Os contos sangrentos e sexuais de “fadas” – Parte II

Lembrando que não é bem uma suposição minha, e sim as primeiras versões das histórias de cada conto de fada que com o passar do tempo foram sendo adocicados. Esse passar do tempo tem total relação com a noção de infância.

João e Maria

 

 

A história de João e Maria é bem pior do que se imagina. Na realidade a pobreza da família faz a mãe deles tentar se livrar do dois por não ter condições de os criar. O pai aparentemente não aceita a ideia, mas concorda que a casa com menos bocas pra alimentar seria melhor.

João e Maria escutam a discussão dos pais e por isso espalham as migalhas de pão (em algumas versões pedras) para não se perderem do caminho da casa enquanto os pais deles tentam dar um perdido nos dois.

Os pássaros comem as migalhas e eles ficam perdidos, acham a casa da bruxa (o que não modifica muito nesse caso), aproveitam a situação e quando percebem que a bruxa quer jantar os dois a tacam em um caldeirão.

Só que ao invés de simplesmente irem embora, eles saqueiam a casa antes hahahaha.

A Pequena Sereia

 

Interessante dessa história é como tudo é tão diferente na versão original da que ouvimos/vemos/lemos e com certeza bem mais trágica.

A pequena sereia tem sua língua cortada pela bruxa do mar em uma discussão, nessa mesma discussão, sua cauda é rasgada pelo mesmo feitiço que cortou a língua, é o que origina duas pernas “quase humanas” para ela.

Porém quando a pequena sereia anda, essas pernas sangram muito e doem intensamente, o esforço dela é apenas para conquistar o príncipe, porém, o príncipe de bonzinho não tem nada, ele traí a pequena sereia.

Em uma tentativa desesperada de suas irmãs tirarem toda a dor que a pequena sereia sentia, elas arrancam os cabelos e dão para a bruxa do mar para ela quebrar o feitiço, porém a bruxa do mar em troca das madeixas das irmãs dá uma faca para Ariel se vingar do príncipe safadão.

Porém Ariel tem um fim bem mais trágico, ao que diz a história, ela se joga em abismo por ser sentir traída e enganada.

Branca de Neve

Ao invés de ser a madrasta malvada, é a própria mãe da branca de neve que se revolta contra ela (com a mesma história do espelho).

A mãe e rainha que manda um caçador procurar pela própria filha, mata-la para comê-la depois (canibalismo brilha muito nas histórias, de uma forma bem macabra). Porém como é contado também o caçador mata um animal (nesse caso um javali) e oferece de banquete para a mãe canibal que come o bicho acreditando ser a própria filha.

 

Após a branca de neve casar, o príncipe condena a sogra fazendo ela dançar em sapatos de ferro em brasa até a morte.

Aparentemente, os 7 anões e mais outras características da história foram acrescentados depois.

 

 

Uma observação que eu gostaria de fazer é como na mitologia grega demonstra, essas histórias contadas que acabaram se tornando contos de fadas demonstravam muito a dualidade da relação familiar.

É de onde Freud (no caso, na mitologia) tirou conclusões do tipo como o filho inveja o posto do pai e a filha, o posto da mãe. Pois existe essa ameaça mesmo no ambiente familiar entre os valores serem trocados. Pelo visto antigamente era um pouco pior que hoje em dia.

É um tanto chocante ler teorias como “o filho inveja o posto do pai e deseja sexualmente a própria mãe” mas vemos MUITO isso em histórias antigas, inclusive muitas com incesto, morte dos pais pelos filhos e vice versa.

Vale apena observar que não é mero fruto da imaginação das pessoas mas um reflexo até que psicológico da sociedade e seus maiores medos e traumas.

 

Fica bem claro que as pessoas na Europa tinham uma aversão ao canibalismo muito grande, um medo muito grande por sinal, pois quase todos os vilões curte um canibalismo.

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2 pensamentos sobre “Os contos sangrentos e sexuais de “fadas” – Parte II

  1. Ola tudo bem?
    Gostaria de saber onde encontro o livro da pequena sereia com essa versão da calda cortada ,pois gostaria muito de ler esse livro.

    • Janne, estudei isso na faculdade mesmo pois faço História, posso procurar alguma referência para você caso deseje…

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