Aquele sobre moralismo, aborto, estupro, sociedade.

Faz tempo que quero fazer um post sobre isso. Eu só quero avisar que esse post vai tratar de temas polêmicos sem falso moralismo.

Bom, sintam-se avisados.

Há algum tempo uma das minhas atividades favoritas é estudar a religiosidade das épocas, e também a moral religiosa que essas supostas religiosidades trazem.

É engraçado que no paganismo não existia uma certa moral, a visão por exemplo dos gregos quanto aos deuses podia ser até de veneração, mas não haviam cultos em templos a serem “cumpridos”, marcados. E os próprios gregos se colocavam na mesma posição dos deuses, e bom, os próprios deuses era humanos e não perfeitos.

Se você parar pra pensar, é bem absurdo mesmo você ter “hora marcada, e lugares certos” para falar com divindades.

As pessoas se comunicam com os deuses de forma atípicas, seja por sacrifícios, por manter uma chama acesa em suas casas. Jamais impondo suas crenças acima dos outros. Pelo menos não na mesma sociedade.

Então os Astecas que foram ridicularizados como “selvagens” pela história com visão eurocêntrica.

Eles eram tão “selvagens” que dominavam os outros povos através da eficiência da sua política. Faziam auto gestão, dominavam através da troca e a não eram de impor uma religião sob os demais povos, muito menos uma cultura. Tanto que o império asteca é enorme principalmente na sua pluralidade linguística e religiosa.

Por que esses povos se deixavam dominar? Simples, os Astecas faziam uma política de troca tão eficiente que se uma região fosse atingida por uma catástrofe natural, as demais forneciam comida, roupa, tudo que podia e naturalmente aquela tribo, aldeia, etc, não sentiria o impacto da catástrofe.

Havia um tributo a ser pago e uma redistribuição desse tributo consciente do povo. No Brasil o povo é tão leigo sobre o imposto que acha que o “governo banca” o preso, e não o cidadão que pago a vida toda pra poder ter direito pelo menos de ser preso.

E eles “selvagens” faziam algo com tanta eficiência que hoje em pleno século XXI somos incapazes de tanta eficiência.

Deu pra entender a diferença entre hegemonia cultural e inteligência em dominação?

A Hegemonia cultural é isso, é uma força militar que simplesmente mata tudo que é diferente da cultura de um povo e impõe uma cultura. Exatamente como os europeus fizeram aqui na América.

E é incrível que o Brasil com uma pluralidade cultural tão gigantesca ainda tenha tantos idiotas com hegemonia idealista. Que acreditam que todo mundo deve seguir um padrão em um país onde isso é no mínimo, impossível.

Estou citando isso para verem a diferenciação de pensamentos. O Brasil como todos sabem é um país enraizado no catolicismo, catolicismo esse que foi “pego” por nós na pior época dele. Essa religião tem um moralismo muito forte, mas muito forte mesmo.

Esse moralismo como também se sabe é no mínimo machista.

Até onde me lembro, Jesus não foi um profeta que pregou a padronização das atitudes. Ele foi daquela forma dele por livre e espontânea vontade, o que causou o verdadeiro impacto nas pessoas da época foi exatamente isso.

Então não dá pra confundir Jesus, ou até mesmo o Deus que ele cita com o que as religiões dizem. Como disse Nietszche, Deus morre na sociedade a partir do momento em que os homens usam esse Deus para se sobrepor aos outros.

Portanto, isso também quebra muitas outras teorias no meu ver, de espiritismo mesmo por exemplo, que diz que existem pessoas mais evoluídas que outras e tudo mais.

Ainda que o espiritismo e o budismo sejam considerados meios pacíficos de religiosidade, ou seja, os estragos são poucos.

Por que estou falando tudo isso?

Muito simples. Essa moralidade enraizada na nossa alma brasileira faz nós querendo ou não repudiar certos comportamentos.

O problema da religião é justamente esse que a gente herdou da Europa, esse catolicismo tão medieval que fez de tudo para criar um comportamento padrão, e as religiões no Brasil em geral são fixadas por essa ideia de comportamento padrão, o que tira toda a espiritualidade do ser.

A partir do momento que as pessoas saem desse comportamento padrão, psicologicamente funciona como uma ofensa, das mais graves.

O Brasil tem esse comportamento que faz de tudo para que o conservadorismo se prolongue, tanto que fomos um dos últimos a pedir independência, fomos um dos últimos a abolir a escravidão, etc.

O problema de moralidade religiosa é que ela sempre vai resolver os problemas superficialmente, assim como no caso do espancamento por exemplo de estupro.

Adianta prender, matar?

Adianta de verdade mudar a mentalidade das pessoas. Uma saia mais curta, um decote, andar em algum lugar pouco frequentado não é pretexto para ser violada, não é “pedir”.

E é incrível que essa falta de respeito com as mulheres no Brasil se prolonga de uma forma assustadora.

Sabemos também que o estupro ta muitas vezes ligado a moralidade do idiota que o faz. Não é simplesmente chapar e ir pra cima da primeira vagina que ele vê por ai, mas sim a primeira vagina que tá libertada da ideia de ser uma mulher “modelo perfeito do machismo”, ou seja, ser uma mulher com liberdade sexual pelo menos já é bem ofensivo no Brasil a ponto de chegar em violência.

Sabemos também que as mulheres quando lidam com outras mulheres que violam sua moralidade elas vão no máximo tratar com desprezo ou partir pra uma ofensa moral no máximo. Mas quando é de um homem para uma mulher ele se sente no direito de violência física.

Por isso quando alguém espanca uma prostituta, isso é visto com normalidade pelas pessoas.

As pessoas gostam, acham bonito, acham divertido. A última coisa que as pessoas veem é a agressão, até porque, a prostituta “agrediu” antes a todos com seu comportamento não é mesmo?

Na Grécia antiga prostituição também era considerado algo ruim, mas no quesito da pessoas procurar o sexo de uma forma não muito nobre.

Não tinha absolutamente nada haver com os deuses, por isso o máximo de punição que essas pessoas sofriam era o desprezo da sociedade. Sem agressões, sem violência.

Isso em tempos “a.C.”, e tivemos um retrocesso na mentalidade sobre esse tipo de situação.

Esse machismo moral que a religião pregou por anos por fim chega no aborto.

É novamente outra situação que ofende muito mais a moralidade das pessoas do que qualquer outra coisa.

A razão de eu falar que isso é um machismo religioso é porque, a sociedade vê a mulher como incapaz de decidir por si própria, como se ela não fosse capaz de cuidar dessa situação e fosse fazer burradas.

Por isso, o Estado “deve” mandar no útero dela, todo mundo decide pela mulher, menos a própria.

Honestamente, eu não faria aborto, mas isso não me põe acima de todas as mulheres. Eu não faria, e se uma mulher que eu conheço fizesse a última coisa que eu faria é pregar um falso moralismo pra cima dela. É decisão dela, quem vai sofrer ou não com isso é ela.

Essa liberdade não existir é uma insulta as mulheres. O aborto não inexiste com a sua proibição. Muito pelo contrário.

Quem abortaria com a liberação muito provavelmente já abortou, ou vai abortar de qualquer forma.

E a nossa ignorância chega em um nível tão patético que as pessoas aceitam uma pílula do dia seguinte mas não aceitam um aborto.

Tá, você não aceita? Então deixa isso bem claro pro seu namoradinho, ou pra sua namorada, não vá impor sua moralidade religiosa por cima de todas as mulheres, elas tem o direito de decidir por elas.

Infelizmente, mesmo tendo uma religiosidade sou obrigada a admitir, Nietszche estava certo quando afirmou isso:

“A religião é a decadência da sociedade”.

O Brasil ainda precisa saber separar ciência de religião, Estado de religião, e individualismo de falsa liberdade.

Que liberdade? Essa suposta liberdade imposta igualmente para pessoas diferentes?

Temos que ter nosso espaço para nosso individualismo ou seremos para sempre meras máquinas de reprodução do que é padrão, nunca teremos uma identidade, muito menos identidade nacional.

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