A vida imita a Arte

Desde pequena eu gosto de assistir filmes, seja do gênero que for. Confesso que como criança achava um tanto denso os dramas, mas, isso porque eu sempre curtia vestir a camisa de algum personagem. Não importa se eu me identificava ou não, o importante era sentir a “emoção”.

Eu nunca esqueço que uma vez eu assistir a um filme de apocalipse zumbi, morria de medo, mas, a sensação do medo era uma espécie de sadomasoquismo que eu adorava. Quando eu vi, já tinha criado meu autismo por opção, tava presa em um mundo paralelo imitando os personagens principais, a mocinha, o herói, e os zumbis (HUAHUAHUA), aquela coisa super egocêntrica (sou todos os personagens do filme), mas, não era bem por opção, não tinha ninguém pra brincar naquela hora.

Pois bem, imitando as cenas do filme, porque eu tinha uma facilidade para decorar as falas (que tenho até hoje), saía reproduzindo as cenas quando olhei pro lado e dei de cara com a cabeça de uma prima minha me olhando (essa é a hora que eu quase infartei), depois do pseudo-infarto, fui tomada por uma sensação de vulnerabilidade e vergonha que nem sei descrever, mas só de lembrar já sinto a vergonha de novo.

A questão é, desde criança eu sentia que tudo que eu via me inspirava e me fazia entrar numa espécie de auto-análise, cada personagem que eu via nos filmes me fazia pensar em como eu era e como podia ser legal usar uma característica do personagem

Como dizem, a vida imita a arte.

E comprovei isso quando comecei a ler teorias relativas à imagem e sociedade. O ser humano realmente se/nos inspira, nos inspira tanto que até os animais em filmes, anúncios, desenhos, e até ma mitologia tem feições e agem como humanos. Tem uma personalidade humana em um corpo de animal. Animais com atos humanos, o que no fundo não deixava de ser a humanidade novamente se refletindo em uma nova forma.

Inspiramos-nos principalmente em personagens, em papéis, em status, aqueles que são representativos e se fixam na nossa cabeça mais fácil.

Por uma questão de símbolos, é quase involuntário, e sem querer entramos em uma auto-crítica, do tipo “eu devia ser assim”.

Sempre analisamos um personagem a partir de nós, de uma forma bem egocêntrica, por isso separamos um filme entre personagens que gostamos, “desgostamos”, que nos identificamos, que queríamos ser “como”, que conhecemos pessoas parecidas, mas, sempre comparando quase que sem querer com nós mesmos.

Por isso fazer propagandas em filmes funciona tão bem, nos envolvemos com a história e queremos fazer parte dela, e nos perguntamos “onde encontro aquele relógio, óculos, etc.”

Isso porque ver aquele personagem do qual nos inspiramos usando determinado objeto ou veículo, que seja, cria uma proximidade entre nós e o que é íntimo do personagem, o próprio objeto.

Por isso é normal também, a vida imitar a arte, as pessoas se inspirarem em personagens para viver. Parece ruim lendo dessa forma, mas, de fato não é muito consciente da maioria das pessoas, aspiramos ser algo que vemos outras pessoas serem.

No caso do cinema, é um tanto mais interessante, pois você naturalmente vai apenas até o filme que lhe interessa, portanto a manipulação é menos “violenta” quanto na TV, que adentra na casa de todos, com ou sem consentimento. O mesmo tem acontecido com a música, e as rádios que estão repetindo loucamente músicas do cunho “quero tchu, quero tcha” fazendo todos querer algo que nem sabem o que é e saírem dando passos ridículos por ai.

Que seja foram manipulados pela relação de proximidade causada pelo rádio, à mesma que fez Hitler fazer a cabeça dos alemães.

Essa é uma influência no caso menos consentida, quase subliminar, quando você vê você está cantando igual, agindo igual, sem nem saber o porquê de toda a baixaria.

Sinceramente, algo que me inspirou e muito ultimamente foi esse filme aqui.

Ágora (Alexandria) Trailer

Sério, é muito bom.

Fiquei pensando, dar aula dessa forma é meu sonho, não vejo um método correto e exato de dar aula de humanas, humanas o contato é maior, a fala e a opinião tem que ser recíprocas, a presença do outro é essencial. Ficar falando sem interferência um conteúdo enlatado é uma ofensa a minha área, sinceramente.

Mas, o correto em si é muito parcial não é. De qualquer forma, ainda estou apaixonada por esse filme.

E isso me fez lembrar de quando eu era criança, de quando eu imitava os personagens e…voltarei ao começo do post se continuar.

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Um pensamento sobre “A vida imita a Arte

  1. Veja você: eu também tinha o mesmíssimo costume: como eu aprendi a ler muito cedo, meu pai teve que fazer uma assinatura semanal das revistas da Turma da Mônica pra que eu não lesse os romances adultos que haviam (e ainda hão) em minha casa; com o tempo, eu passei a fazer (solitariamente no início, mas depois envolvi o meu irmão mais novo) representações das historinhas dos gibis no quintal de casa… Com o tempo, eu e meu irmão inventávamos histórias, incluíamos personagens de desenhos animados, representavos como realidade diversos personagens, do jeito q vc descreveu no post…

    E, cá entre nós, se eu dizer que fiz isso até os 14,15 anos de idade, e só parei quando meu irmão também chegou na adolescência???? E seu eu disser que eu e meu irmão nos divertíamos a valer com isso??? No tempo em que não tínhamos acesso livre e ilimitado a internet, tinhamos que ter uma capacidade de improvisação incrível pra nos divertir, ainda que os vizinhos que nos vissem talvez nos julgassem como loucos…

    Quanto a ágora, quem conhece um pouco que seja da realidade da rede pública de ensino, bem como quem pelo menos uma vez na vida sonhou em ser professor, sonhou um dia em dar aula como se estivesse na ágora ateniense, palestrando sobre a vida, o mundo e o universo, com discípulos embasbacados a ouvir e compreender cada palavra saída de nossa boca… Mas, enquanto não chegamos lá, temos que fazer catarse nos nosso blogs, e suportar os alunos perguntarem, ao ler a expressão “século X a.C.”, o que seria o “século xac” (vi isso ontem na novela das oito e quase mijei nas calças de tanto rir)… Um salve pra vc!

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