Oriente/Ásia – eternamente a inspiração criativa dos europeus e ocidentais

Não sei se vocês sabem, mas se você gosta de comer de garfo, faca e colher, ou seja, com os talheres, agradeça aos chineses por isso, pois foram eles que criaram os talhares e o costume de não fazer aquela lambuzeira nas refeições.

 

Hoje nós olhamos para os orientais/asiáticos como pessoas que tentam ser como nós americanos, ou como os europeus, sendo que em boa parte fomos nós que copiamos eles, até o que nós consideramos por modo de produção asiático, aquele que prioriza a produção em “estoque”, ou seja, saímos um pouco dessa ideia de produzir só o que é necessário para o momento, produzimos na intenção de trocar, vender, guardar.

 

E até na nossa infância os famosos Power Rangers, sabemos que foi uma cópia pura de Ultraman e coisas do tipo, curiosamente no primeiro Power Rangers a vilã mor era uma asiática, não dá pra entender se foi uma forma de persuadir a criançada, mas que foi proposital é um tanto claro que foi.

Os filmes de terror americanos que chegaram no seu pico de falta de criatividade (quando só criavam climão) com aquela sequência clichê de trilha sonora perturbadora + reflexos ou iluminação ruim + susto repentino, começaram a se inspirar no cinema oriental como uma espécie de lapso criativo de inspiração para os americanos, onde o terror psicológico é mais forte do que qualquer susto forçado.

 

O terror psicológico é aquele que faz você se cagar de medo entre o caminho do seu quarto e do banheiro após ver o filme, é exatamente aquilo que te faz pensar a todo momento no terror do filme em plena vida real, tais como O Chamado, O Grito, Espíritos, e afins fizeram muito bem, nos quais Atividade Paranormal foi inspirado, tirando a ideia que o filme de terror precisa ter maquiagem pesada e sustos forçados para ser bom, e sim, que tem que ter um toque de terrorismo mental com os medos do povo em geral.

 

 

Todo esse universo da criação parece girar em torno da Ásia, parece que tudo que saí de lá tem um ar mais autêntico.

 

Não é para menos, talvez embora nós olhamos as sociedades de lá como pessoas muito reprimidos e repreendidas, com muita rigidez, o que torna eles tão incríveis é que eles sabem lidar com as limitações.

 

E saber lidar com a limitação que te torna criativo de fato, na América sofremos esse mantra de “terra da liberdade” por realmente desde o início nosso continente simbolizar isso.

Querendo ou não, quando os europeus chegaram na América se sentiram livres do Estado (monarquia), das regras (Igreja) e das autoridades (no caso, seriam os dois juntos), e continuou essa imagem por muito tempo, até mesmo depois da monarquia ter acabado na maioria dos países e da Igreja deixar de ser tão determinante nas leis, a rigidez continuou a mesma na Europa, só mudaram as pessoas.

 

Então vir para a América era estar sob uma certa pressão européia, sim era, mas não era nem 1/10 do que era na Europa, porém esse excesso de liberdade também deu um excesso de problemas, pois não sabemos lidar com as limitações. Sempre que somos limitados a algo simplesmente nos preocupamos em um discurso sobre “falta de liberdade”, afinal esse sempre foi o problema da América não é? É uma forma de ver as situações, não está errado, porém está no mínimo incompleto.

 

Nas sociedades asiáticas em geral ainda mantem-se a tradição budista, isso pode não dizer muito para você americano mas certamente é muito determinante nesse tipo de pensamento, esse tipo de filosofia de vida lida com a vida literalmente falando e com as limitações que irão surgir.

 

Para essa filosofia de vida, o que há de melhor na vida chamamos de prazeres.

Primeiro, o prazer divino, que é o da oração, meditação, e coisas do tipo, o que faz você criar uma linha uma conexão entre o mundo espiritual e divino, e a vida em Terra.

 

Os demais prazeres são todos prazeres terrenos (nota para uma coisa, não usam o termo “carnal”, isso modifica muito o pensamento).

Tais prazeres como, dormir a hora que você tem sono, comer quando você tem fome, ir ao banheiro quando tem vontade, beber quando tem vontade, e afins, muito diferente do que estamos acostumados, não encaram certas situações como pecado, é um prazer terreno. Se você tem uma vida adulta já, sabe muito bem que esses tipos de prazeres não são tão fáceis de conseguir.

E quando você tem, se sente levemente culpado (por algo que nem devia se sentir).

 

É claro que se você se exceder em um deles, terá uma consequência, mas ninguém pode te condenar por isso.

Então você não quer ser um santo em Terra, quer apenas viver seus pequenos prazeres, ser um humano, e isso te limita bem menos do que na teoria as religiões que predominam o ocidente fazem.

 

É claro que isso em países orientais em que a rigidez e polidez da sociedade é muito alta, você naturalmente tende a não se exceder.

 

Mas talvez essa ideia que não é proibido que torna as coisas menos atrativas, não quer dizer que os orientais não gostam de beber por exemplo, mas creio que se torna uma questão rotineira, diferente como é encarado aqui por exemplo que justamente por ter essa ideia que “é incorreto, não é de Deus, é proibido” faz a ideia se tornar bem mais atrativa, justamente por ser proibido.

 

 

Nós ocidentais limitamos demais a vida a coisas como, religião, trabalho e família, e cá entre nós, é muito chato se pensarmos assim.

 

Onde eu quero chegar é, se você sabe das suas limitações, naturalmente você não se excede para algo que na sua percepção não trará nenhuma vantagem, e talvez justamente por isso você explore mais suas capacidades, ou seus pontos fortes. Não é possível ser perfeito.

 

Essa concepção de perfeição tem absolutamente tudo haver com a religião, pois nos inspiramos em figuras divinamente perfeitas, e isso torna as coisas mais complicadas do que aparentemente já são.

 

Então o nosso olhar para perfeição é muito diferenciado do deles, embora aprendemos que eles não lidam bem com a falha, é justamente por colocarem a perfeição nas coisas que fazem e não neles mesmos, enquanto nós invertemos os papéis.

 

Esse discurso de liberdade que fazemos eu acredito que se tornou inútil, afinal de que adianta liberdade se os meios não favorecem? Adianta sermos a sociedade mais livre quando temos milhões de pessoas passando fome? Liberdade para que? O que fazer com essa liberdade?

Não sou contra a liberdade, apenas questiono que para nós as limitações sempre são um problema, quando na realidade é onde encontraremos a solução.

 

As limitações que fizeram a culinária japonesa (HUAHUAHUAH) a minha favorita! Agradeço todo dia pelos japoneses terem seu território tão limitado e precisarem dos frutos do mar para sua sobrevivência.

 

A grande questão é, adianta dar lápis, caneta, borracha, folhas em branco para quem não sabe escrever? Dar o “direito de algo” que a pessoa não vai saber usufruir? Adianta ter a legislação mais incrível do mundo sendo que na prática é um desastre?

Temos muita liberdade, muita cultura, e pouco usufruto disso tudo, pois o problema sempre será a “falta de algo”.

 

 

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