A Megera Domana – Post resposta

Preciso responder o comentário que recebi da Monique de uma das postagens anteriores, A Megera Domada.

Link do post aqui 

Recomendo para quem não leu ainda, ler se não é capaz de se sentir um tanto perdido.

Eu adorei o comentário enorme que a Monique fez (ahuahuahu), e gostaria de apontar alguns aspectos dos quais eu estudei em cima do comentário dela.

Aí Mariii! A gente tarda mas never falha.
Já inicío o comentário perguntando se você consegue puxar na história ( que nem de longe foi minha matéria favorita) motivos que determinassem que as mulheres deveriam sempre ser submissas às vontades masculinas.
Por que as mulheres sempre foram lapidadas? Cercadas? Domadas e repreendidas?

Na realidade, a princípio nada foi tão pessoal com de fato serem as mulheres, mas a idéia da Igreja da na época não era simplesmente repreender as mulheres e sim criar cristãs, e essas cristãs seriam as educadoras da futura geração, ou seja, com a mãe sendo cristã, a família toda seria, por isso o sexo feminino passou a ser tão perseguido.

No momento de repreender o sexo feminino eles buscaram figuras que no cristianismo pudessem servir de inspiração, e a figura mais requisitada é Maria, mãe de Jesus, que era virgem e viveu somente pra educar seu filho e leva-lo ao caminho da luz.

Por isso essa mania de pureza, aliás, quanto mais invísivel a mulher fosse pra sociedade, mais pura ela era, e o duro é que a sociedade da época temia tanto os demônios e o diabo que apoiava fervorosamente as idéias da Igreja católica por puro medo.

Então por Maria ter sido uma figura extremamente maternal, a única realização boa da mulher em vida era a maternidade.

Ah, também vale a observar que eles culpavam eternamente as mulheres pelo mito do Éden, por conta da Eva ter expulso os humanos do paraíso e bla bla bla.

Por que é tão recente a situação onde a mulher toma decisões, expões pensamentos e age sem o respaldo (coleira) masculino? 

Na realidade não é, ao longo da história nós vemos várias inversões desse tipo.

Por exemplo nas tribos, nas sociedades indígenas e afins, principalmente em História Antiga vemos muito isso, teve uma época em que o mundo girava em torno das mulheres sabia?

As primeiras divindades, grandes deuses e afins, na realidade eram só deusas, e eram como afrodite, deusas da fertilidade, hoje em dia giramos em torno da teoria de Freud de que a mulher inveja o pênis, de certa forma é correta, apesar que posso afirmar que estamos sofrendo transformações, mas nas sociedades mais antigas era o oposto, os homens invejavam o útero.

Isso porque a mulher tinha a capacidade de dar uma nova vida, e as pessoas naquela época não sabia claro que era o sêmen que engravidava a mulher, acreditavam que era um trabalho quase que exclusivamente feminino.

E nós vemos esse poder feminino ao longo do tempo, mesmo com toda opressão da Igreja, em alguns aspectos se você por na balança, o homem sempre foi mais perseguido do que a mulher, mesmo com a sociedade machista em que vivemos.

Mas a resposta é não, nem sempre foi assim, tivemos uma grande regressão eu diria nesses aspectos por conta do fanatismo religioso em alguns períodos, mas é compreensível que tenha existido, pois em uma época em que por um longo período a população passa fome, é atacada pelas mais diversas pestes e doenças e vive muito mal, é muito fácil acreditar em um apocalipse, e se apegar as divindades acreditando que a vida após a morte é melhor do que a própria vida, pois se vivia muito mal, e a bíblia foi uma verdadeira caixa de problemas para as mulheres.

Por toda a minha vida eu tenho sido feminista. Defendia com unhas, dentes e muita acidez a liberdade e os direitos que temos. Mas recentemente ouvi uma opinião que me fez pensar. Vamos voltar à Idade Média, onde a lei que regia a sociedade era a lei da força bruta. Não podemos negar que somos geneticamente menos fortes do que boa parte dos homens (eu só nego para deles, e até a morte). Como sobreviver em um mundo onde prevalecia a força?

Em muitas sociedades vemos essa questão de “sociedade masculina e feminina” e a sociedade masculina é justamente essa da força bruta, mas a questão da idade média está em eles afirmarem que as mulheres eram incapazes até de raciocinar, viam elas como crianças crescidas.

Nem era uma questão somente de força.

De onde vieram as piadas de “loira burra”? Na realidade a “loira burra” englobava todas as mulheres, quando alguém fazia uma piada dessas era pra falar de forma geral como as mulheres eram burras, e veja como certos hábitos ruins correm os séculos e as pessoas continuam fazendo as piadas sem nem pensar que na realidade está agredindo a uma grande parte da sociedade (maioria, nos dias de hoje).

Contraditório, é pensar que todo o conhecimento de medicina veio das mulheres, as mulheres que sempre tiveram esse conhecimento em mãos, mas com a dominação da igreja, eles obteram esses conhecimentos científicos apenas para eles, e as mulheres que sabiam de medicina se tornaram “curandeiras” e posteriormente, bruxas.

Isso porque a mulher sempre vai ser representada como uma força da mente, do raciocínio, intelectual, tanto que vemos nas deusas isso, Afrodite, Atenas, não usavam força bruta, apenas usavam a mente e a persuasão, mas como a igreja quis eliminar essas culturas, passaram a falar o oposto das deusas, que eram burras, que eram vadias, e afins, e isso acabou englobando todas as mulheres porque, querendo ou não, era uma representação das mulheres em geral.

É só a partir do momento que temos um Deus, masculino, que as mulheres passam a ser massacradas nesse quesito, e ai a teoria de Freud entra falando que a mulher inveja o pênis, pois esse Deus representa toda forma de poder (força, divindade, inteligência) e ele é masculino, e isso mexe com a cabeça da população mundial em geral.

Penso vir daí, a ideia de que as mulheres precisavam de homens. Não para tomar decisões e mandar nelas. Mas para proteção. Física mesmo. Obvio que os homens abusariam de sua vantagem de força para submeter os mais fracos (não só mulheres) aos seus caprichos e idiotices. A humanidade ainda é estupida.

Então, é daí que vem essa questão, o homem precisar da mulher, porque na cabeça da igreja na época, o homem era o cérebro da mulher, a consciência dela.

O que eu sempre achei absurdo e fiquei imaginando, eles pensavam isso da própria mãe?

Sabe, é nojento.

Ainda mais que é função da mãe (e isso desde o tempo dos trogloditas) ensinar os filhos a comunicação, é por isso que a mulher fala mais (ahuahuhau), a mulher é mais comunicativa e sabe usar mais a comunicação, também por essa razão que temos mais professoras, mais pedagogas, psicólogas, e eu acredito que mais advogadas também, enfim, todas as profissões que exigem muita persuasão e comunicação as mulheres sempre se destacaram mais.

Temos que enxergar esses processos não só como uma forma de repressão, mas também ver o quanto eles eram contraditórios.

Como obter condições de igualdade numa sociedade onde tudo dependia da força, tanto nos trabalhos (em sua maioria braçais) quando na resolução de rixas (porque as pessoas não sabiam conversar e fazer acordo)?
Mesmo evoluindo, as sociedades mantiveram suas leis de força e toda a dominância masculina. Mas por que o controle sobre as mulheres? Aqui eu deixo você divagar mais uma vez. Fale.

Na realidade entra a questão que eu falei, fizeram um mantra de que a mulher era um ser humano apaixonado, e não sabia usar a razão, agir friamente.

Olha, eu lembro de ter visto, lido uma vez, que dos assassinos mais cruéis e frios da sociedade, inclusive aqueles que são contratados para matar, as mulheres eram as melhores nesse quesito.

Sim, a mulher tem um instinto maternal mais intenso, mas mulher é capaz de separar as questões muito bem, mas como na época usaram o mito do Éden para justificar TUDO, diziam que assim como Eva se deixou levar pelas emoções, as mulheres, frutos de Eva, também deixariam.

Também é bom observar que nessa época que as pessoas passam a separar o espírito do corpo, a natureza da cidade, e afins, como se não fossem juntas, e também sempre teve esse papo de que o coração regia as emoções e a razão estava no cérebro.

Infelizmente até hoje as pessoas  pensam assim, de forma muito errada, porque dá a impressão de que você pode ser tanto razão quanto emoção, e tipo, como se desse para separar, é impossível, está tudo no cérebro, não tem como separar.

Somos seres racionais E afetivos, necessitamos de afeto, e também necessitamos de raciocínio, nosso cérebro age racionalmente de forma automática, é como numa frase que eu li.

Uma pessoa vê um fruto em cima de uma árvore muito alta, o nosso cérebro automaticamente busca uma solução sem precisarmos nos esforçar nem fazer fórmulas para isso, ou vamos sacudir a árvore para o fruto cair, ou vamos usar de outras formas sem precisar escalar aquela árvore, porque nossos conhecimentos se unem na hora de resolver alguma questão automaticamente, é raciocínio, é natural do ser humano.

Então é impossível separar razão de emoção, e quando as pessoas acreditam tanto que as coisas são separadas, elas passam a achar que tem pessoas mais espiritualizas das, ou mais “carnais”, mais racionais ou mais emocionais, e na realidade não existe separação.

É crendo nessas separações que passam a achar a mulher mais emocional e sem capacidade para ser racional, que cria-se essa imagem que ela precisa do homem, porque o homem é a razão. É ridículo.

Mas isso não são só as mulheres que sofrem, a violência passional que os homens sofreram através do tempo é muito grande também, pode reparar, quando bebês, o menino é mais chorão, mais emocional do que a menina, e de fato é comprovado cientificamente que o homem nasce mais afetivo do que a menina, só que com o passar do tempo sofre tanta repressão que acaba perdendo esse lado mais emocional, ou simplesmente aprendendo a ignorar ele.

Observação: Evolução é um termo que eu acredito que infelizmente a biologia em geral usa demais e confundiu as coisas, em história nós vemos a humanidade sofrer muitos retrocessos, principalmente no patamar intelectual.

Hoje, que as pessoas ficaram mais espertinhas, educadinhas, é possível abrir espaço para esses seres que sempre tiveram como maior arma, a inteligência. E isso não é feminismo da minha parte. Tivemos que rebolar por séculos para sobreviver aos próprios familiares, para poder fazer 10% de tudo o que desejávamos.
Hoje, a sociedade que tem espaço para conversação, ideias, com moral mais elevada permitiu o grande boom que foi a reintegração da mulher.
O problema disso tudo é sempre o equilíbrio. 

Exatamente, a questão não é a igualdade, afinal a mulher nunca será igual ao homem nem vice-versa, mas existir um equilíbrio.

Pois é lógico que em alguns aspectos o homem se sobressaí, por exemplo como você citou a força física, sempre foi um fator do qual os homens se “gabaram”, mas de fato a mulher é mais fraca fisicamente, porém é mais prudente, em média a mulher vive mais justamente pela prudência.

E como eu citei anteriormente, a mulher é melhor na comunicação, então sempre que tiver uma DR entre marido e mulher, o cara pode desistir, a mulher sempre vence (HAUHAUHUAHU) 

Então não adianta querer que a mulher seja como o homem para ser respeitada porque se for nesse raciocínio a mulher saí perdendo, saí perdendo porque acata a todo o machismo de vez, e também porque tem certas particularidades do universo masculino que não são nada boas e algumas mulheres passam a usar como se fosse bom.

A questão é, começarem a ver os seres humanos como humanos, e não como homem, mulher, branco, negro, índio, mas ver de uma forma igualitária, cada um com seu costume, cultura, respeitar isso, ai sim teremos evolução.

Obrigada pelo comentário Monique, fez eu divagar sobre algumas questões que de fato havia esquecido de comentar no post 😀

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