O idiota coletivo nas redes sociais – Animais, religião, auto-afirmação e preconceito.

Eu tenho uma teoria, a teoria que as redes sociais são um reflexo do que o povo pensa.

As pessoas nem sempre se dão conta, mas sempre tem um posicionamento sobre as coisas, e acredite, por mais que você diga aos quatro ventos “eu não tomo partido”, não tomar partido é tomar partido.

 

Por quê?

Porque se você não está se posicionando contra algo é automaticamente a favor. Não adianta dizer que não é, pois se não tomou partido é pela razão da situação estar no mínimo confortável pra você. Se você é contra é óbvio que irá ter uma postura do contra, quem é contra algo jamais permanece imparcial. Imparcialidade social não existe.

 

Eu adoro observar o povo no facebook, por isso adiciono geralmente as mais distintas pessoas, desde as que têm tudo em comum comigo (que gostam de abraçar causas) até as pessoas que passam o dia compartilhando imagens hilariantes.

 

O problema dessas imagens tá pela falta de análise crítica do povo assim como até pode se estender a falta de ética e de noção mesmo.

Imagens ofensivas, imagens machistas, imagens homofóbicas. E o pior é que se você compartilha algo do tipo não é simplesmente pelo fato de ser engraçado, é porque você concorda com isso. Não adianta dizer que não.

É como aquela pessoa que vai toda semana no funk e fala que só vai pra curtir. Meu filho, ninguém vai pra curtir uma porcaria toda semana, vai porque gosta MESMO e não adianta disfarçar.

 

Agora uma pequena sequência de problemas na minha opinião.

 

Animais destroçados, judiados, etc.

 

O pouco que leio sobre psicanálise (que abrange o universo do Carl Jung) não é razão para eu dizer com tanta propriedade. Mas posso dizer com um mínimo de embasamento que esse tipo de atitude surte um efeito oposto em quem vê a imagem.

 

Se você acredita que compartilhando imagens de animais destroçados vai criar uma comoção ou compaixão por parte das pessoas você está enganado.

Esse tipo de imagem acaba sendo repudiada, é óbvio que ninguém quer ver isso. E essa repudia acaba criando mesmo que inconsciente um desprezo pelo assunto. É mais simples do que você imagina. A primeira questão é, quando você é criança que geralmente esse universo dos animais é apresentado.

 

Ninguém te apresentou um gato morto pra você gostar de gatos, apresentaram pra você um gato fofinho, bonitinho, todos esses “inhos” muito provavelmente. E por essa razão você se apegou ao bicho.

Portanto ninguém vai abraçar uma causa animal de ver uma foto de um bicho destroçado. Surte mais efeito você por a foto de um animal “inteiro”, bonito e com uma mensagem mais direta do tipo:

“Estamos em pleno século XXI, não somos mais trogloditas a ponto de não respeitar a vida animal.” Ou algo do tipo, na minha opinião surte mais efeito do que por os bichos destroçados, eu sinceramente NEM LEIO quando vejo essas imagens o que está escrito.

O mesmo vale para as pessoas, quando você posta a foto de uma criança espancada. Fora quando as pessoas são mais ridículas ainda acreditando que por compartilhamento será doado “10 centavos”.

 

 

O humor disfarçado de preconceito.

 

 

Humor escrachado, pobre, tosco, é o que o povo mais gosta. Eu também curto e muito humor, mas tem que tomar cuidado pra não confundir humor com verdade, piada com fatos.

 

Uma piada que requer um mínimo de raciocínio ou cultura talvez seja realmente algo que o povo detesta pois as pessoas tem uma mania muito peculiar de se sentirem desprezadas pelo simples fato de não entenderem.

 

Existem piadas sobre mulher, sobre povos, etc., que me dão nojo.

E está sendo assustador ver que as pessoas compartilham e acreditam mesmo, como, por exemplo, aquela coisa de “quer ser piriguete vai pra Índia, lá a vaca é sagrada”.

E a mesma pessoa que compartilha isso põe “minha vida não é novela para você acompanhar”. Só que dar pitaco na vida dos outros ela quer né, até mandar pra outro país.

 

Esse tipo de imagem de cultura machista é ridícula. Na maioria das vezes a falta de consciência nesse tipo de atitude é tão berrante que me dá realmente raiva pela falta de senso das pessoas.

 

Como aqueles manuais de como conquistar um homem, uma mulher, o que torna um homem ridículo, o que torna uma mulher ridícula.

Considero engraçado por que, esse povo que compartilha isso também compartilha que acham as diferenças as coisas mais lindas. Mas estão a favor de uma hegemonia cultural dos gostos, da mesquinharia. Do tipo “se você gosta disso você caí no meu conceito”.

Bem, essas pessoas nem conceito na minha concepção têm.

 

Ficam dando ibope pro preconceito alheio, e disfarçam chamando isso de opinião.

 

Por a cabeça pra pensar, é bom sabe, principalmente antes de compartilhar algo.

 

Religião

 

 

Esse tópico certamente é um dos mais complicados. Sua religião é algo pessoal, tornar ela pública só se for no culto da sua religião.

Você acredita em Deus, e quer provar pra todo mundo que acredita, bom ai já não se torna uma questão pessoal, se torna algo público.

 

Foi graças a essa ideia de religião ser algo público que tivemos aquela cultura religiosa na era medieval que desembocou em inquisições e afins.

 

Primeiro, não venha me dizer que você compartilha algo religioso porquê o facebook é seu. Põe a cabeça pra pensar, se você COMPARTILHA como diz o próprio nome, você está impondo uma visão sua para as demais pessoas, não tem nada de pessoal isso, é extremamente público.

 

Portanto você não está livre de críticas quanto a isso, e seu argumento de “a religião é minha” já é automaticamente quebrado por você ter compartilhado e forçado as demais pessoas a verem o que você escreveu.

Ou você aguenta a crítica, ou você saí da rede social ou exclui a pessoa, porque da mesma forma que você teve a liberdade de impor sua visão religiosa para 300 pessoas, essas 300 pessoas tem o direito de criticar seu posicionamento, pois uma rede social (como o próprio nome propõe) não gera um fato isolado.

Não aguenta criticarem sua religião e seu Deus? Simples, não manifeste sua religiosidade no facebook. Manifeste onde todos estão de acordo com suas ideologias.

 

Esse post não é no objetivo de direcionar as pessoas a fazerem o que eu faço até porque não disse que o meu comportamento é um “modelo a ser seguido”, mas para entrarem em reflexão sobre essas atitudes.

Sua rede social é um espelho virtual do que você é ou gostaria de ser. Então presta atenção com o que você mesmo está projetando por aí.

 

E hoje em dia, as redes sociais são uma das manifestações mais interessantes e intensas das pessoas. É nela que você vai achar uma pessoa lá do outro lado do mundo que curte as mesmas coisas que você.

E você está projetando uma imagem sua a todas as pessoas estão te cercando, te vendo ou sendo stalkers (fuçando no seu facebook\twitter\etc.).

 

Se você não quer estar propenso a esse tipo de invasão, não tome uma atitude invasiva, não crie um perfil virtual.

E quando, por exemplo, você ficar se auto-afirmando via facebook saiba que as pessoas vão interpretar isso de n formas. Eu por exemplo interpreto como pura falta de confiança em si, falta de interesse e falta de afeto quando vejo as pessoas se auto-afirmando via facebook.

 

Quando falo se auto afirmar não é simplesmente por uma foto sua ou algo do tipo, não é expor, mas sim ficar buscando elogios ou frases de senso comum incentivadoras.

 

Aliás, essas frases de senso comum se não estão acompanhadas de um erro de português grotesco do tipo “agente”, estão acompanhadas de um conhecimento limitado o suficiente para acreditar que todo mundo é feliz da mesma forma.

 

Quando você tem interesses é diferente. Você posta seus interesses, sua postura, sua música, sua ideia e não fica preocupado em compartilhamento em massa de ideias “fabricadas” pelos outros que você vai vestindo.

 

No fim, você veste só as ideias do outros e não cria suas próprias ideias e depois se pergunta por que está tendo uma crise de identidade.

 

E é quando a  frase de Descartes faz o verdadeiro sentido da coisa.

Penso, logo existo.

 

É bem por ai mesmo, se você não ter seus próprios pensamentos não vai existir na sociedade nunca. E nenhum livro idiota de auto-ajuda vai suprir uma vida inteira de inexistência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2 pensamentos sobre “O idiota coletivo nas redes sociais – Animais, religião, auto-afirmação e preconceito.

  1. Olá.Mesmo que não tenha sido seu objetivo, o do elogio: UAU! Adicionei como marcador…que texto brilhante…sabe, tenho umas dúvidas, aliás, uns apontamentos que se achar pertinente gostaria, se puder e tiver tempo, de sua opinião.Não tenho facebook, já tive, mas devido a alguns comportamentos no Face, excluí, porque fiquei saturada de “tanta gente boazinha”, de tanto comentário irrelevante, affff, ou então, eu que estou insuportável,mesmo…pois é…vez por outra sou hipócrita, outras ,nem tanto…Então, o que você acha de quem adiciona pelo simples fato da quantidade? Normal e eu que radicalizo muito…será? Será que ter um blog direcionando para o face tornaria minha “tarefa virtual, existencial” mais relevante…Felicidades Priscila.

    • Fiquei verdadeiramente feliz com seu comentário Priscilla! Obrigada 😀 e bom, quanto a isso, penso que hoje o virtual está surtindo um efeito devastador no real, as pessoas buscam novos contatos através do facebook sim, penso que isso pode ser positivo pela possibilidade criada nesse contato.

      Porém claro, não posso deixar de pensar sobre essa questão da popularidade, onde se é investida muita energia nessa tentativa de se sentir amado virtualmente, onde provavelmente lhe é tomado um belo tempo para tal feito, e é esquecido o vivenciar o concreto.

      Nada em excesso de fato é positivo, mas por um lado, nossas maiores virtudes são de antemão nossos maiores vícios hauhaua, não dá para ser totalmente equilibrado e ser interessante ao mesmo tempo.

      Penso que isso é uma grande perca de tempo buscar popularidade virtual, adiciono a quem me apetece, é isso.

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