A burocracia e o falso trabalho coletivo

Em todos os lugares em que eu me vi como trabalhadora, ou que eu preciso da força de trabalho tem tido conflitos, e de fato acredito que todo ambiente de trabalho coletivo gera conflito pela simples razão de atualmente nós estarmos muito centrados no nosso individualismo.

Como dizem, “cada um por si e Deus por todos” ou “antes vocês do que eu“.

Engraçado como as religiões pregam que somos todos irmãos mas estamos longe de pensar isso, mesmo os irmãos, se são comparados constantemente cria-se um relacionamento de competição e hostilidade entre um e outro.

E pior que é assim mesmo, não adianta esse falso moralismo de trabalho coletivo, é muito raro ter uma sincronia entre um grupo, e se essa sincronia existe, uma hora ela deixa de existir, pois estamos muito ocupados com nossos desejos para pensarmos coletivo, que é muito difícil.

Pensar coletivo é praticamente abrir mão de tudo que você deseja individualmente, eu sinceramente não sei se consigo. 

O problema quase sempre é a burocracia, pois é a máquina que não deve parar, o seu chefe não precisa estar no estabelecimento para ele funcionar, todo mundo sabe muito bem a sua função, e se você folgar, todo mundo se ferra pois um ato é consequência do outro, por isso a gente tá nesse ninho de rato no quesito caráter quando se trata de trabalho conjunto, comunitário ou coletivo.

Você automaticamente vai cobrar seu colega muito mais do que seu próprio chefe vai cobrar ele, pois vai sobrar pra você (e pros outros) caso ele resolver descansar.

Isso que torna o trabalho coletivo hoje em dia tão falso quanto a ideia de comunidade, ninguém tá nem ai pro trabalho coletivo, o que o povo não quer saber é de ficar com trabalho a mais, pensando na loucura da coisa, quanto mais coletivo o trabalho, mais individualista é o pensamento.

É como você estar junto e ao mesmo tempo não estar.

E toda essa burocracia que é uma falsa liberdade, do tipo “temos liberdade e flexibilidade no trabalho, nosso chefe não nos cobra tanto”, mas automaticamente seus colegas de trabalho vão se sentir no direito de cobrar, é eles ou você, e é óbvio que como eu disse anteriormente, as pessoas pensam dessa forma, admitindo ou não, “antes você do que eu”.

Então rola aquela satisfação mesquinha alheia quando uma pessoa está se dando mal, como se ela merecesse aquilo, aquele sermão, aquela bronca do chefe, quando na realidade se formos olhar bem esse sistema de burocracia, todos nós estamos propensos a uma hora ou outra, sermos a vítima, sermos quem merece a bronca.

Afinal somos de carne e osso, temos vulnerabilidade, nem todos os dias estamos tão produtivos quanto deveríamos, e não existe compreensão das pessoas a volta (até porque ninguém vai ser compreensível com eles também), parece que nos tornamos literalmente máquinas de trabalho mesmo com todos os direitos trabalhistas conquistados.

Ninguém vai ver o ser humano como ser humano, vai ver como produção, e caso você não produzir existem milhões de pessoas que fariam isso no seu lugar, até melhor! É lógico que ninguém vai ficar implorando por você, mas é lógico também que tratando mal o resultado é sempre ruim. Algumas empresas caíram em si nisso e resolveram dar tratamento privilegiados para seus funcionários, é uma forma de explorar mais, mas pelo menos é um explorar menos irritante e mais inteligente.

Se sua empresa paga um plano de saúde pra você, pode ter certeza que não é preocupado com você mas sim que você não pare de produzir, que não fique doente.

Lógico que vamos cair em depressão, se a única coisa que serve na nossa vida é o que produzimos, e milhões de pessoas fariam isso no nosso lugar, pra que serve a nossa vida então?

Sempre tem alguém que faria a mesma coisa e por um preço mais barato, seja no quesito material ou moral.

E a máquina da burocracia continua girando. E todos são substituíveis.

Estamos carentes de criatividade, sabemos que o “estouro” da Apple não foi por acaso, por mais que seja apenas tecnologia, é tecnologia conceito, e isso faz toda a diferença.

Não é simplesmente pr0duzir, é saber o que produzir e precisamos de espaço pra isso, não adianta ser espremido achando que sairá uma gota de criatividade, vão apenas sair gotas de suor.

Por isso somos uma sociedade carente do que compõe basicamente uma boa sociedade, cultura.

Temos cultura demais até, mas industrializamos ela, usamos apenas para vender mais, empobrecendo até o espírito mais rico da nossa cultura, tornando revolucionários meras estampas de grifes.

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16 pensamentos sobre “A burocracia e o falso trabalho coletivo

  1. Concordo em partes. Mas, ao menos, como historiadora, uma pessoa que possui um vasto conhecimento, possuidora dos fatos, deveria ler (mesmo não sendo sua área) algo relacionado ao trabalho coletivo, que logo lembra Administração. Você foi muito superficial em alguns aspectos. Peter Drucker, Philip Kotler, Sam Walton, são alguns para você reforçar o seu conhecimento.

    • eu não deixei de pensar no coletivo ideal, apenas apontei os fatos que estão na nossa realidade atual, eu não vejo como algo correto, apenas estou sendo realista. O coletivo é apenas burocrático.

      • também lembrando que, quanto mais você estuda, menos você julga as outras profissões, chamar os administradores de mesquinhos não é bem algo inteligente. A ideia do post não era fazer um post cheio de ‘flores’ no quesito trabalho coletivo mas apontar pra realidade atual

  2. Você diz

    “Ninguém vai ver o ser humano como ser humano, vai ver como produção, e caso você não produzir existem milhões de pessoas que fariam isso no seu lugar, até melhor! É lógico que ninguém vai ficar implorando por você, mas é lógico também que tratando mal o resultado é sempre ruim. Algumas empresas caíram em si nisso e resolveram dar tratamento privilegiados para seus funcionários, é uma forma de explorar mais, mas pelo menos é um explorar menos irritante e mais inteligente.”

    Opa, anti-capitalismo puro.

    Mas enfim, trabalhar coletivamente, não é abrir mão de tudo o que você deseja individualmente, é mais do que possível, conquistar ou saciar algo individual trabalhando no coletivo, basta haver sinergia. A questão não é saber se consegue ou não, a questão é se você tem capacidade, não é pior coisa todo mundo atuar coletivamente, duas, três, cinquenta mil cabeças pensam melhor do que uma. Entendi o que você quis dizer, mas, você está está apenas atestando um fato que ocorre no Brasil? Posso lhe garantir que a realidade está mudando, trabalhar coletivamente é o que está por vir, há a questão da exploração, sim oras, nós somos os geradores de nosso sustento, para isso exige-se trabalho.

    Na minha opinião o coletivo não é apenas burocrático, e sim algo capaz de gerar criatividade, inovação, se é que me entende.

    • eu não entendi suas críticas, primeiro pq eu não falei nada em tom histórico e tu já veio me criticar como historiadora, que mania de status, de esteriótipo, primeiro que sou um ser humano como qualquer outro e tenho teorias mesmo, como qualquer ser humano pode ter.
      E você pela sua mania de criticar primeiro o fato de eu ser historiadora anti capitalista e depois que não sou fã dos seus autores favoritos me passou o traço de quem é, sei muito bem quem é você “Jonnhy”.

      Nada que seja a favor de um sistema que beneficia uma minoria me satisfaz. Contente-se.

    • se sentiu ameaçado? hahaha corre pras montanhas então, só avisei que você é muito mais identificável do que imagina

    • não tiro essa possibilidade, embora não conheço ninguém com esses autores como favoritos além de uma pessoa.

  3. Não são meus favoritos, citei os mais básicos. Se for uma pessoa que te conheça pessoalmente, enganou-se

  4. ela quis dizer que o trabalho coletivo HOJE nada mais é do que um discurso de alienação para as pessoas se acharem partes de uma “família” e darem maior lucro pra essa “família”, cuja qual, conhecemos como empresa, fabrica, instituição e etc.
    Na verdade, o verdadeiro trabalho coletivo seria, coletivo em TUDO. TODOS COM O MESMO SALÁRIO, e todos opinando em como investir o restante da tal da mais-valia. Melhorar nosso produto? Melhorar nossa maquinas? Contratar mais gente? Aumentar os nossos salários? A decisão sobre os rumos sendo coletiva, no MINIMO, todos teriam o essencial!

  5. Pingback: O anarco-individualismo « I try but you see, it's hard to explain

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