Muçulmanos, o povo que sofre mais preconceito no mundo

Incrivelmente, as civilizações mais interessantes do mundo antigo estão situadas nas regiões mais marginalizadas pelos meios de comunicação atualmente, e até pelas artes.

Sumérios, Persas, Egípcios, a Mesopotâmia mesmo, todos eles nessas regiões que hoje vemos como árabes, islã ou muçulmanas, entre o chamado “oriente médio” (Ásia) e norte da África.

Região que foram e são tão ricas em cultura na mesma proporção que são massacradas pela imprensa, principalmente pelos norte americanos.

Nós temos aquela visão tão clichê quanto incontestada, tão tenebrosa quanto ignorante, dos árabes que é basicamente uma combinação:

Mulheres oprimidas pela burca, sociedade machista
+
Terrorismo na base da religião (“mate para ir pro paraíso”)
+
Terrorismo por revolta dos EUA serem a grande potência do mundo (bem irracional)
+
Povo bárbaro, gosta de sangue, mata qualquer um que vê pela frente

 

Primeiramente, não devemos olhar com os nossos olhos americanos, ocidentais, que sofreram influências do iluminismo europeu e por fim de vários outros pensamentos europeus para uma sociedade que tem uma história bem mais longa que a nossa, e bem mais enraizada.

Enquanto o Brasil tem lá seus 500 e poucos anos, existem palestinos que foram tirados das suas próprias casas por Israel de forma desumana, casas essas que estão como território da família há 900 anos, ou 800, ou até mais de um milênio.

Existe uma cultura intensa, tão intensa que o capitalismo não se impregnou com toda sua força, impregnou? Sim, mas ainda sim não tiveram tanta influência americana nem européia, eles conseguiram manter os seus valores.

O que torna eles tão incrivelmente admiráveis é que fato que eles mantinham seus valores sem serem xenofóbicos, ou seja, não renegam a cultura do outros, claro que se eu entrar em território muçulmano de vertente xiita eu não vou poder nem pensar em entrar sem a burca, é a cultura deles, é a tradição, e eu tenho que respeita-la porque antes de eu ser uma mulher americana, eu estarei no território deles, portanto as regras são deles.

Unirem o fato da mulher usar burca ligado a sexualidade reprimida é uma visão no mínimo deprimente.

Até porque expor o corpo torna alguma sociedade menos machista onde?

Sabemos que não são em todos os países mas a mulher árabe vem ganhando muita liberdade, está nos centros acadêmicos, elas podem ter um emprego (e já faz tempo) e detalhe, elas tem o direito de usar inteiramente o salário sem por um centavo dentro da casa, é obrigação do homem da casa (seja o marido, o irmão mais velho, o filho mais velho, enfim) de bancar os gastos da casa pois naturalmente ele ganha mais, então ele tem esse compromisso de fazer seu ganho valer algo.

E também porque a mulher que cuida dos filhos, que educa, que ensina, então a parte dela ela já faz.

Não estou dizendo que é correto ou não, estou mostrando como é a cultura deles de fato.

Isso fez com que a mulher muçulmana ganhasse o posto de mulher que mais consome cosméticos do mundo (hauahuhau), sei que a informação parece inútil mas isso é um exemplo de liberdade sexual? Eu creio que sim.

No pouco que pude ver, a burca não é simplesmente um pano que cobre o corpo, é cheio de detalhes que revelam os gostos daquela mulher, e se elas se sentem bem assim quem somos nós, meros americanos, onde nossa cultura se formou muito depois da deles para julgarmos a forma de viver deles?

Não estou excluindo os índios da cultura, mas sabemos que infelizmente no que se diz cultura, a parte indígena corresponde a muito pouco, o pouco que temos de cultura indígena no Brasil as pessoas mal sabem, por exemplo nomes de cidades, o nome da minha cidade por exemplo (Taquaritinga), é um nome indígena.

Mas o que conhecemos por cultura na América atualmente demorou muito tempo para se moldar, o que nem se compara com os muçulmanos que podem ter mudado sua visão religiosa, mas de fato sua cultura vem de primórdios.

O segundo tópico, é mais rápido, essa visão pobre de que o terrorismo é baseado na base da religião, assim como o terrorismo é baseado na revolta de que o hemisfério norte é rico e o hemisfério sul é pobre.

Não sei nem dizer, não entendo porque as pessoas acreditaram em uma coisa tão ridícula, até eu na minha mera ignorância na época achava isso muito duvidoso, uma afirmação no mínimo idiota demais pra ser levada a sério.

Ninguém se mata porque vai pro paraíso, primeiro porque não existe esse paraíso que Hollywood justificou como ato terrorista, o das trocentas virgens, o paraíso é tão flexível quanto a gente imagina.

Para o islã, o paraíso é referente ao que você considera paraíso (assim como o inferno), então, imagina você mulher entrando em um paraíso com 70 virgens? Tá mais pra inferno né.

A questão do terrorismo é bem mais pra baixo do que o buraco aparentemente mostra, essas pessoas que se tornam homens bomba, terroristas, sofreram uma violência tão grande que simplesmente buscam o suicídio numa violência tamanha como válvula de escape, ou simplesmente querem a violência, perdem os escrúpulos, se tornam pessoas altamente violentas.

Você já se perguntou o que leva uma pessoa a se explodir?

Já imaginou você estar na sua casa e de repente pessoas de outra nacionalidade invadirem sua casa, estuprarem suas filhas ou sua irmã, ou até a sua mãe, submeterem seus irmãos e seus pais a humilhações, urinarem nas suas coisas, ou até pior, destruírem tudo e morarem lá.

Enquanto você é trancado no banheiro e obrigado a viver assim, até a morte.

Já imaginou sua irmã, ou você, ou enfim, estar grávida e for barrada no hospital da sua própria cidade, e essa pessoa que está grávida ser obrigada a parir na rua em meio ao caos, a tiros, a bombas e afins?

É esse o tratamento de choque que esses povos do oriente médio sofreram, quem não ficaria desumano diante de tanta falta de humanismo? Diante de tanta violência?

E pior, muitos viveram nessas condições precárias por anos a fio, 15, 20 anos, vivendo nessas condições, nessa humilhação de ter uma nacionalidade e não ter um país como por exemplo aconteceu com os palestinos.

E eles não são desinformados como nós do ocidente, eles sabem que por exemplo, por trás de Israel (que atacou a Palestina) estava os EUA com seus interesses econômicos, os EUA financiou Israel, sem os EUA, Israel não teria nem 1/10 do armamento que tem,  e os Palestinos coitados, tinham apenas pedras para tacar.

E quando tinham algo, se explodem num ato praticamente desesperado.

Formam-se gerações de pessoas com depressão crônica, crianças que já nascem com depressão, tamanho o estado de choque dessa população.

Enquanto os imbecis dos repórteres mantém a “imparcialidade”, sempre mostram a notícia da forma distorcida e sempre que existem uma notícia sobre o mundo do Islamismo, é algo negativo.

Esse povo bárbaro que gosta de sangue só perdeu essa face pra nós brasileiros quando uma novela (O Clone) foi exibida aqui no Brasil, embora ainda demonstrasse de forma um tanto distorcida, pelo menos retiraram essa máscara do mal do povo muçulmano.

E é incrível, em todos os filmes americanos o árabe é visto como o homem bomba, seja no sentido de se explodir literalmente ou de enganar, de dar aquela surpresa ruim.

Visto como o homem machista que tem várias dançarinas ao seu dispor, e nojento sexualmente falando.

E pior que as pessoas acreditam nisso, fielmente, acreditam assim como não acreditam que lá no mundo islãmico existe coisas rotineiras como aqui, separação, segundo casamento, e coisas do tipo, inclusive pras mulheres.

E que a mulher lá pode se queixar da falta de carinho do seu marido e ser totalmente apoiada pelo Califa e pelo Sheik em separar.

Um povo que desde sempre nunca impôs sua cultura para ninguém, mas passam como bárbaros, revoltados?

Não é no mínimo contraditório?

Para finalizar o post, vou recomendar dois vídeos que serão um verdadeiro tratamento de choque na visão de vocês.

O primeiro é Filmes Ruins, Árabes Malvados, Como Hollywood Vilificou Um Povo

O segundo é bom preparar o estômago, pois é mais revoltante.  John Pilger – A Palestina continua sendo a questão (Palestine Is Still The Issue)

Assistam, e vejam as notícias sobre o Oriente Médio/Norte da África com outros olhos. Eu garanto.

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6 pensamentos sobre “Muçulmanos, o povo que sofre mais preconceito no mundo

  1. O interessante desse post é que a forma como você coloca a questão do preconceito contra muçulmanos nos faz refletir também a respeito de outra formas de preconceitos, formas que nem sempre são óbvias, como contra negros, gays, etc, mas também o preconceito contra todo tipo de idéias novas, pontos de vista diferentes do nossos, pessoas que a gente costuma dizer que “não foi com a cara”, antes de conhecer, e também aqueles preconceito gerado quando nos deparamos com uma forma de agir ou de pensar diferente daquilo que vemos na mídia.

    • Isso mesmo, a idéia foi trabalhar esse preconceito contra o “desconhecido”, o julgar com os olhos ocidentais, mesmo estudando história tem que manter a cabeça aberta as culturas do passado, se olharmos com os olhos atuais é óbvio que vamos deixar de ver muita coisa.

      Obg pelo comentário floquinho, sempre participando daqui 😀

  2. A Burka foi e é usada mais pra camuflar uma Européia sequestrada do que para fins religiosos.
    Veja as mulheres berberes do norte da África,onde a maioria é branca e de olhos claros e muitas loiras ou no iraque ou iran…enfim em todos os países árabes e similares.
    Quando partes do rosto aparecem ,elas estão com pinturas adornos e similares para disfarçar os traços Europeus….pois o povo do oriente médio e redondezas não é loiro nem tem traços Europeus.
    Por causa da poligamia dos ricos não sobrava mulher para os pobres que iam roubar mulheres na Europa….de feio basta Eu.

  3. uau mesmo sendo cristao jamais chingaria os musumanos teve que copiar esse texto todo para um trabalho de historias da prof:sandra ela esta nos ensinando muito

    • oi ana, pode copiar..hahaha espero que a sua professora goste!
      O islã é muito interessante, é importante perdemos os preconceitos mesmo de fato.

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