Individualismo e Capitalismo – Desmistificar

Até quando?

Até quando as pessoas vão acreditar que o capitalismo gerou o individualismo?

Esse post não será enorme como os anteriores, é uma desmistificação.

Capitalismo é caracterizado pela cultural em prol do capital (lucro) e pela indústria, pelos meios de produção em massa.

Ninguém tá interessado em ser original, a não ser que essa originalidade dê lucro.

Não existe individualismo em um sistema que é feito para uma massa (ou seja, uma quantidade bem grande de pessoas com algo em comum), e que você não pode absolutamente em hipótese alguma ser você mesmo fora da sua casa.

Fora da sua casa você veste a camisa do que você é no meio da massa, no meio social.

Você é: estudante, advogado, professor, bancário, enfermeiro, que seja. Quando você não é nenhum desses, você é filho de um desses acima.

Seja pelo modo de produção, ou pela mania de profissão, ou pela mania de família patriarcal, você não é um sujeito isolado, você tá sempre sendo alguém que representa uma parte dessa massa.

Não existe individualismo no capitalismo, o que a gente chama vulgarmente de individualismo capitalista é aquela ideia de que estamos com pavor de multidões (e com razão).

Queremos nosso próprio carro, nosso próprio computador ou notebook, nossos fones pra nos desligar do ambiente que nos cerca, etc.

E não tiro a razão do povo não, tá tão burocrático viver em sociedade que isso é uma válvula de escape. Em algum lugar você pode ser você mesmo sabe.

E o que é a burocracia?
A burocracia é essa máquina da substituição. Principalmente quando se trata do Estado.

  Afinal, somos todos pessoas substitutas.

Se um professor falta, tem outro pra substituir, se o substituto falta, o eventual vem e cobre. Sempre tem alguém pra te substituir, como se você fosse substituível. Como se você não fosse nada além da sua força de trabalho mesmo, a sua personalidade não importa, você é substituível.

Interessante do filme Elizabethtown (da foto acima) é que eles falam de pessoas que são substitutas inclusive no universo emocional (o que essa loucura toda de burocracia proporcionou pra nós).

Ou seja, ninguém tá ressaltando seu individualismo, sua originalidade, sua existência em si só. Estão ressaltando o grupo que você vive, a família, que seja, menos você em si.

                                       Eu sei. Eu sou impossível de ser esquecida, mas difícil de ser lembrada.

Isso inferioriza a originalidade, não é atoa que hoje ninguém liga pra isso. Porém Max Stirner afirma, vou fazer uma interpretação minha da afirmação dele do que seria o verdadeiro individualismo:

Eu devo ser a minha causa, fazendo assim com que as minhas vontades sejam de fato abraçadas pelas minhas ações. E não a vontade egoísta da “humanidade”, nem de um Deus distorcido pelas pessoas no qual o egoísmo impera (faça a vontade de Deus, se não ele te castiga).

Então supõe as pessoas que a causa justa seja a boa causa. Mas não somos divididos entre bom e mau, afinal eu crio tudo, na minha concepção eu sou o criador do que eu considero mundo.

Você pode até querer estar acima das pessoas mas sabe que para isso vai precisar entrar no jogo da burocracia. No caso de Stirner, ele afirma o individualismo onde a liberdade termina onde começa a dos outros. A liberdade de um não se sobrepõe ao outro por “hierarquia”, mas, sim pelo verdadeiro bom senso e respeito.

Onde seremos nossa única causa, afinal, somos seres únicos ainda sim. E isso nos torna insubstituível.

O capitalismo faz qualquer pessoa ser substituível, até na iniciativa privada onde a questão é mais drástica (ou você comparece, ou te chutam pr’as galáxias).

O verdadeiro individualismo em minha opinião é esse, de um post anterior meu. O anarco-individualismo. (Deixem de ser preguiçoso e cliquem na TAG ao lado sobre o assunto, porque eu estou doente e tenho direito de ter preguiça err).

Mas eu sei que é um longo processo de mudança de mentalidade para chegar a isso, mas seria onde ninguém ia ter esse pavor de multidão, ia ser ao contrário. Sabemos que nos desenvolvendo como seres individualmente que conseguimos viver bem em comunidade.

Sério, por isso que quando as pessoas se desenvolvem bem (seja indo ao terapeuta, lendo filosofia, psicologia, etc.) quando elas desenvolvem bem o individualismo delas, é muito automático. Elas se tornam pessoas melhores coletivamente. Então ninguém precisa forçar a gente ao coletivo, é natural.

A minha teoria é, me baseando em Max Stirner e Nietzsche, que quando nos desenvolvemos individualmente, sem moralismo, sem sermos forçados, nos tornamos seres humanos melhores. E isso não tem exatamente um tempo, pode ser a qualquer momento.

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17 pensamentos sobre “Individualismo e Capitalismo – Desmistificar

  1. Oi, eu de novo, a frase “A liberdade de um não se sobrepõe ao outro por “hierarquia”, mas, sim pelo verdadeiro bom senso e respeito.” se refere apenas a humanos? E, se sim, pq apenas a eles segundo tua opiniao!? xD

    • sim, me refiro apenas a humanos. Por dois motivos, o primeiro é que meu objeto de estudo é o ser humano, o segundo é que misturar as questões seria pedir pro texto dar uma “embananada”.

      • Ah, entendo, alias esta “embananada” é um verdadeiro problema, não só em termos tecnicos na criação do post, mas geralmente tras muitos inconvenientes eticos e aponta muitas contradições quando se começa a considerar seres diferentes de nós, como merecedores de tratamentos baseados em bom senso e respeito. Deve ser por isto que mulheres, negros e outros grupos discriminados demoraram tanto pra alcançar o status minimo que gozam hoje.
        Meu receio é que ao relativizar valores a gente tente se eximir das mudanças que estes valores exigem como ações de nossa parte e no final das contas apenas nos levem a praticar aquilo que combatemos.

      • o fato de eu não ter incluído animais no post não quer dizer que estou vetando o apoio aos bons tratos, tem que saber separar as coisas. Não dá pra jogar todas as questões no mesmo texto ou discurso. Uma coisa de cada vez.

  2. Não claro q não, a principal questão pra mim é justamente esta, quais critérios eu escolho como sendo validos apenas para humanos ou não, a resposta tende a ser simples, algo como; “eu sou humano, portanto…”. Pq a liberdade e o respeito da frase se restringem a uma especie, se o ser humano interage com praticamente todas especies do planeta!? Até onde é saudavel relativizar moral e etica!? Ah sim, logicamente isto é mais uma pergunta pra ti, pessoalmente, q um comentario sobre o texto…d qqr forma tudo esta sempre relacionado! ; )

    • está mas não podemos incluir no mesmo discurso pois ele se desestabiliza demais. Não disse que não estão, mas isso é tema para outro post, é como reunir na mesma reunião questões como racismo, intolerância, machismo, ecologia e afins. Pode estar tudo relacionado de alguma forma? Sim, mas isso tem que ser visto um por vez, achar que dá pra falar tudo de uma vez é querer fazer uma grande mistureba que possivelmente dará em merda. Falando o português claro.

      Por isso os grupos são separados, o fato de serem causas separadas não as torna inimigas ou apáticas uma a outra, mas sim que cada um está para uma função de resolver um problema social. Deixo os problemas ecológicos aos meus amigos biólogos que em geral são mais preocupados com essa causa. A mim, na minha concepção, cabe agir socialmente. Se cada um faz a sua parte e não UM tenta fazer TUDO, resolvemos os problemas com mais eficiência.

      • desculpe o ‘palavreado’ acima, hauahua não consegui achar uma outra definição tão impactante.

  3. Sim sim, não me refiro especificamente ao discurso, ja q devido as nossas limitações comunicativas por melhor que seja, já é naturalmente truncado, mas enfim… me refiro justamente as nossas ações, o discurso pode ser especifico sobre opressão de determinado grupo sobre outro é rlx, mas na ação do emissor deve ser coerente com o discurso ou o invalida ne!? É aqui q pergunto novamente quais os criterios pra delimitar a liberdade apenas a determinada raça!?! É pessoal mesmo, como tu Mari, pode defender uma femea humana e não uma de outra especie, quais os criterios de diferenciação!?

    • Por justamente meus textos serem separados por temas e não envolver toda a globalidade da coisa, agora me pergunto, de onde tirou essa conclusão precipitada sobre mim? Foi simplesmente pelo fato de eu não ter comentado sobre (que não é nenhuma prova de eu ser contra ou favor, muito menos para conclusão) ou a pergunta está mesmo mal colocada?

  4. Mal colocada entao, nao presumo que tu pratique esta incoerencia, pergunto como explicar em caso de, mas tua opiniao pessoal, claro…

    • Hum entendi. Olha, eu acredito que sim vem de uma vontade individual e egoísta do ser humano abraçar causas, pois se temos pena é porque NOS colocamos no lugar daquelas espécies, incorporamos mesmo a questão, depois de fato procuramos a razão. Sou completamente a favor da ideia de haver uma consciência ambiental, embora sinceramente alguns danos são irreparáveis, os animais acabam tendo que se adaptar a viver entre as ‘pedras’ da cidade. Não estudei muito a questão portanto posso deixar ela aberta? hauauhauh essa seria minha resposta por momento.

      • Isso porque, o instrumento de estudo dos historiadores são as ações dos homens no tempo e vice versa, não absolutamente tudo que acontece durante esse tempo. Por isso a pré-história em si é a mais deixada de ‘lado’ das questões.

  5. Grande Mari, então, eu insisto tanto nesta questão animal, pq ja a alguns anos virei vegano, e com esta decisão veio um posicionamento etico que não permite mais separar as coisas, é bem complicado, hoje pra mim, alguem que nao pratica no minimo o vegetarianismo incorre numa serie de incoerencias entre discurso e ação. Com isto muitos “pensadores” demonstram uma fissura, sim é um eufemismo xD, em suas posições eticas. Eu tenho tentado eliminar esta brecha no meu cotidiano, obviamente é impossivel, principalmente devido a ignorancia, é algo deveras dificil mesmo minimizar estas contradições aos niveis minimos… neste meio tempo me surge a curiosidade absurda sobre como as outras pessoas mais ligadas (dae ficar te enchendo) lidam com isto, a partir do momento que tomam uma posição semelhante no que tange a extensao de conceitos como liberdade e respeito a seres diferentes.

    • você tem que pensar que isso é uma questão de opção, e também tomar cuidado com essa ideia de ‘tornar melhor’ por conta disso. Considero significativa a ideia do vegetarianismo, porém veja bem, isso não torna ninguém melhor que o resto da humanidade, Hitler era vegetariano. Você deve pensar que como você adquiriu um conhecimento mais avançado ecológico digamos assim, te tornou consciente das coisas, e automaticamente você praticou a consciência mesmo. Nem todos tem esse conhecimento, é como eu, vejo as pessoas condenando as demais cultura e julgando a ocidental a cultural ‘modelo’, eu sei o quanto isso é complicado, mas não condeno a pessoa por completo por conta disso, o máximo que faço é explicar os ‘por menores’ de tudo isso.

      Entendo sua visão, mas isso exige de você paciência. ahahuha toda cultura enraizada não é do dia pra noite que é deixada de lado, ainda mais algo que vem praticamente de primórdios.

      • Ah sim, Hitler era vegetariano e ateu tbm, hahahha esta é classica, na realidade não existe a comparação de melhor ou pior não, sempre que discuto isto deixo claro que a discussão é etica (ecologia tbm fica de fora, ou apelo emocional) e o vegetarianismo é so uma consequencia entre as conclusoes e a derivação pratica delas, na real o problema reside ae. Mas como disse não tem como existir algo 100% “correto, se stressar com isto é loucura, mas a ideia de fazer o minimo continua valendo claro! ; )

      • ah ta, sim eu desacredito em perfeição ahuahua não existe perfeição, nem algo 100% correto, pois nós mesmos somos assim. 😀

  6. Essa publicação tem um tempo, mas minha aquisição ao anarco individualismo é recente gostaria de saber se há artigos abordando a concepção política no que tange a voto, socialismo e influencias dos individualistas, o individualista e ideologia. Pois não vejo como um individualista ficar acrítico e a margem desses temas e se abdicar de lutar por uma sociedade melhor.
    Grato

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