Os contos sexuais e sangrentos de “fadas” – Parte I

Sempre fui curiosa quanto a verdadeira versão dos contos de fadas. Conforme fui estudando em algumas aulas isso foi debatido, principalmente pela questão do conceito de infância.

Quanto mais as pessoas foram ficando cientes que as crianças não eram pequenos adultos e sim crianças, e esse conceito foi crescendo, mais foram amenizando os contos de fadas, colocando todo açúcar que podiam.

Mas esse post é pra mostrar o lado sombrio deles, coletei muitas informações em sites, revistas e também nas aulas e livros.

Começarei pelo meu favorito.

Alice no País das Maravilhas

Muito além do que pode-se imaginar, Alice abre várias vertentes de interpretação, porém uma coisa há em comum entre todas elas: Alice no país das maravilhas certamente é uma metáfora. 

Segundo o que dizem, Alice era uma menininha, ela realmente existia e o escritor Lewis Carroll contou a história para ela e Alice o fez escrever toda a história.

Lewis Carroll por sinal era anarquista  e detestava já logo de cara o capitalismo que a sociedade inglesa começou a viver, portanto o coelho que está sempre atrasado é uma alusão a sociedade inglesa da época, a neurose do povo com isso e curiosamente é esse coelho que mete a Alice no mundo alternativo.

É por isso que toda a loucura que o coelho demonstra na visão dele parece ser tão normal (como era o capitalismo na visão do autor para as pessoas).

A Lagartona que dá conselhos falando de forma lenta e  até confusa é o que óbviamente aparenta ser, segundo algumas teorias, nas primeiras versões ela aparece com um narquilé gigante, nem preciso dizer que era maconha né?

Naquela época maconha era considerada ainda uma erva medicinal, portanto não era tão chocante quanto hoje.

 O sorriso estático e sinistro do Gato era uma alusão as enxaquecas frequentes que o autor tinha, e o chapeleiro maluco era de fato algo muito comum na sociedade inglesa, pois pela exposição constante a elementos como mercúrio na fabricação dos chapéus, os chapeleiros ingleses alucinavam e tinha tremores nos olhos e nos membros, enlouqueciam de fato.

Alguns dizem que o Lewis Carroll era apaixonado pela pequena Alice, por isso que no conto ela cresce e diminui de tamanho.

Pequena remete a pequena Alice, a criança. E grande segundo algumas teorias, remete a mulher que ele via em Alice, o desejo que ele sentia por ela.

Dizem que Alice tinha 10 anos, precisamos lembrar que nessa época as meninas casavam com 12 anos gente, não é tão absurdo o autor ter se apaixonado quanto parece.

Chapeúzinho Vermelho

Chapeúzinho vermelho é tenebrosa na versão orginal, primeiro porque o lobo mau simplesmente mata a vovózinha, COZINHA ela e põe de BANQUETE pra chapeúzinho que come a própria avó e diz ainda que está delicioso(!!)

Depois de comer a própria avó, ela é forçada a tirar a roupa para o lobo mau, ele a faz jogar a roupa no fogo.

Quando ela fica completamente nua eles deitam na cama, é quando ela lança as falas clássicas de “nossa vovó como sua boca é grande” e por ai vai.

Existem três versões para o final: Uma é a que ela insiste para fazer as necessidades fora da casa do lobo mau e ele nojento pede pra ela fazer na cama mesmo (fetiche? hahaha), mas por fim ela consegue sair e foge.

O segundo, criado por Carles Perrault é que o lobo acaba não se deixando seduzir pela chapeúzinho e janta a menina. Com aquele velho ditado de “não fale com estranhos” nas entrelinhas.

O terceiro é o que a gente sabe, que entra o lenhador no meio e mata o lobo e tira a vovôzinha da barriga do lobo mau.

Bela Adormecida

Nunca parou pra pensar na razão verdadeira do nome desse conto? A história inicialmente é como sabemos, a Bela é pega por uma farpa envenenada que a faz adormecer.

A bela era tão bela que um rei em uma das suas jornadas a encontra e sente uma atração sexual muito descontrolada pela pseudo-morta/desacordada a ponto de transar com ela assim mesmo. Podem esquecer essa história de despertar pelo beijo, era tudo bem direto ao assunto, ainda mais para um rei que estava anos a fio em uma jornada, uma mulher adormecida e muito bela na cama? Prato cheio! (BBB feelings)

Após violentar a coitada ainda ela ainda engravida de gêmeos, esses gêmeos nascem e um chupa por acidente o dedo que tinha o veneno e ela desperta.

O rei que havia se apaixonado por bela começa a estender suas jornadas para dar conta da vida dupla (marido no reino e amante de Bela).

Existem algumas versões para o final:

O primeiro é a que rainha ao descobrir sobre a Bela descobre e manda cozinhar todo mundo (deu pra perceber o pavor do povo pelo canibalismo?)

O segundo é parecido com o primeiro, só que a rainha má manda ela cozinhar os filhos da Bela para servir no banquete para a mãe Bela comer os próprios filhos(!)

Porém o criado fica comovido e cozinha um carneiro e finge ter cumprido a missão.

O terceiro é que o caldeirão que supostamente a família toda ia cair era um caldeirão cheio de cobras, sapos, enguiar e víboras, só que de último instante o rei aparece a rainha malvadona se joga no caldeirão de susto e morre.

Pelo o que parece, o quarto ao invés de ser a rainha a malvadona é a sogra (mãe do rei) que tem uma estranha fome por crianças, só que o rei não conta nada sobre seus netos.

Continuem acompanhando o blog que nos próximos posts terão mais versões sobre os contos (tenebrosos) de fadas.

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7 pensamentos sobre “Os contos sexuais e sangrentos de “fadas” – Parte I

  1. Eu tenho horror a contos de fadas desde pequena. Há alguns anos parei e fui pesquisar a respeito deles pra saber se era só eu que via algo de estranho nas entrelinhas daqueles contos. Aí eu achei basicamente isso que você escreveu acima. As pessoas não tinham mais o que fazer e faziam alusões (nem sempre tão alusivas assim) de seus desejos tenebrosos e sexuais em contos para crianças(?). Eita povo cheio de fetiche esse, hein?
    (o “BBB feelings” foi ótimo! hahaha)

  2. Quando criança, li muitos contos de fadas e os adorava. Nunca me interessei em saber se havia algo por trás das inocentes histórias, e acho um tanto viagem.. A única que me pareceu sóbria foi a história por trás de Alice. Vejamos as próximas..

    • Na realidade não é bem um por trás do que está na história, é a história de fato na sua primeira versão ahuahuahuha ai foram adocicando elas 😀

  3. Para esclarecer, os contos de fadas não foram criados para crianças. São de muitos e muito anos atrás, da tradição oral, e serviam para dar uma moral meio nebulosa pras pessoas, como o da Chapeuzinho Vermelho, que na verdade avisava que as moças não deveriam conversar com qualquer um e muito menos se deitar com qualquer um.
    Depois da invenção da infância, esses contos foram adaptados pra literatura infantil, recontados e reinventados, e um dos grandes adaptadores foi Charles Perrault, que criou a fada madrinha pra Cinderella, por exemplo. Os contos adaptados incluíram finais mais felizes, cenas menos sangrentas e crueis, eliminaram as torturas (como os olhos comidos por corvos da Cinderela) e deixaram tudo mais bonitinho e aceitável pras crianças.
    Sou professora de Literatura.

    • Luiza, muito obrigada pelo seu comentário 😀 e realmente é isso mesmo. Embora você tenha falado de uma forma mais enriquecedora. Mas de fato os contos de fadas eram uma tradição oral mesmo e não existia esse conceito de ‘por mágica’ na infância e sim das lições a serem seguidas, a ‘pedagogia do medo’ que vigorou (e ainda vigora de certa forma).

      O objetivo desse post realmente não foi refletir por conta das histórias e supor algo mas mostrar de fato o que era contado na época, as primeiras histórias. Isso que é o interessante, e ai por consequência refletimos uma coisa que parece ser comum hoje em dia mas nem sempre foi: infância.

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