precisa ter inteligência, ela apenas tem que ser sensual. O estereótipo da “loira burra”, o estereótipo da “modelo burra”, é o sonho de todas as mulheres, e acaba sendo as próprias. Portanto, todas essas piadas, não são referentes a apenas as loiras ou as modelos, são referentes a todas as mulheres.

Pois ser “modelo”, é ser sensual, é ser dona da sua sexualidade. É quase morrer de tanto vomitar, para poder agradar a sociedade, e passar mal entre quatro paredes, e viver dentro de uma prisão interna, de uma ditadura da beleza, que é tão subliminar, que quase não se percebe a tortura.

Que liberdade é essa, onde existe uma liberdade e aceitação do próprio corpo.

Isso é exatamente o que faziam com as mulheres na era medieval, quando elas tinham que se esconder de tanta vergonha do próprio corpo. Sendo que, a grande maioria não se encaixa nos estereótipos de beleza, são muito poucas as que fazem parte disso.

Basta você ser normal, não extremamente magra, basta você ter um cabelo crespo, basta pouco para você sair desse considerado, padrão de beleza feminina, no qual a mulher é mais atraente, e dona de si.

As feministas lutaram justamente pelo oposto de tudo isso, pela aceitação do próprio corpo, e da própria beleza. Não por simplesmente a mulher sair de um rótulo para outro.

Mas para ela ter uma existência única. As mulheres saíram do rótulo da “dona de casa feliz para a modelo esquelética feliz”.

E essa liberdade é a liberdade para não ser perfeita.

Pois a associação da perfeição com a mulher começa na era medieval. Pode-se reparar nas estruturas das antigas obras, quadros, esculturas, que o corpo da mulher não é perfeito pois ele não é. Isso pode soar como uma ofensa para algumas leitoras, mas entendam, o seu corpo não é perfeito, o corpo da mulher tende a ter imperfeições.

Tanto que as primeiras confecções de biquíni foram com biquínis com a parte debaixo maior, já que o pensamento da confecção era de melhorar esteticamente o corpo feminino, já que não era “perfeito”.

Essa não aceitação das imperfeições que faz tanto essa vergonha gigantesca do próprio corpo que desemboca em uma vergonha da própria sexualidade.

Eu odeio ser mulher, por isso, preciso ser perfeita esteticamente para poder agradar aos meus próprios olhos.

Entramos então na divagação de Nietzsche, quando ele afirma em uma de suas obras (Crepúsculo dos ídolos), que o ser humano vê a beleza como a perfeição, e vê a feiura como a decadência do seu ser, cada sinal de esforço, cada calo, cada marca de expressão de cansaço, é um sinal de feiura. E a gravidez nesse caso se torna um paradoxo, pois era considerado um sinal da extrema feminilidade, e ao mesmo tempo, deixa marcas definitivas no corpo. Que hoje são encaradas da forma mais negativa possível.

Todo tipo de índice que houve uma gravidez deve ser eliminado, exceto o próprio filho (em alguns casos até o próprio).

E não tem como dizer que ele não está correto. Essa fixação pelo rejuvelhecimento diz tudo. Todos querem ser “Apolo”, o Deus Grego que não envelhece, que é abençoado com a juventude eterna, e por isso é considerado um dos mais atraentes do Olimpo.

A questão do envelhecimento põe átona todas às experiências. E a mulher, é frágil, como ela pode demonstrar uma feição de um esforço denso? Ela deve ter leveza, a mesma leveza quanto a sua virgindade em tempos medievais, a mesma perfeição quanto a sua vida de devoção, é igual, só mudou as posições, ao invés de virgem, ela deve ser o rótulo de mulher “fim de novela”, ao invés de devota, ela deve ser bem sucedida, mãe de família, e mulher “fatal” entre quatro paredes. Como se sua sexualidade fosse toda posta dentro do quarto do motel. E fora, ela finge nem ter, esconde o máximo possível.

Diferente disso, ela é biscate, vadia, marginalizada, só por ser mulher, não precisa roubar, matar, nada.

Isso quer dizer que todas que saem pelo menos em um desses parâmetros não são verdadeiramente mulheres.

Será?

Agora divago sobre outra questão, a que Jung comenta em que os seres humanos são completamente selvagens quando lidam com o novo, com a mudança. Nas primeiras espécies humanas quando alguma mudança era ocasionada ou um “forasteiro” aparecia, era morto violentamente, e a mesma reação violenta era para os eventos estranhos.

Isso ainda existe em nós. Ainda temos essa reação violenta a todo tipo de mudança, só que a diferença é que hoje somos “civilizados” e ao invés de colocarmos a violência criamos uma barreia densa psicológica entre o que consideramos seguro e correto e o novo.

Essa barreira impossibilita de pensarmos na mudança, de olharmos a mudança como algo bom na maioria das vezes, inclusive nos impossibilita de sairmos dos nossos próprios problemas muitas vezes por conta dessa barreira que nós mesmos criamos.

A incoerência da nossa rotina, vivenciamos o problema, queremos sair dele, mas, não queremos nada de novo, não queremos no fundo, mudanças.

A relutância para a mudança do ser humano e seus padrões é tão grande que cria praticamente uma repúdia a tudo que é diferente.

Portanto, o que citei acima sobre a mudança nos rótulos que seguem as mulheres caiu perfeitamente nessa divagação de Jung.

Essa falsa mudança.

Entre a liberdade do lar, mas essa prisão emocional e física na qual foi envolvida.

Então se consideramos que vivemos em uma sociedade capitalista onde o dinheiro pode comprar inclusive a beleza, já que vivemos condicionados pelo “fetiche pelo dinheiro”, não é atoa que muitas mulheres se deixam seduzir pelo dinheiro e entram em relacionamentos de auto flagelamento e se submetem a todo tudo de tratamento.

Se bem que se formos considerar essas relações, o homem ou mulher que a faz também está se despindo de seu lado humano, não somente pelo o que ele, ou ela, faz com a outra mulher, mas muito provavelmente pelo fato de seu capital ser seu valor.

Rapidamente falando de trocar e de imaginário do fetiche do dinheiro, o dinheiro hoje em dia é investido em: tempo de produção, técnicas usadas, esforço, preço, mas, também, deve-se pensar que na nossa sociedade atual tudo que vale dinheiro é o que é considerado valioso, do contrário, não tem valor, não custa.

Não é atoa, que por mais investimento que exista nas áreas públicas, por conta dessa mentalidade acima, nunca terá seu devido valor. Mesmo que o meio privado sugue nas “tetas” do Estado. E o culpa pelos erros do sistema, como uma mãezona super protetora, esse tal de “Estado” só dá solução-problema. (Estou sendo irônica).

Ou até mesmo no meio artístico, onde discuções ridículas entre fãs comparam a qualidade do seu artista favorito e o número de vendas que cada artista tem. Como se isso fosse realmente sinônimo de qualidade.

Voltando ao tema das mulheres, não é atoa que as mulheres “vendidas” são mais valorizadas do que as permanecem tentando uma mudança.

As que ficam horas lendo, são menos que as que ficam horas na academia, afinal as que leem não se tornar produtos, produtos não pensam.

E isso é o nosso maior diferencial dos demais animais.

O que diferencia o ser humano dos demais é o raciocínio, mas não somente isso é também sua capacidade de trabalhar, e esse trabalhar não é só puxar ferrinho na indústria, é criar cultura.

Pelo menos até hoje nunca vi uma galinha fazer um navio. Se um dia isso acontecer, essa minha teoria que é partilhada por muitos grandes pensadores (principalmente historiadores) vai por água abaixo.

Não somos só capazes de pensar, mas, de ter pensamentos complexos.

Somos criadores, mas o ser humano também é o único animal que se torna escravo da sua própria criação.

A sociedade, os padrões do que é socialmente aceito, foi tudo criação nossa, e porque devemos sentir que é um “bem maior intocável”?

Porque, olhamos para nossa própria criação como algo impossível de mudarmos?

Os padrões, fomos nós que criamos.

Mas é mais fácil mudar um carro, seu modelo, sua potência, criar um moto super potente, uma tecnologia que demoram 10 anos para se desenvolver do que mudar um pensamento de mais de 1000 anos da cabeça das pessoas.

Por quê?

Aliás, por que não?

Essas barreiras podem ser tão imaginárias (literalmente) do que imaginamos.

A questão é que as pessoas não pagaram nenhuma revolução, porque não tem preço.

Mas se beneficiam delas como querem.

E a questão volta, aumentando um pouco o grau, o que é ser um humano livre?

A liberdade de ouvir que se for para ter liberdade sexual que pelo menos “cobre” por isso? Pior ler isso de pessoas que são instruídas, sad. Pois isso é a maior prova que o corpo feminino é um produto na mentalidade dessa pessoa que deve ser “conservado fora do alcance do sol”, como um produto que é danificado se utilizado fora dos patamares do que consideram “correto seu modo de uso”.

Toda essa divagação me fez chegar a seguinte questão. A liberdade primeiro precisa partir dos rótulos.

No fim, os “punk’s anarquistas” estavam certos, enquanto tiver uma pessoa representando todas, a originalidade será diariamente assassinada.

Principalmente uma liberdade sexual que se resume a “20 maneiras de deixar os homens loucos”, “10 formas de mandar nos homens” e coisas ridículas que revistas consideradas “femininas” costumam considerar como forma de “domar sua própria sexualidade” através da “imposição” ridícula acima do outro sexo.

Isso não é nada além de uma visão machista ainda sim da questão na qual a mulher só se sente liberta se estiver em algum momento sob o controle do seu “macho alfa”, e principalmente, precisar o ter para ser uma mulher bem sucedida.

Isso está nas bancas em qualquer lugar que você olhar, em qualquer banca de revistas de lojas de conveniência e coisas do tipo, exatamente o discurso que os desavisados, leigos e os completos idiotas também (estou incluindo mulheres) fazem quando se trata do feminismo, que o feminismo que se opõe violentamente contra seu sexo.

Essas pessoas tem essa visão tão errônea que essas revistas femininas são “feministas”. A revista de como você se tornar uma rotulada mulher da “alta sociedade”, bem sucedida.

Por esses dias, aconteceu algo que me assustou de como a mentalidade das mulheres anda afetada por esses manuais de como ser uma completa imbecil. Uma mulher estava falando do meu lado com uma voz até de certa arrogância, como não faço do tipo de obedecer a etiquetas inúteis, eu estava do lado dela, estava viva, com a audição boa, óbvio que escutei a conversa alheia toda.

Na qual ela comentava com a amiga que não tinha prazer em fazer sexo durante a manhã, mas, que lendo uma revista “muito boa” descobriu que emagrecia mais fazer sexo durante a manhã.

Ela tava toda animada falando sobre os resultados que colheu disso, sem nem se importar com o elemento mais importante do sexo, o prazer próprio.

Desde que ela perca os kg dela, o prazer de estar emagrecendo podia suprir qualquer falta de um orgasmo.

Me lembrou violentamente aquelas mulheres de propagandas de iogurte, porque sempre são mulheres, que comentam na fila do mercado como anda a vida anal delas.

E ai tá cagando? Um belo assunto para duas mulheres na fila do mercado.

Afinal, “mulher fala dessas coisas”.

Mas ela não faz né, por esses dias eu li um guia de 10 formas de você ir no banheiro soltar a sua “entidade” sem que o seu “gato” não perceba (HAUHAUHAUHAUHAU).

(obs: aposto que você nem ligaria se a Mila Kunis fizesse isso)

Coloco-me novamente a pensar, essas mulheres são pagas realmente para tal ridículo?

Eu acho que nunca ri tanto de algo na minha vida, que foi escrito com toda a seriedade do mundo como um guia essencial para a vida em sociedade da mulher.

Para fazer um guia de formas de fazer cocô e ninguém perceber.

Eu tenho vontade de fazer um guia desses um dia.  A primeira coisa que eu colocaria é “evite o mal cheiro, engula 200ml de perfume Dolce E Gabanna, aquele que seu gato adora”

E eu realmente não duvido que algumas fariam isso.

Olha que paradoxo, as mulheres fazem a propaganda do intestino preso, mas, não podem soltar o coitado a não ser a sua toca? Lógico, porque o intestino feminino precisa estar preparado para o momento, se for social nem pensar, se casar, não caga mais.

Ok er, ironias de lado.

Mas isso tudo acima foi um exemplo de uma reação natural do nosso corpo, é biológico, todas tem igual, e mesmo assim não é nenhum pouco socialmente aceito, é como se tudo que fosse associado à podridão não pertencesse a mulher, afinal ela é a pureza tão pura que a comida que ela come simplesmente desaparece como mágica do seu estômago para o infinito e além, meigamente cheia de estrelinhas rosas brilhantes.

Isso é um impulso natural, e já é tratado dessa forma, imagina quando é algo que as pessoas não consideram “normal”, ou “natural”? Quando vem da mulher, a gravidade aumenta e muito, se ela é retraída até pelos próprios impulsos naturais, imagina pelos os que são “adestrado”?

Então que liberdade é essa?

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