Resenha Aberta: A conquista espanhola sobre os Astecas.

Essa é a minha resenha aberta sobre a conquista de Cortez (espanhóis) sobre uma das civilizações mais (fuckin’) incríveis da humanidade, os Astecas.

Como se sabe, os espanhóis tinham armas de fogo, cavalos (o que para os Astecas que nunca viram aquilo foi bem assustador, pois não sabiam se era uma coisa só o homem e o cavalo, e afins), mas essa resenha é de uma visão mais ímpar da situação.

  • Razões da vitória de Cortez:

As grandes questões em torno da conquista acabam por sua vez em uma só. O que de fato ocasionou a conquista dos espanhóis sendo que, eram em número menor de soldados diante de uma das maiores civilizações Pré-colombiana.

As fontes usadas de referência para a conquista são crônicas espanholas (que ressaltavam em geral o poder dos espanhóis) e relatos indígenas (um tanto influenciados pelos espanhóis ainda sim pois são relatos pós conquista).

A “falsa ideia” de conquistada dada por alguns textos, posta como “acaso” (Cortez aparece em um momento propício para a conquista), por mais que eclipsa a verdade, deve ser vista de uma forma crítica da “fantasia” de uma verdade imposta como mentalidade para o acontecimento, não é menos importante.

Em 1519 acontecem as primeiras etapas da conquista de Cortez, com sua saída de Cuba até então apoiada pelo governador de Cuba, que logo após o ato se contradiz e pede para Cortez recuar, faz com que Cortez desembarque na ilha de Vera Cruz e a declara estar sob autoridade do rei da Espanha.

No desembarque, Cortez e seus soldados enfrentam os Tlaxcaltecas, que após o enfrentamento se tornam seus melhores aliados para a conquista.

Com os novos aliados a chegada de Cortez a Cidade do México (Tenochtitlán) é facilitada. Os espanhóis e seus aliados se organizam para prender sob seu domínio o líder dos Astecas, Montezuma, e o fazem.

Chega a notícia de recém-enviados de Cuba, que estão na costa litorânea, Cortez se desloca de Tenochtitlán para ir de encontro com os recém enviados que eram em número maior do que os espanhóis. Sobram apenas alguns soldados para “guardar” Montezuma.

Os soldados que vieram de Cuba e os espanhóis duelam entre si, e novamente Cortez vence e conseguem mais aliados.

  • Durante a ausência de Cortez:

Acontecem problemas para os espanhóis. Alvarado massacra os líderes religiosos   Astecas o que ocasiona a revolta da população asteca que até então permanecia sob as ordens de Montezuma (para não entrar em conflito com os espanhóis).

Esse episódio é conhecido como “La Noche Triste”.

Em meio a guerra chega Cortez com mais aliados, durante o conflito Montezuma é assassinado.

  1. A primeira suposição é que os espanhóis que o assassinaram para deter o poder sob os astecas em meio a guerra (no caso, se foi isso mesmo piorou muito a situação)
  2. A segunda suposição é que tenham sido os próprios Astecas que assassinaram Montezuma pela extrema passividade do seu líder diante dos espanhóis.

Cortez se retina de Tenochtitlán durante a batalha, e vai para Tlaxcala para recuparar suas forças e reconquistar Tenochtitlán.

  • Comportamento de Montezuma.

Gente eu quero esse bonequinho D:

  Curiosamente o comportamento do líder dos Astecas diante de toda força de batalha de seu povo e soberania em números, foi o que ocasionou a facilidade para a conquista dos espanhóis. Montezuma agiu passivamente. Além de se mostrar extremamente indeciso e com comportamento ambíguo.

A ambiguidade do comportamento dá-se pelas recomendações de Montezuma. Por hora gostaria que guiassem os invasores até a Cidade do México (Tenochtitlán), depois muda de ideia e recomenda para que não levassem até sua capital.

Questão religiosa: Os deuses dos quais eram devotos (Tezcatlipoca e Huitzilopochtli) segundos seus “oráculos”, ordenavam para que matassem os invasores em Cholula ou para leva-los amarrados para Tenochtitlán.

Montezuma decide de alguma forma mandar indiretamente seus invasores de volta (dando ouro aos espanhóis, o que de fato impulsiona mais ainda a invasão).

Em algumas crônicas, dizem que Montezuma era um homem muito melancólico (atribuindo isso a sua passividade), e que os Astecas (que se diziam a dinastia posterior dos Toltecas) na verdade eram apenas usurpadores da cultura Tolteca, sem nenhum laço vitalício de “sucessão”, apenas “ladrões” da cultura Tolteca.

Resultado, esse complexo de culpa nacional fez com o que Montezuma fosse passível com os espanhóis acreditando que eles eram os verdadeiros descendentes dos Toltecas.

Por isso a passividade de Montezuma, que se deixa prender por Cortez, que surpreendido com o comportamento dos Astecas, manda queimar suas caravelas para representar falsamente o papel de descendente direto dos Toltecas.

Diferente do último imperador Asteca Cuauhtemoc, Montezuma procura evitar qualquer derramamento de sangue, prefere abrir mão do seu poder, de seus privilégios e de suas riquezas.

Montezuma em La Noche Triste também pede para seus aliados não batalhar para evitar a guerra.

Montezuma até busca o cristianismo, porém para ironia do próprio comportamento cristão (da moralidade no caso), o padre estava mais preocupado em procurar ouro, e não dá atenção a Montezuma.

Porém a entrega de Montezuma permanecerá um mistério para o mundo. Alguns historiadores entram em divergências de ideias, afirmando que Montezuma era covarde por não ter lutado com o poder que obtinha, ou que Montezuma assume uma postura de não batalhar, não por covardia, mas sim a favor de não haver guerra com o seu povo.

Cortez acaba também encontrando outra questão além da passividade de Montezuma, mas também as tensões internas que habitavam o diversificado e heterogênio império Asteca. O que facilita a reconquista da Cidade do México.

Embora politicamente fossem organizados, havia uma inquietação interna pela insatisfação de se deixar dominar por um outro povo. (No caso dos Tlaxcaltecas).

Os Tlaxcaltecas foram “comprados” pelos espanhóis em troca de pequenos privilégios (que recebem após a dominação espanhola), os espanhóis parecem um “mal menor” perto dos Astecas, pois os comportamentos mais pitorescos dos espanhóis (exploração de trabalho, do ouro, roubo das mulheres, violência sexual, etc.), já eram feitos pelos Astecas sobre os povos dominados pelo império Asteca.

Os Astecas também praticavam a “pedagogia do medo”, saquiavam as aldeias que se recusavam a participar da sua política.

Isso ocasiou uma “espiral histórica”, a história se repetiu: Os Astecas (antigos dominadores) exterminaram a cultura anterior, criaram mitos, ideologias, para uma visão homogenia, manipula a mentalidade das próximas gerações para verem a grandeza do império Asteca.

Os espanhóis (novos conquistadores) seguem a mesma linha exterminando a cultura Asteca, impondo um novo mito de origem (cristão no caso), e conquistando a capital do Império Asteca, a Cidade do México, capital simbólica, centralização do poder político, ideológico, por isso é alvo dos conquistadores.

Um último fator importante para compreensão da conquista também é o fato do “silêncio dos deuses”. Os Astecas assim como os Maias se sentiram abandonados pelos seus deuses que tomavam as decisões. Seus líderes religiosos anunciavam um silêncio dos deuses sobre a invasão dos espanhóis, por isso não atacaram, não se organizaram, não houve estratégia contra a invasão, por isso também o desespero e a entrega.

(Fonte: TODOROV, T. A conquista da América: A questão do outro. São Paulo. WMF Martins Fontes, 2010.)

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