Dia internacional da mulher que não é mais invisível

No dia 8 de março comemoramos o dia internacional da mulher, que na realidade era o dia da mulher socialista, que se transformou no dia de todas as mulheres, quando na realidade todo o ocorrido (da fábrica que pegou fogo e bla bla bla) aconteceu em 1910 e não como dizem em 1857.

Aliás na fábrica em si não morreram só mulheres, mas o número de mulheres que morreram no incêndio foi berrante, bem maior do que o de homens, por isso se tornou uma cicatriz na história das mulheres.

Pensamentos como o de a mulher fazer exatamente a mesma função que o homem e ganhar menos foram questionados, afinal nas fábricas a função era a mesma, o esforço e o trabalho também, e temos que lembrar que as percursoras do movimento feminista na realidade foram as russas.

Finalmente alguém bateu nessa tecla que passar o dia inteiro dentro de casa sendo a boa dona de casa é morrer condenada a não ter uma existência de fato, ninguém jamais ia saber que você existia.

Pode-se notar que o movimento feminino tem uma raiz socialista/comunista, essa ideia que toda a comunidade tem que se sentir parte da história e da construção do seu país, e não somente as grandes corporações, grandes matrizes da economia (e da religião) assim como as grande figuras públicas, e sim conscientizar que todo cidadão é parte da história, o mantra comunista.

Com essa mentalidade só que foi possível o movimento feminista, e o “dia internacional da mulher socialista” só foi generalizado para todas as mulheres quando na década de 60 a ideologia passou de socialista e comunista para liberalista, queremos votar, queremos ter o direito de sermos cidadãs ativas, queremos influenciar na política!

A mulher ao longo da história nem sempre foi invisível na sociedade, algumas pessoas acreditam fielmente que a mulher só passou a ter visibilidade na sociedade na era contemporânea, e é um erro pensar dessa forma.

Primeiro porque as comunidades mais primitivas veneravam a vagina (sei que isso é engraçado, mas é fato, assim como hoje a teoria de Freud do invejar o pênis também é válida), pois a mulher é o símbolo da fertilidade e da maternidade, e em tempos antigos as pessoas não sabiam que era do homem que saía o sêmen que “semeava” a maternidade.

Porém a mulher ainda sim era considerada o ser mais extremo e divino no mundo, todas as divindades eram divindades femininas, eram deusas, nada mais poderoso no mundo do o que gera vida.

Essa visão mais machista de que o mundo é do homens só surgiu de forma mais concreta quando passamos a ter um Deus só, um Deus masculino, e através disso foi feito todo aquele mantra que a mulher era ardilosa, a mulher que fez o primeiro pecado do mundo, a mulher que é mais vulnerável a forças diabólicas.

Porém, sabemos que a mulher era regente da ciência da medicina, era a mulher que detinha esse saber, chamavam elas de “curandeiras”, mas elas eram parteiras, sabiam curar as pessoas com chás com ervas medicinais e detinham todo esse conhecimento, só passou a ser uma área mais masculina por conta da Igreja que simplesmente começou a ver as curandeiras como feiticeiras (e ai nem preciso dizer que fizeram uma caça as bruxas e queimaram todas que encontravam).

Sabemos do mito de vênus, que Vênus (Afrodite)  é fruto do órgão sexual de Urano que foi castrado pelo seu filho Saturno (Chronus) jogado no mar, o que na teoria para os gregos (e romanos) demonstra bem essa natureza forte sexual das mulheres.

A teoria que a mulher tem uma sexualidade mais exposta, mais evidente, e se formos parar pra pensar é bem por ai, pois um homem bonito, muito bonito no caso ao lado de uma mulher muito bonita “some” diante dela, pois até as próprias mulheres (sendo hetero, bi, gay, enfim) vão admirar a beleza da outra mulher, ou pelo menos invejar ela.

Também no Brasil isso foi evidentemente reforçado por na época colonial ter muito mais homens do que mulheres, a Igreja realmente precisou se empenhar em castrar essas mulheres sexualmente pois as oportunidades dela cometer relações sexuais extra conjugais (o que era um pecado dos mais fortes na época) era bem mais alta.

Segundo Freud a questão das questões é a mãe na nossa vida, é a figura maternal que determina parte da nossa personalidade (incluindo os traumas), e as figuras femininas da sociedade sempre evidenciam essa questão maternal.

Ser mulher não é simplesmente por um salto e se fazer de idiota como aquele imbecil do Rodrigo Sant’anna (que faz a Valéria do Zorra Total, “ai como eu to bandida”) faz, pra mim aquilo é ser travesti, ser mulher não é gritar escandalosamente, não é fácil interpretar uma mulher, uma vez um ator falou que interpretar mulher não é o que a maioria diz ser, é ser delicada, forte, feminina, sem parecer uma bicha louca por ai.

Ser mulher em uma sociedade machista, onde você escutar aleatoriamente de um completo estranho um “gostosa!” e encarar como elogio, é no mínimo difícil, e mais difícil ainda é você usar uma roupa e as pessoas encararem como um convite.

Um decote não é um convite, uma saia curta também não é um convite, o problema é que muitas mulheres mesmo fazem essa ideologia permanecer, mas não vai ser deixando de usar a saia ou o decote, vai ser deixando de agir feito idiota acreditando que isso vai as valorizar.

O castramento da sexualidade feminina não foi pelo propósito de simplesmente acreditar que as mulheres eram inferiores, muito pelo contrário, foi pela mulher ter essa sexualidade “venusiana” mais evidente, desde sempre, foi pelo fato da mulher reger a família (e se você controlar todas as mulheres do mundo, você automaticamente vai controlar o mundo, pois são elas que educam).

E educam mesmo, em maior parte dos educadores em si são na sua grande maioria mulheres, nos centros acadêmicos a mulher também é maioria, a busca pelo c0nhecimento vem mais por parte das mulheres, e isso feito por uma pesquisa que não colocou simplesmente os números, mas comparou de forma justa e apontou, são as mulheres que buscam mais o conhecimento atualmente.

Essa saída da família nuclear para o existir e fazer parte da economia e política da sociedade foi extremamente determinante para por exemplo termos votado em uma mulher para a presidência. Para acreditarmos na capacidade dela.

Porém não podemos deixar de lembrar que uma das situações mais marginalizadas pela sociedade que é a prostituição é quase que por excelência uma profissão feminina, a exploração da sexualidade feminina também tem seu lado ruim, vender o sexo feminino como se fosse mercadoria.

A grande questão da luta feminina nunca foi para ser como o homem, e sim para existir na sociedade. 

E chegamos em um patamar tão bom, que hoje em dia a mulher também está se desprendendo do que na teoria dos machistas, é a única coisa digna de ser mulher, maternidade. Hoje em dia as mulheres se sentem parte da sociedade sem precisar ter filhos, e isso é um grande avanço na mentalidade do povo em geral, é claro que as gerações estão diminuindo, mas a questão não é a geração e sim que a mulher está se desprendendo de conceitos antigos e no mínimo atrasados, pois essa ideologia de maternidade que castrou também a mulher sexualmente com a ideia de que a mulher só deve manter relações quando a intenção é a maternidade.

Ainda que o machismo em minhas teorias cause mal para ambos os sexos, finalmente estamos tirando essa repulsa pelo próprio sexo, embora os comentários machistas imperem ainda, pelo menos já podemos pensar em masturbação feminina como algo bom e não como algo errado, impuro, nojento, como era pensado em tempos atrás.

Embora na vida privada, a masturbação feminina sempre foi comum, mas na moralidade e mentalidade das pessoas, era desaprovado, assim como a homossexualidade feminina sempre ocorreu, não podemos dizer com tanta propriedade sobre a sociedade da Grécia antiga ser tão machista se há índices como o da Ilha de Lesbos por exemplo, mesmo que tenha uma mentalidade machista, ainda sim havia um feminismo, mesmo que fosse a única exceção, o que eu acredito que não.

Finalmente, concluímos que o dia internacional da mulher embora tenha sido completamente comercializado, sempre foi para refletirmos o poder de influência da mulher na sociedade, a fraqueza, os pontos bons e ruins, pois é um símbolo de conquista e de reflexão para o que deve ser conquistado, não somente de ganhar bombons, flores e afins, ainda tem muita coisa a ser pensada.

 

No dia em que você parar de ler colunas ridículas de “como conquistar seu macho”, vai ser o momento em que a mulher finalmente vai se valorizar no mundo sem essa necessidade de ter uma figura masculina para se sentir parte da sociedade.

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4 pensamentos sobre “Dia internacional da mulher que não é mais invisível

  1. Você diz “Pode-se notar que o movimento feminino tem uma raiz socialista/comunista, essa ideia que toda a comunidade tem que se sentir parte da história e da construção do seu país, e não somente as grandes corporações, grandes matrizes da economia (e da religião) assim como as grande figuras públicas, e sim conscientizar que todo cidadão é parte da história, o mantra comunista.”

    Uma raiz socialista/comunista. Bom, não importaria muito na época o regime que o país estaria vivendo. O movimento tem uma raiz simplesmente humana. Socialismo/Comunismo, nada tem a ver com isso.

    Na próxima vez, seja imparcial, deixe o seu lado marxista falar menos e o seu eu verdadeiro fluir.

    • só estava atenta aos fatos, e o que vc acha que o movimento socialista e comunista tem haver? Com uma sociedade mais humanitária, eu só fui atenta aos fatos e não puxei pro meu lado, aliás o que vc entende por marxismo? Marxismo é olhar para a humanidade como cada ser humano como agente histórico, quer algo mais humano? Eu fui bem clara nas minhas ideias sem querer falar nada em especifico de socialismo até porque, mais adiante no texto vc pode notar que eu mudei o foco assim como o movimento posteriormente em 60 muda seu foco, não estava sendo fanática nem nada do tipo, leia com mais atenção.

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