O mito como essência (e problema)

Toda sociedade vê como a criação do mito uma forma de se explicar a própria sociedade.

 

Como por mais que o mito seja “mentiroso” na nossa concepção, imaginamos que o mito veio antes da civilização (quando na realidade é o contrário).

O que torna o mito mais verdadeiro do que se imagina, de mentira o mito não tem nada.

Portanto o mito sempre reflete como essas pessoas vivem e não o mito que faz a forma dessas pessoas viverem.

 

Um bom exemplo disso é o mito do éden, que além de ter criado uma cultura machista também trouxe outras consequências para a nossa cultura atual.

 

No mito do éden, Adão e Eva são expulsos do paraíso para ter que trabalhar para sobreviver. Disto, já tiramos a ideia que trabalho é sacrifício, trabalho é castigo, trabalho é punição.

 

Por isso estudar os mitos das sociedades não é simplesmente entender as crendices dessas pessoas mas ver o que elas mesmas enxergam na sua própria vivência.

 

Como gosto de citar sempre, a sociedade grega é um ótimo exemplo disso. Os gregos se colocavam no mesmo nível dos deuses e não tinham medo de os desafiar, assim como os gregos também associavam os deuses usufruindo de forças naturais, o que no fundo reflete na ideia que o homem um dia ia dominar a natureza.

 

E não dominamos? Pode ser que ainda não paramos um tsunami, mas usamos de uma eletricidade que chega por exemplo em um nível tão intenso que chega a ser como um raio (o raio para os gregos era a manifestação mais poderosa e assustadora desses poderes naturais).

 

Nossa inspiração é em nós, na realidade a arte imita a vida, assim como o mito imita as pessoas.

 

 

E a nossa vida gira em torno de pessoas. Você pode recriminar aquele amigo que só fala dos outros mas vivemos em prol de falar de outras pessoas e de feitos dessas pessoas. A humanidade se analisa, se critica, se venera, se despreza, o tempo todo.

 

Estamos constantemente sob influências, e por incrível que pareça nosso comportamento é sempre baseado em outros que nos espelhamos e juntamos todos esses “espelhos” e formamos nossa personalidade.

 

Portanto, não existe uma ação isolada, a sua ação reflete diretamente ou indiretamente de forma grandiosa numa quantidade de pessoas ao longo da sua vida que é impossível de calcular.

 

O mito sempre veio como explicação de algo que ninguém compreende mas sente uma necessidade em explicar.

É como tentar entender o que não tem fórmula para ser entendido.

 

O mito pode ser aquele colega seu que não tem explicação de agir da forma que age e todo mundo se sente no direito de dizer algo sobre ele e a razão, e criar histórias mirabolantes, esteriótipos, rótulos, fantasiar, criar mitos e acreditar que é verdade!

 

O mito sempre será aquilo que nos fascina mesmo que de início seja desaprovado, rejeitado, odiável, quanto mais odiável mais no fundo é a nossa fascinação.

 

 

Para mim, que faço história, essa visão de mito (mesmo que eu tenha ainda sim tirado um pouco os pés do chão aqui) é clara, sabemos que precisamos saber do mito daquela civilização, povo, aldeia, etc., para entender diretamente o que eles pensavam sobre o mundo e sobre as coisas.

 

Para nós é muito clara essa ideia de que não é velho que modifica o novo mas sim o novo que modifica o velho.

Isso altera muito a visão das coisas, e tira essa ideia do que é conservador é impossível de modificar.

 

Afinal, a nossa história é sempre contemporânea pois vemos com os olhos de agora os fatos anteriores.

Aí está a grande dificuldade. Como compreender algo tão distante do que vivemos? Muito simples, abra a sua mente, pois esse fato “velho” é o novo pra sua mente, e não vai adiantar em pleno séc. XXI você manter a sua mente fechada.

 

 

 

E fica a pergunta que eu me faço todos dias, qual é o meu mito? E o seu? O que te cativa e te explica tantas coisas que não tem explicação?

 

 

 

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2 pensamentos sobre “O mito como essência (e problema)

  1. “Abrir a mente” não é algo fácil. É algo que requer esforço e muito prática porque somos criados com padrões de pensamento, comportamento, cultura e sempre ensinados conforme esses mitos. Mas eu creio que o homem contemporâneo, a sociedade de hoje em dia está começando a dar alguns passos bem importantes em direção à liberdade psicológica e emocional, que seria algo como ser alguém que não seja regido por medos ou por regras incontestáveis. Tudo é condicional, e o povo, a “massa” (e não apenas os de alto escalão) estão processando isso de forma muito mais intensa. Acho que as coisas podem melhorar – ou não, mas eu sei que minha visão da sociedade melhorou. Será que é o que chamam de “era de Aquário”? hahaha Não sei. Mas eu realmente acredito que as coisas estão se encaminhando de forma que tudo poderá ser um pouco mais aberto, mais livre, mais contestável.

    • As teorias que eu li de era de aquário seria aquela era que Jesus e Deus iam deixar os homens “por si só”. No meu ver é um estágio máximo de evolução da humanidade a ponto de não se apoiar em divindades e caminhar com a humanidade usando a razão. ahuahuahuahua mas é muito interessante essa ideia de mito, eu adoro. Esse acabou se tornando um dos meus posts favoritos.

      Sim é difícil inclinar a visão para algo tão distante mas a ideia do post é esse, a distância ta mais na sua cabeça e é mais superficial do que vc imagina.

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