Uma outra visão do caso Yoki

 

Muito se fala atualmente do caso Yoki, a baixaria todo mundo tá sabendo (caso não saiba, perde uns 3 minutos e digita no Google “caso Yoki”), mas resumindo a ópera, a mulher matou o marido ultra milionário porque descobriu que ele a estava traindo.

 

A grande questão é: por quê?

 

 

Anteriormente, era muito comum as pessoas matarem as outras por questões passionais, o que chamamos carinhosamente de crime passional. Esse crime, é baseado em momentos em que a pessoa age por puro impulso, seja pela repudia, raiva, rancor, etc., de ter sido traída, ou enganada, ou ameaçada.

Não importa a situação, o que importa é que tem muito idiota que associa o “amor” a esse tipo de crime. “Ah coitado, ele amava tanto a mulher que não suportou ver ela com outro e matou ela”, desde quando isso é amor? Por favor.

 

No caso dela nem em sonho falarão isso afinal ainda vivemos em um país machista onde tem muita gente ainda com a mentalidade acima, que o homem que mata por ciúmes é amor, e quem trai merece a morte (porém o homem que traí é garanhão, a mulher que traí merece a morte ou ser chamada de prostituta e ser inferiorizada em sociedade).

 

 

Não adianta dizer que isso é discurso feminista, presenciei pessoalmente um caso em que o marido pegou a mulher o traindo e espancou-a até ela praticamente perder os sentidos. E o povo aplaudiu a atitude dele, sendo que ele (como todos sabem) a traía desde quando o relacionamento começou, relatos de pessoas próximas.

 

Porém, ela trair? Merece punição. Um dos filhos dela começou a inferioriza-la constantemente pela atitude dela, enquanto a atitude do pai era digna de coroação.

 

 

Pois bem, como nesse caso do Yoki o Brasil inteiro está escandalizado pela mulher ter sido fria e cruel, mas do contrário, não haveria tanta ofensa alheia.

 

 

Debati esses dias com um amigo sobre isso, ele falava de uma forma um tanto acalorada que ela merecia punição. Ri debochada da cara dele, punição? Com o capital que ela tem? A punição dela é o luxo que muitos não têm.

 

 

Ele questionou a forma em que ela foi fria, que cursou um curso de medicina para aprender a coagular o sangue, fez aulas de tiro, etc. embora haja controvérsias na história, dizem que ela ficou sabendo no dia em que tudo aconteceu (humor negro: e de certa forma deve ter aproveitado muito bem os últimos estudos).

 

Ele questionou novamente, comentou que acreditava ter sido burrice da parte dela.

 

Não considero burrice, ela certamente ficou marcada por resto da vida, não considero uma atitude inteligente também, mas não classificaria de forma tão simples.

 

Indo em partes: primeiro por uma questão que eu mesma estudei lendo Carl Jung, o ser humano não suporta ver seus próprios defeitos nos demais. Isso é uma questão de egocentrismo mesmo. E ficou sabendo que ele tava tendo um caso com uma prostituta.

 

Bem, uma prostituta é um título, no qual a esposa dele já teve, por que não pensar que essa mulher podia vir a arruinar seu casamento?

Afinal foi dessa maneira não nobre (defeito) que ela conseguiu tudo que tinha não foi?

 

Isso desperta coisas que vão muito além do que teoricamente acreditamos despertar. Uma dessas coisas é essa questão do repúdio, do medo, da ameaça.

A outra questão é como o ser humano é cheio de neuroses.

 

O que afinal é uma neurose?

Separando de uma forma fácil e compreensível: existe uma grande diferença entre uma decisão consciente da qual passa pela nossa psique e da inconsciente, que parece até natural, “sem querer”, ou “intuitiva”.

 

A primeira é considerada a civilizada, o que consideramos por racional. Refletir sobre todos seus atos, controlar, ter auto cotrole, racionalidade.

 

 

A segunda, inconsciente, quase involuntária, seria a “perda da alma”, ou em outras palavras, a neurose.

 

 

E o despertar dessa neurose principalmente em uma situação dessas é mais fácil do que se imagina.

 

 

Virou praticamente uma questão de sobrevivência em minhas teorias, para ela, ou era a vida dela ou a dele. De uma forma bem radical e bem ao pé da letra.

E muito provavelmente ela não refletiu sobre tudo isso acima para tomar a decisão, foi quase que natural.

 

 

E não pensem em arrependimento. Talvez ela se arrependa pela criança do casal, mas certamente não do ato. Em geral, essa falsa ideia de que assassinos se arrependem é muito usada, mas, pouco real. Em um caso que você sente que a sua vida está em jogo, independente de realmente estar ou não, e você toma uma decisão drástica, é como um “sobreviver”, é como um “não tive opção”.

 

 

Portanto, o post não está para inocentar ninguém, mas para dar uma visão menos moralista e mais científica do fato (até onde meu pequeno conhecimento tem chegado).

 

 

Mas, se não fosse todo esse moralismo, como a mídia teria toda essa audiência não é mesmo?

A questão por fim é, não existe uma razão específica que justifique o ato, a mente humana é complicada, o limite é imposto, então, não existem verdadeiros limites para as pessoas.

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3 pensamentos sobre “Uma outra visão do caso Yoki

  1. Algo interessante que a minha mãe comentou foi que ele vivia sofrendo humilhações da parte do marido por ter sido prostituta, que não merecia a criança, que era uma biscate, etc, etc. Ora, uma mulher que se vê amaçada de perder seu filho pra um cara que fica a ameaçando, humilhando, está desesperada. Ela acumulou ódio e medo durante anos. Não que mata seja uma atitude justificável, mas tem uma razão muito maior e mais profunda que simplesmente o que dizem por aí, que ela queria ficar com a grana. Também acho que se ela se arrepender, vai ser pela filha, não pelo marido. Finado marido, aliás.

    • Exatamente! Acho que você foi a primeira pessoa com uma visão coerente com a minha floquinho. Eu comentei que se tornou uma questão muito além de status, essa coisa de por o status como a razão é tentar ver da forma mais superficial possível. Afinal, se fosse por status, porque ela não fez antes então? Teria arquitetado o crime de uma forma mais consciente e racional. Mas foi algo que bateu de frente com a vergonha dela mesma, como dizem, suportamos os erros, mas não suportamos ver os nossos próprios erros sendo feitos pelos outros, por isso nossos pais acabam causando problemas quando lidam com essa questão (do filho não cometer os mesmos erros, como se fosse possível controlar isso).

      Muito interessante seu comentário e muito acrescentativo. 😀

      Devo acrescentar um trecho do livro “O Homem e seus Símbolos” do Jung para complemento da leitura.

      “Um paciente, por exemplo,
      que enfrenta uma situação intolerável pode ter
      espasmos cada vez que tenta engolir : “não pode
      engolir” a situação. Em condições psicológicas
      análogas, outro paciente terá acesso de asma: ele
      “não pode respirar a atmosfera de sua casa”. Um
      terceiro sofre de uma estranha paralisia nas
      pernas: não pode andar, isto é, “não pode
      continuar assim”.”

      Acredito que tenha sido mais isso do que qualquer questão de status.

  2. Ela pode ter sofrido, ter sido isso e aquilo. Mas não devemos negar o fato de que ambos eram frios. Ela é uma pessoa extremamente fria. É uma caçadora. Os dois posavam com os “prêmios”. Hora, que pessoa pacífica tem uma coleção de armas e tem como hobby caçar? . É comprovado, que a maioria dos psicopatas tem históricos de violência contra animais. Não to afirmando que ela é psicopata já que não sou psiquiatra e nem conheço a mulher .. Mas ela sabia o que estava fazendo. Eu não tenho uma arma, porque se tivesse, meu pouco conhecimento sobre espiritualidade e humanitário não seria suficiente pra me manter controlado em um acesso de raiva. Só que com certeza eu surtaria depois de cometer um crime .. e em casos de assassinos assim, frios, raramente eles enlouquecem pelo ato. Podem se arrepender das consequencias, mas do ato, não, porque pra eles é uma coisa normal.

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