Humor Negro

Por esses dias eu li um post muito interessante, que retrata essa mania desesperada (e desesperadora) das pessoas de incluírem senso de humor em tudo. Viver está literalmente tão difícil que é necessário arrancar um riso da pessoa a todo o momento para ser um pouco mais suportável essa ideia.

E é verdade, nem tem tanta necessidade de tudo ser engraçadinho sabe. Tem coisas que tem que serem levadas a sério, e quase sempre que misturam uma questão que é séria com um gênero humorístico dá em problema. Dá em problema porque as pessoas envolvidas nessa questão naturalmente se sentirão ofendidas e tem todo direito de se sentirem.

Desde quando o humor é imune à desaprovação? O humor pode ser uma forma de liberdade de expressão, mas, a liberdade do outro? Parece que o povo adora aquela liberdade que se sobrepõe aos demais.

Particularmente eu gosto do humor negro. Isso não quer dizer que eu aprove todos os humoristas que o usam, estou falando de mim. Vindo de mim, eu considero uma das formas mais eficientes de chocar e chamar atenção.

 

O humor negro é caracterizado pelas piadas de mau gosto (em geral), que abordem temas complexos, geralmente tabus, em cima da desgraça alheia, piadinhas imorais, politicamente incorretas.

Não me venha dizer nada sobre Danilo Gentili, para mim, o humor dele é autoflagelação, ele se põe em um pilar de tamanha importância de idiotice que chega a dar até dó.

Aliás, eu considero linda (só que não) essa ideia do CQC de usar humor negro para atingir os políticos, e usando aquele crachá clichê de “estamos nos mexendo por vocês”. Não obrigada, a única pessoa que pode abraçar uma causa por mim é só eu mesma. Ninguém se passar por mim, e todo mundo devia pensar assim quem sabe as pessoas saíam mais em busca de novas ideias, e não simplesmente abraçassem as ideias dos outros as tornando “suas”, se tornando mais manipulável possível.

Porém tirando os palhaços do CQC, que se passa por humor inteligente e são um bando de egocêntricos em busca da sua audiência e não da sua justiça, o humor negro é em geral um pilar de sobrevivência diante das coisas.

Como lidar com esse preconceito da sociedade, com esse falso moralismo cristão, com o machismo, com os políticos, com a homofobia, etc.? Como sobreviver a tudo isso, suportar? Ai é que tá, não suporte. A maior válvula de escape além de ir atrás e fazer acontecer, além de abraçar a sua causa, resolver alguém na sociedade e não deixar que ninguém se passe por você, é ironizar da pior maneira possível.

Todo dia, os criadores e proliferadores desses preconceitos acima vomitam diariamente suas ignorâncias em nós, porque não devolver da forma mais ofensiva possível?

Por exemplo, a “Marcha das Vadias” tem esse nome por ‘n’ significados, porém é algo que choca, foi eficiente por conta disso. Chamou atenção por conta disso. Chocou como era esperado as pessoas mais conservadoras, aquelas dos “bons costumes”.

Essas aspas são no sentido irônico mesmo.

Mas o humor negro prolifera em cima de toda essa podridão da humanidade. Por que os vilões são tão hilários? Porque é um ser tão desgraçado que acaba sendo hilário. Ninguém faz piada com a imagem do Luke, todos fazem com a do Darth Vader e com razão.

Pode ser imoral usar imagem de Hitler para fazer piadas? Pode, mas chama atenção justamente por isso. Colocam uma das figuras mais tenebrosas da história para fazer piadinha. E isso que torna hilariante, o contraste das sensações ao ver isso, aquela sensação de repudia e ao mesmo tempo o carisma todo da figura para esse tipo de “trabalho”.

O humor é um dos melhores meios de atingir. Porém ele não faz tudo sozinho, o humor apenas choca, e permanece nisso. Não causa mudanças.

O humor pega no moralismo, nos conceitos, nos valores, e brinca com eles de uma forma que ofende. Mais ofensiva possível.

Por isso que vivemos nessa “divina comédia”, sem essa troca de ofensas íamos viver numa vida mais trash ainda se isso é possível. Mas se te ofende, é porque você se sentiu atingido por aquilo. Muitas vezes para sairmos da zona de conforto precisamos nos autoflagelar mesmo, precisamos tomar uma postura crítica quanto a nós mesmo.

Não é uma crítica à sociedade apenas, é uma crítica a sua própria postura. Muitas pessoas tendem a não fazer isso e por isso se sente ameaçadas ou ofendidas por esse tipo de humor. Quando o idiota do Rafina Bastos falou que era um favor para uma mulher feia ser estuprada, eu me ofendi com esse comentário. Não porque me considero feia, mas porque sou mulher e esse comentário ofendeu a mim, pois tratou o meu sexo como algo que eu mesma não detenho, como se não pertencesse a mim.

Fiz muitos comentários irônicos quanto a ele e o efeito foi como eu esperava, as pessoas que ficaram na zona de conforto se ofenderam. Se ofenderam porque não viram necessidade de indignação, como se eu fosse culpada por elas serem tapadas.

E o universo do humor e a depressão, a morte, o suicídio, a ignorância, e afins são muito próximos tanto que temos essa explosão de páginas de “coisa da deprê”, história da deprê, engenharia da deprê, computação da deprê, filosofia da deprê e etc. onde em geral toda a ignorância que envolve o universo daquela disciplina ou profissão em específico se torna hilariante. Afinal é a única forma de suportarmos certos comentários.

Porém podem se tornar tão idiotas quanto. A diferença é que para o nosso bem, em geral a maioria tem um senso de humor refinado. Alguns são bem decepcionantes, afinal os autores se sentem no direito de sobrepor uma ignorância em cima da outra (e sem ser com ironia).

Certamente o humor é o gênero mais explorado do momento, pensei por um momento em fazer algo que tivesse haver com isso, porém meu foco será o que desde pequena sou apaixonada: terror.

Esse post ficou um tanto aberto, porque a questão não era definir o gênero, tornar ele uma coisa só, criar um estereótipo, mas, cair em uma reflexão mesmo. Até o próximo.

(p.s.: não consigo achar o link do post que comentei, mas assim que eu conseguir o divulgarei.
E ah, a imagem do post foi feita por mim em um dos meus surtos de humor negro com a fé alheia.)

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