Universo Particular: Meu medo por coisas bizarras

Eu sempre curti algumas coisas que naturalmente a maioria das pessoas não curtem, mas particularmente quando eu era criança eu tinha também medos bizarros.

Quando fui ao médico ele associou esse medo bizarro a uma síndrome de pânico que eu podia ter, e de fato eu tinha, uma síndrome de pânico que fazia meu pulmão fechar por completo em meus ataques de asma.

 Sempre morria de medo em sonhos ver alguém de costas. Nunca era bom sinal. Assim como geralmente minha mãe estava sempre dessa forma pra mim nos meus sonhos, ou negando meus pedidos.

Pra você que tá lendo ter uma ideia, eu morria de medo do Tim Maia.

Sério, meus amigos já sabem dessa história, mas eu morria de medo do jeito dele e o meu medo fico maior ainda quando meus pais compraram um disco dele em que a capa se confundia com o cenário (uma cidade atrás). Parecia que ele tava decapitado.

A cabeça do Tim Maia me perseguiu durante muitos pesadelos da minha vidinha. Minha imaginação fértil não colaborava, por que eu tinha que ver o cara decapitado?

 

Bom, fiz um tratamento bem rígido com um remédio delicioso que parecia pilha batida com ferro velho, uma delícia sabe, era tão gostoso que eu colocava ele em um copo cheio de suco ou refrigerante, eram apenas duas gotas, e dava pra sentir o gosto intragável do treco.

Mas pelo menos ele deu reação, pelo menos eu não fico tão desesperada quando fico ruim.

 

Quando eu era criança também eu tinha uma claustrofobia meio complicada. Não aquela de confinamento, mas aquelas de multidões, de me sentir cercada. Tanto que eu negava com muita teimosia sentar em meio as rodinhas da escola porque sinceramente pra mim aquilo era apavorante.

 

Embora, individualmente eu socializava bem fácil. Meu problema não era ser sociável, mas ser o centro das atenções. Não sabia lidar com a ideia de todos me olharem ao mesmo tempo (em pensar que hoje estou me arriscando na profissão de professor, onde eu tenho que ser o centro das atenções).

Também dessa claustrofobia veio meu pavor de pessoas que colavam a face em mim.

 

Eu era uma criança fofa, cabelos cacheados e claros, olhos claros, as pessoas ADORAVAM colar a cara na minha e isso era tão apavorante. Me dava calafrios.

Outro medo estranho que eu tinha era de escutar barulho de carro acelerando, chegava a me dar palpitação, e estranhamente eu tinha que subir em algo pra me sentir segura (HAUHAUH) até hoje não curto a ideia de barulhos de coisas acelerando.

Eu sempre corria e me jogava no sofá quando escutava um carro acelerando lá da outra rua até chegar na minha.

 

Lembrando que isso era meado dos anos 90, em uma época que os carros eram bem mais barulhentos do que hoje.

E os barulhos altos ou estranhos sempre me apavoraram. Quando eu era criança eu fazia um malabarismo enorme pra dar descarga e tampar os ouvidos (HAUHUAHUAH). Detestava o barulho da descarga, embora nunca deixasse de dar por educação. Ninguém era obrigada a ver o que eu fiz, mas também eu não queria ouvir aquela SHHSAAAAA.

 

Meus pais achavam um sarro isso.

Mas de todos os medos, o mais bizarro era de um pingente que a minha mãe tinha, era algo próximo disso:

Só que era de ouro e era bem mais trabalhado e detalhado.

 

Esse pingente me dava TANTO MEDO, e pior que eu nunca entendi por que. Pensei me várias razões mas ele não produzia som, nunca fiz nada de errado com ele a ponto de me traumatizar (tipo engolir sem querer, bater ele nos olhos, etc.) nem nada, mas eu morria de medo. Eu tinha tanto medo que simplesmente eu tinha pesadelos com eles me perseguindo.

 

Esse pingente era a parte mais assustadora de tudo, esse medo dele chegava a ser tão bizarro quanto meu medo daqueles soldadinhos verdes que eu só perdi assistindo Toy Store.

Só que ironicamente eu não tinha medo de filmes de terror, não tinha medo de demônios nem nada do tipo, assustador ou não, achava eles até legais HUHAUHAUHA nunca esqueço um carnaval que eu devia ter uns 8 anos, um cara vestido de demônio de aproximou de mim, e eu ao invés de assustar, elogiei a fantasia do cara HUAHUAHHA

 

Não tinha medo de zumbis, nem coisas do tipo, toda essa questão do medo de coisas comuns não me atingia tanto, a ponto de eu jogar esses jogos que nenhuma criança da minha idade tinha coragem de jogar.

Mas eu tinha medo de coisas mais bizarras mesmo. Uma dessas coisas era um jogo que o meu irmão tinha do turbo, eram tão podres os gráficos que o personagem principal do jogo quando ia lançar uma magia parecia que os braços dele fundiam.

Parecia que virava uma coisa só e dois ‘tentáculos’ à frente. Isso me apavorava MUITO, muito mesmo, me dava muito medo à ideia dos braços colados.

 

Por fim, chego à conclusão que mutilação e meios de transporte sempre me apavoraram mais. E de fato apavoram até hoje, se tem algo me atinge é isso. É por isso que não me importei em ficar do lado de dois mortos mergulhados no formol em uma faculdade e desmaiei na sala de direito criminal em ver as fotos do povo espancado, esquartejado e afins.

Parece que o que me impressiona mais não é o imaginário do ser humano, mas, do que ele próprio é capaz. E isso desde criança curiosamente.

 

Quanto aos meios de transporte, até agora não entendi muito bem. Nunca sofri um acidente.

Curiosamente eu sempre não tive medo do que a maioria das pessoas tem. Mas essas coisas bizarras eu tinha e ainda tenho medo.

Deve ser uma das razões que o filme O Chamado me impressionou tanto, a bizarrice toda da obra, e esse tipo de porcaria realmente me dá medo.

 

Claro que tem o lance do filme todo ser feito pra abalar seu psicológico, porém mesmo assim, tiveram pessoas que não se deixaram abalar pela bizarrice do filme, já eu fiquei um tanto comprometida a eternos pesadelos sobre.

Claro que a cena feita por aquela semiótica da menina saindo da TV o que dá a extrema impressão que ela está indo na sua direção e não na direção do “carinha” do filme é uma fórmula de destruir as estruturas de “macho” até de quem não tem medo de nada.

Também a ideia do filme de ver um filme e morrer em 7 dias impregna mesmo e é proposital da parte de quem fez.

 

E o universo do medo continua sendo a grande questão pra mim, por que esses símbolos todos acima representavam um pavor tão grande da minha parte? Por qual razão isso me abalava tanto e nem era nada demais, em alguns casos era até algo bonito.

Não sei, mas estou lendo O Homem e seus símbolos do Carl Jung e tem sido bem esclarecedora essa leitura.

Curiosamente, eu sempre gostei do universo dos sonhos e sempre acreditei ser mais rico e intenso do que o consciente. Estarei fazendo essa leitura e quem sabe rende em um post mais esclarecedor no futuro.

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3 pensamentos sobre “Universo Particular: Meu medo por coisas bizarras

  1. É uma baita mancada rir do medo e dos traumas alheios, mas essa do Tim Maia não deu pra segurar… Me deu até um acesso de tosse(estou ainda com o peito chiando) de tanto que eu ri, e a minha chefe pensou que eu tinha enlouquecido (porque eu rio alto mesmo)… Junte isso com minha imaginação fértil (que já imaginou a cabeça de Tim Maia voando pela planície racional),e…

    De fato, pelas suas fotos no face suponho que você é do tipo que deve ter passado a infância inteira, e talvez um pedaço da adolescência, ouvindo (sobretudo de gente estranha) expressões do tipo: “Mas ela é uma princesinha!” “Olha,ela parece uma bonequinha!” (e, como pude notar pelo que vc percebeu, algumas pessoas não se limitam a só falar; quem abraçar, beijar, beliscar as bochechas, etc.)

    Uma coisa semelhante acontecia comigo, uma vez que eu aprendi a ler muito, mas muito antes de chegar à idade escolar, se nao me engano com 2 anos e meio de idade (parece mentira, não é? tanto que nem gosto de falar sobre isso); e minha família, orgulhosa de mostrar minha tão feliz precocidade (rs) me incitava a ler qualquer coisa na frente de qualquer pessoa que aparecesse, mas eu era que nem papagaio sabido: só fala quando quer, longe da presença de estranhos, quando todos menos esperam e nas horas mais incovenientes possíveis, a despeito das crianças chatas que ficam em cima dele açulando: “Loroooo…”.

    Dessa forma, me lembro que ter que ler na frente dos outros era algo que me exasperava bastante, porque como eu sabia ler as coisas mas não entendia o significado delas, este meu dom para mim era evidentemente uma coisa indiferente… Mas pra me redimir das risadas largas que dei às suas custas (e que fizeram meu dia mais alegre), aí vai:

    Deste tenra idade, eu tenho um pavor incoercível a exames de sangue, injeções e picadas de agulha de qualquer espécie. Tudo isto porque aos quatro anos de idade, quando fui coletar sangue pra um exame banal, um enfermeiro inábil picava meus braços o tempo todo sem conseguir acertar a veia pra colher o sangue. E quando criança eu era um tremendo chorão (como quase todas as crianças do meu tempo), e a cada picada eu chorava e gritava que nem uma gazelinha espavorida, ou como se me estivessem castrando sem anestesia.

    E foram várias picadas! Meu pai, como estava com pressa para ir ao trabalho, não percebeu que esse enfermeiro estava praticamente me torturando e até ajudou a me segurar pra que eu não tirasse o braço na hora da picada… E o f.d.p. do enfermeiro não consegui colher uma única gota de sangue de mim naquele dia.. Pra fechar com chave de ouro, nesse dia estava rolando uma campanha de vacinação e me levaram no posto de saúde da Vila Maria, onde tomei ainda uma agulhada de lambuja no traseiro, junto com a das gotinhas…

    Desse dia por diante, quase sempre foi difícil colher sangue para exames, embora não me sinta mal ao ver sangue (meu ou alheio. Quando eu tinha uns seis anos, praticamente revirei a sala de vacina do posto de saúde pra me esquivar de uma vacina injetável, e quase fugi da sala com as calças arriadas; foi necessário chamar um soldado do exército que estava ali no posto ajudando na campanha pra poder me segurar; o cara me suspendeu pelo ventre e me aplicaram a vacina. Hoje em dia,sempre me sinto um pouco mal quando vou coletar sangue para exames, e até hoje não criei coragem para ir doar sangue. Oque um trauma de infância não faz!

    Quando puder, visite (mas, sobretudo, indique para outras pessoas) meu blog:

    http://www.ohomemcomendomacarrao.blogspot.com

    Saravá!

  2. ”A cabeça do Tim Maia me perseguiu durante muitos pesadelos da minha vidinha.” Li isso no grimm pela primeira vez, e depois esqueci do site, esqueci de HP, mas não esqueci desse medo bizarro UsHsAsUSHasuha.

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