O caso da enfermeira – minha teoria e observação

Revoltante, mas é bom observar a opinião pública.

Andou circulando pela internet um vídeo de uma enfermeira que matou a pancadas um cachorrinho.

Eu não vou postar o vídeo, porque pra mim isso é expor pessoas que talvez não estão prontas pra esse tipo de situação, acreditem ou não nosso cérebro grava tudo que vemos e isso acaba dando em uma consequência para nós, mesmo quando parece que esquecemos.

O tamanho da monstruosidade é relativo com o nosso nível de esclarecimento atual.

Ninguém mais encara isso com normalidade, como antigamente quando o pessoal vivia mais no sítio do que na cidade, e aconteciam casos como esses, que a molecada catava um animalzinho indefeso e trucidava o coitado.

Não quer dizer que todo mundo que morou em sítio fazia isso, estou usando um exemplo, hoje em dia já temos esclarecimento o suficiente para saber que isso é desnecessário, monstruoso.

As pessoas deviam no mínimo saber respeitar as questões, não digo todo tipo de vida porque de fato eu detesto aranhas e não apoio a vida delas er, mesmo que seja essencial para alguma coisa, mas não vivemos mais no tempo dos trogloditas para nos darmos ao luxo de comportamentos tão animalescos né? Já somos bem providos de razão o suficiente para sabermos resolver as situações sem ter que tomar uma atitude tão idiota.

Não gostava do bichinho, levava ele para algum abrigo ou dava ele para alguém, conheço pessoas que pagaram caríssimo por um cachorrinho daquele e fariam de tudo pra ajudar o animal, duvido muito que ela não conhecesse alguém assim.

E as pessoas tem todo direito do mundo de se revoltarem, mas eu observei uma coisa, mais uma vez a minha teoria de que brasileiro de calmo não tem nada veio a tona.

Todo mundo querendo matar a mulher, e não foi no sentido figurado.

Eu só penso que as pessoas que diziam querer matar ela não pensam que estariam fazendo exatamente o que ela fez, se ela é vilã por ter tirado uma vida, você não é mais que ninguém para não ser também por desejar tirar uma vida.

Você não é mais que ela, nem que eu, nem que ninguém, o seu desejo de morte dela é tão comparável ao que ela fez quanto você imagina.

Você está fazendo exatamente como ela. Está sendo troglodita como ela, se deixando levar pelas emoções como ela, e também está querendo fazer justiça com as próprias mãos, do jeito mais animalesco possível.

Eu entendo a sua revolta, mas ela também estava revoltada pelo visto, justificou? Não.

Então, tá, são coisas diferentes, o cachorro era indefeso, foi horrível, não estou defendendo ela, estou apenas querendo dizer que, todo mundo tem direito de viver, e quando alguém viola essa lei a maioria das pessoas quer violar também.

É quase como um efeito colateral, se ela pode tirar a vida de um ser inocente porque eu não posso tirar a dela?

Porque você estaria agindo exatamente como ela.

Então, eu clamo por justiça, um caso como aquele realmente não deve passar em branco. Porém, eu não apoio a morte de ninguém, afinal se eu apoiar onde irei mostrar que eu tenho uma atitude diferente daquela monstrenga?

Quem somos nós para julgar se alguém merece viver ou não?

Se julgamos se a pessoa pode viver ou não, julgamos também se um animal pode viver, e apenas não vamos julgar os que na nossa visão “são inocentes”.

Mesmo os animais mais selvagens, tem instinto de matar, o ser humano não. O ser humano não tem instinto, tem inteligência, e devia usar sempre a seu favor e não usa-la para criar uma roda “da fortuna” de assassinatos.

Como disse uma vez um amigo meu (Igor) “Assassinos, vamos matar todos eles!”

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17 pensamentos sobre “O caso da enfermeira – minha teoria e observação

  1. Discordo em se falando de que animais tem instinto de matar, animais tem instinto de sobrevivência, o que os leva muitas vezes a matar quando se sentem ameaçados, mas eles matam porque devem para sobreviver, e não porque querem simplesmente por querer.
    E essa monstra que matou o cachorro, provavelmente possui um distúrbio psicológico, e não porque estava com raiva do cachorrinho e se deixou levar pelos sentimentos e por isso teve que matá-lo. Distúrbios como esses fazem pessoas do tipo acharem que estão fazendo certo, e que o mundo que a condena é o que está fazendo errado.
    E você diz: quem somos nós para julgar se alguém merece viver ou não? Somos os próprios que devemos julgar se uma pessoa da nossa raça, que pode ser um risco à humanidade deve viver ou morrer. Ou você acha que os animais não fazem o mesmo? As vezes, se a pessoa tem distúrbios que ameaçam a espécie, ela há de pagar com a vida, para salvar as outras vidas. Estou falando em proporções grandes, o qual esse caso é algo minúsculo e não seria um risco à humanidade.
    Mas eu sou totalmente a favor da pena de morte.
    E de fato não sei se essas pessoas que queriam matá-la estão certas ou erradas, só acho que há se pensar mais para o lado consciente.

    • Interessante sua resposta, sim minha colocação foi um tanto errada, seria o instinto de sobrevivência o correto mesmo, mas discordo sobre a comparação entre humanos e animais.
      Eu não estou merecendo nem desmerecendo um, mas é incomparável.
      Humanos são racionais e tem inteligência, os demais são movidos pelo instinto, não podemos acreditar que o “instinto de sobrevivência” dos animais se encaixe em humanos, é desumano na realidade pensar isso.

      Ela não apresenta perigo para a sociedade, ela apresenta perigo para a moral da sociedade, é diferente.
      E sinceramente, eu desconfio dessas teorias de distúrbio, infelizmente o ser humano pode ser tão “divino” quanto “diabólico”, não lembro qual pensador tinha essa teoria mas é um fato, carregamos o céu o inferno das nossas ideologias dentro de nós mesmos.

      Então eu realmente discordo da parte da sua resposta em que você considera comparável a forma de viver dos animais da dos seres humanos, não é porque somos todos seres vivos que devemos agir da mesma forma, aliás é dessa forma de pensamento que pensamentos como “xenofobia” e “preconceito” surgem.

      Como deve ter percebido, sou completamente contra a pena de morte.
      Para mim não há diferenciação entre o assassino e quem aplica a pena, assassino é quem mata, independente de ser inocente ou não.

      Essa coisa de julgar as pessoas se elas devem viver ou não foi a maior ideologia da época da Inquisição, é para se refletir.

  2. Uma sugestão: assistam no YouTube, ou baixem o podcast sobre O Ódio no Brasil, com Leandro Karnal, no espaço CPFL Cultura. Em suas provocações vemos que de manso o brasileiro realmente não tem nada…

  3. A questão mas preocupante nisso tudo foi que, muitas vezes tratamos animais como se fossem pessoas. Talvez pela falta de contato com eles, não sei.
    É a falta de empatia com as pessoas e o aumento disso com animais, as pessoas se chocam menos com casos assim envolvendo pessoas. Costumando sacralizar o animal e demonizar o homem. Isso é o que preocupa, no mesmo período tavam passando um video que um irmão gravou do caçula transando com uma boneca, o pessoal espalhava isso como se fosse normal, mas deseja morte para quem matou um yorkshire.

    • O verdadeiro perigo da internet é esse de fato, não é um pedófilo por trás de um bate papo, é a exposição que existe através dela, tem gente que “não sabe brinca”.

  4. Discordo completamente da pena de morte também, mas além de achar um tanto utópica essa sua visão de seres humanos racionais e inteligentes, não entendo como você não consegue acreditar ‘nessas teorias’ de distúrbios psicológicos (como estudante de Psico., digamos que você me cutucou a ferida haha), que da maneira como você coloca parecem meras especulações, anulando anos de trabalhos comprovados. Quando alguém comentou ‘instinto de sobrevivência’ nos humanos, ocorreu-me algo como ‘homens que roubam/matam para alimentar-se, drogar-se’, fugir da realidade que nós também somos responsáveis, seria o caso de julgar se essa pessoa merece viver ou refletir que tipo sociedade estamos construindo para que tudo isso exista? É realmente como você escreveu: um círculo viciante em que somos incitados à vingança, sempre.

    • Interessante, eu não subestimo estudos científicos que vão muito além da minha vã filosofia hauhauhauhua, bem, embora tenha parecido isso não foi bem o que eu quis dizer.
      Eu só quis contra argumentar com o argumento que a mulher tinha um distúrbio e por isso devia ser eliminada da sociedade, isso me lembrou demais algumas civilizações que matavam as crianças que nasciam com problemas de ordem mental ou física, necessidades especiais e afins, fora que por um longo tempo disseram que era o demônio HUAUAHUAH, se manifestando enfim, e esse tipo de mentalidade ainda vigora, como se a pessoa ter um distúrbio fosse uma anomalia, algo REALMENTE fora do normal e na minha visão não é.

      Ainda mais na sociedade esquizofrênica que vivemos hoje hauhauhauhuaha, me expressei errado mas basicamente foi isso.

  5. Sinceramente, cada dia mais eu desisti de discutir certos assuntos com as pessoas. Não sei o que prende elas, talvez o senso comum, mas os caminhos do raciocínio são sempre os mesmos. E como não concordo, tenho preferido ficar de “fora”.

    Uma das minhas colocações, foi exatamente essa. Assim como foi em diversos outros assuntos, foi a reação e a sede de vingança que existe nas pessoas. Chega a ser assustador a forma como as pessoas reagem.

    Em pouco vi diferença da reação delas com a reação da paulista que desejou a morte dos nordestinos por conta da derrota do Serra nas eleições presidenciais de 2010. A diferença estava na motivação (alguns julgam uma fútil e a outra não), só que, independente da motivação, ninguém quer perceber que o ato em si é o mesmo.

    Existem muitos temas a se pensar sobre esse caso (e muitos outros casos), mas um que se mostrou gritante foi a sede de vingança, disfarçado de Justiça, muito semelhante como falou (se não interpretei errado, o que deve ter acontecido), a visão de Zaratrusta. A história se repete,

    • O idiota coletivo como eu comentei em outro post, é isso, todo mundo simplesmente repassa a “raiva” e compartilha e nem pára pra analisar muito bem.
      Eu entendo o que você diz, quanto mais eu estudo, mais “perdida da multidão” eu fico, ahuahuahuhau isso é bom, mas por um lado, é solitário demais, é bom saber que tem outras pessoas com a mesma visão “solitária”, também desisti de jogar alguns assuntos na roda.

  6. Fiquei assustado com o vídeo e confesso que fiquei assustado com a reação. Sou professor e por isso tenho no Facebook muitos alunos e ex alunos, das mais diversas faixas estárias. A VIOLÊNCIA foi a principal forma de protesto, de resposta ao vídeo. Foi um linchamento virtual. Fotos de homens com a cara comida por Pit Bulls…. reflexo de que o que moveu aquela menina – que obviamente precisa de tratamento, pois a próxima vítima pode ser a criança que assistiu tudo – também move a maioria de nós. Há que se ter cuidado! Concordo com sua visão… um abraço do Rafael, professor….. e historiador. rs

    • meu blog é bem simplista, não entendo muito ahuahuahua, mas eu vou pedir ajuda para alguns ajustes, de qualquer forma obrigada pelo comentário. E eu fucei pelo seu blog ahuhau irei comentar mais tarde :), ahhh adorei ele aliás.
      O problema é esse, foi que nem aquele caso da menina ano passado, ou retrasado? Nem lembro mais, que a menina riquinha lá foi morta pelo próprio pai, quantas vezes isso acontece e ninguém dá a mínima, ai fizeram aquela super exposição do caso tornando ele quase um show business, como se fosse bom pra todo mundo saber cada detalhe do crime, em que? Sinceramente.

  7. Eu creio que a vida em qualquer forma que seja é inestimável,qualquer ameaça a vida seja de um animal ou de uma pessoa é uma barbárie , então não sou a favor da pena de morte,mas sou a favor de uma pena mais severa em relação a crimes cometidos contra animais, pois como seres racionais cabe a nós protege-los de situações como essas.Mesmo havendo um distúrbio por parte da enfermeira como está sendo suposto,poderiam suas ações serem justificadas,e sua pena abrandada? Pois afinal ela poderia cometer atos como esse novamente.

    • Esse é o “x” da questão, as pessoas querem matar ela por distúrbio (um senhor preconceito né) ou querer justificar a atitude dela, até onde podemos justificar ou “eliminar” alguém por distúrbio?
      As duas visões de forma muito extrema são erradas na minha opinião, ela deve pagar pelo o que fez, mas não na mesma moeda, “olho por olho e o mundo acabará cego” como dizem, mas falta de pena ou “disciplina” também não seria uma boa idéia.

  8. Eu, como neurocientista, não poderia deixar de discordar dessa frase:

    “O ser humano não tem instinto, tem inteligência”

    Nós temos, sim, instintos, tanto quanto temos inteligência. O que nós temos é uma grande capacidade (também natural) de adequar nossos instintos às necessidades de uma vida em sociedade.

    Talvez, justamente quando alguém não consegue controlar determinados instintos é que atribuímos a esta pessoa os nomes de “animalesca”, “monstruosa” etc. E, então, novamente nossos instintos nos fazem sentir raiva e repulsa dessa pessoa; inconscientemente, sentimos algo como “se ela foi capaz de fazer isso com um cachorro, pode fazer comigo ou com alguém que eu amo”. Junto a isso, vem outro instinto, de que “ela precisa ser punida para que outros não façam o mesmo, o que, no final, aumenta a chance de acontecer o mesmo comigo ou com alguém que amo”.

    • Caramba, uma neurocientista comentando no meu blog! HAUHUAH Interessante o que você comentou dos instintos, mas eu tenho uma curiosidade, o ser humano tem uma razão por trás dos impulsos ou os impulsos que geram uma razão?

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