Eu tenho uma teoria – A vida dá mais medo do que a morte.

A teoria que eu posso estar sendo precipitada, mas, enfim.

Minha teoria é, as pessoas hoje temem mais a vida do que a morte.

As pessoas sempre imaginaram como seria a vida após a morte, houve um tempo em que isso não teve tanta importância quanto a vida carnal, aqui em Terra, por exemplo na época dos deuses antigos, que a gente chama de Pagões, não existia pecado.

Como assim não existia pecado Mari?

Ué, não existia, afinal os próprios deuses tinham defeitos, cometiam erros, então não existia um Deus perfeito, os deuses gregos eram egocêntricos, vingativos, alguns até praticavam a luxúria, diga-se de passagem Zeus e Afrodite curtiam bastante a idéia de terem amantes.

Ou seja, o fato deles serem deuses que fazia eles usufruírem de forma eu diria que prolongada dos prazeres que a vida nos proporciona, que seja, entendam como não existia separação entre alma e corpo mesmo na vida eterna, o prazer de viver eternamente entre os deuses era exatamente desfrutar de prazeres terrenos.

E nada era mais prazeroso do que promover festas regadas a vinho, o famoso manjar dos deuses.

Temos que enxergar Grécia antiga e seus deuses como uma forma do homem explicar certas atitudes do próprio homem.

A partir do momento em que temos um Deus apenas, as coisas complicam, pois esse Deus é único, centrado, totalmente espiritualizado, há quem diga que ele não tem forma, por isso não se deve reproduzir imagens dele, e ele é divino, ele não tem corpo na nossa visão.

Então, as coisas começam a se separar, o corpo e a alma não são uma união passam a ser separados.

E o corpo acaba se tornando instrumento para castidade, ou seja, a vida terrena tem que ser regada de sacrifícios para a vida espiritual ser boa.

Eu sou espírita, mas eu acredito que o que fazemos com o corpo liga diretamente com o nosso espírito, então se a gente viver de castigar o próprio corpo, vai viver de castigar o espírito, os gregos estavam corretos nesse quesito no meu ver.

Então, se você separa demais o corpo da alma, você perde o seu humanismo de certa forma, pois você passa a ver tragédias de forma fria, o corpo é apenas uma “capa” protetora, de nada serve, então se uma pessoa é torturada até a morte tá tudo bem, afinal, o que importa é só a alma né?

Lembrando que, a inquisição, as cruzadas, todas foram pensando exatamente nessa forma de separação de corpo e alma, você mata milhões de pessoas friamente acreditando que está salvando a alma delas, então pra quem pensava que cultivar a alma e não o corpo apenas é bom, é melhor parar pra refletir um pouco, esse sentimento de separação faz as pessoas matarem as outras acreditando que estão fazendo um bem, justificando da pior forma possível.

Eu acredito que não, não existe separação, não em vida.

Onde eu quero chegar com tudo isso é.

É fácil você encarar a morte hoje em dia, dependendo da sua religião, sua doutrina, sua filosofia de vida, é natural as pessoas encararem a morte como uma simples passagem, e o mundo espiritual, pós morte, que na realidade sempre será um mistério, como algo simples.

E a vida? A vida é bem mais difícil, é fácil você justificar a morte, por exemplo, algo que eu não me conformo mesmo sendo espírita é essa justificativa de que “fulano matou a ciclana por conta do que aconteceu em outras encarnações”, me desculpem, mas isso é tentar justificar uma atrocidade, afinal se formos ver pela lei espírita da coisa, não deveríamos estar evoluindo?

Bem, justificar uma atrocidade dessa forma é como os católicos e protestantes na inquisição justificavam as mortes e torturas como necessárias para salvar a pessoa, como uma ‘passagem’ para evoluir.

É desumano.

Mas as pessoas justificam, sempre justificam, a morte é fácil de ser justificada, mas e a vida? Qual o sentido de viver?

Quantas pessoas sabem decor e salteado sobre como vai ser após a morte, como é o mundo através da morte, mas não sabem explicar o sentido da própria vida?

Essa desvalorização da própria vida que fez a gente em pleno séc. XXI com todas as heranças filosóficas que temos entrarmos em um sistema que faz o nosso maior medo ser se sentir perdido na multidão, não é medo da morte, nem de ser castigado por Deus, mas de se perder em plena vida.

O prazer em viver acaba sendo relativo, se você não tem sentido pra vida, qualquer coisa serve pra se tornar o motivo da sua vida, dinheiro por exemplo, comprar, consumir, manter a aparência.

É engraçado que eu confesso que tinha um preconceito enorme com os positivista, e admito, cada dia admiro mais, pois eles buscam exatamente isso, o sentido de viver, e principalmente, em comunidade.

Vejo ateus sendo mais humanos do que muito religioso fanático.

Não vou deixar de ser espírita, mas não posso negar, estou refletindo demais sobre essas coisas, e eu não falo que o problema é exatamente a religião, mas a forma que as pessoas encaram, essa coisa que veio desde a era medieval em que as pessoas acreditavam que podiam comprar um pedaço do céu vigora até hoje.

Ninguém tá preocupado em ser um bom cidadão, querem ser individualmente bons, o cara é escroto com o mundo inteiro, mas ele é legal com a família, então ele é um homem bom.

Pelo menos o positivismo com teorias científicas põe as pessoas a refletir sobre a importância de você agir pensando de forma comunitária, humanitária, não é simplesmente ir a missa, ao culto, ao passe, enfim, é você saber da diversidade em que vivemos e entender que a sua vida tem tanta importância quanto a própria morte.

Pensar em um sentido pra vida faz perder essa idéia de agir de forma inconsequente sem precisar imaginar um castigo pós morte.

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7 pensamentos sobre “Eu tenho uma teoria – A vida dá mais medo do que a morte.

  1. Muito bom o texto, a exposição das idéias.
    Confesso que me surpreendi, por pura inocência, quando li deuses gregos entrando no papo, mas você conduziu muito bem o texto e deixou muito clara sua idéia com relação a Grécia antiga e a atualidade.

    Esse é naturalmente um daqueles assuntos que a gente discordaria concordando, mas não tenho qualquer observação com “mas” para fazer. Concordo em grau, número e genero com o que falou.

    As pessoas estão tão preocupadas com o que vai ser depois que morrerem que se esquecem de viver aqui.
    A vida está cada dia mais desvalorizada pela sociedade o que é lamemtável.
    Ver coisas absurdas, se tornou normal, coisa da vida… e tudo o que é ruim encontra-se uma justificativa…
    De outro lado, muitas coisas boas ninguém tenta explicar e tantas vezes, nem mesmo aproveitar…

    Vivemos nessa loucura de estar sempre superando, sendo melhores para o que vamos ser no futuro, para os outros e depois de mortos e tantas vezes deixamos de simplesmente aproveitar e viver o agora.

    Acho que me estendi no assunto, mas convenhamos, tem muita coisa a dizer HUAUHAUHAAUHA e você me conhece, então… ;P

    Parabéns pelo post Mah!

    • obrigada gaby 😀 essa era a intenção do post, cair na reflexão do agora, pra entender o que eu queria dizer eu precisava dizer todos os pensamentos que passaram pela minha cabeça antes de eu entrar nessa conclusão e foi estudando que cheguei, é interessante essa questão de separação do corpo e da alma ser bem colocada, e também a idéia de castidade, eu gostei de você ter pegado a alma do texto que embora eu não falei claramente, era justamente a questão de valorização da vida, mas assim, não quer dizer que devemos nos matar no mundo material em consumismo ahuahuahhau nem que devemos perder o controle, pra mim isso é outra questão que se perdeu e praticamente só os monges hoje sabem o que é isso, tr auto controle sobre seu corpo e seus impulsos, e isso não se consegue naturalmente, nem se perde, ninguém nasce disciplinado, é só com sacrifício, mas não somente pela ‘purificação’ da sua alma, mas pelo bem do seu próprio corpo , é foda… enfim ahuahu viajei demais err interessante isso, mas isso é assunto pra outro post, obrigada por passar por aqui Gaby :3

  2. Putz… eu comecei lendo o post “Megera Contida” e acabei chegando aqui. Culpa sua. Pois eu comecei a falar de vazio existencial e você me falou de um documentário. Assisti uma parte e precisei para pra refletir. Como eu sabia que você havia escrito algo sobre o ‘medo da vida’ voltei ao blog pra ler.

    Tá na verdade foi “culpa” minha afinal, como diz o que eu aprendi com monsieur Sartre e monsieurAlbert Camus, não dá pra olhar a vida de um ângulo que não seja o nosso, pois tudo ela acontece dentro de nós. Camus fala disso num estudo sobre análise de obras de artes, em particular sobre a literatura, que deve-se analisar a vida do autor pra antes, e somente, analisar suas obras.

    Acontece que a maioria de nós simplesmente nega a análise da nossa própria vida. Porque viver é muito mais difícil que morrer.

    E na minha opinião, se estendendo sobre sua teoria, nós morremos em vida. Morremos quando o tédio chega, ainda que tenhamos medo dele, renascemos com medo de levantar e cair novamente. Nos acabamos, como você disse, no prazer proporcionado pela matéria deste mundo a fim de preencher o espírito. Mas nunca temos coragem de olhar para dentro de nós e ver o grande vazio.

    Eu quase escrevi mais que você, hauhauahuah!! Mas é que realmente esse post faz a gente divagar, não diria um puxão de orelha, é mais como quando vc tá no ponto esperando o busão e alguém que tu nunca viu na vida chega e faz comenta uma coisa quase óbvia mas que vc nunca ia reparar se não te falassem.

    Adorei o post, preciso te emprestar o Sartre do meu pai pra vc ler. Véri, véri, véri gudhi, Mari!

    • HUAHUAHAUAHUAHUA mas essa era a intenção floquinho, que as respostas e as conclusões fossem maiores do que o próprio texto, já que eu não cai exatamente na intenção de criar uma grande conclusão mas sim de construir o pensamento =)
      achei muito interessante o que você comentou sobre ‘morrer em vida’, é uma expressão muito forte mas que se encaixa bem na situação, aliás, quando puder me empresta sim, preciso dar uma renovada nos pensamentos ahuhau embora eu esteja próxima de semana de provas e to pirando levemente e.e ahuauahuhau mas nas férias vou precisar manter as idéias vivas, então, adoraria receber um ‘presente’ desses.
      amei seu comentário 😀 aparece sempre por aqui floquinho.

  3. Muito boa a premissa do texto pra começar 🙂 Eu só adicionaria os romanos pré-era cristã no caldo, pois eles também herdaram a filosofia grega e agregaram a sua própria no caldo.

    Concordo completamente que as pessoas tendem a pensar demais no pós-morte e suas recompensas e castigos e com isso acabam se limitando em vida. E geralmente que se limita são os ingênuos, os inocentes, porque os corruptos e assassinos sempre tem uma justificativa boa para seus atos, por mais inomináveis que sejam. E dormem um sono mais tranquilo que os “justos”.

    E sim, estamos perdendo nossa conexão com a vida através da sociedade consumista, de relações fugazes e sem vínculo emocional real, pensando na graças pós-morte ou mesmo apenas se preocupando em como pagar as contas. Esquecemos os amigos, a família, as(os) amantes, os vizinhos e de tudo que nos dá apoio na vida e passamos a viver vidas idividuais e solitárias. Nos aglomeramos aos milhões em cidades para nos escondermos solitários em barricadas que chamamos de apartamentos.

    As pessoas hoje tem medo de crescer, tomam pílulas para não sentir nada, pois acham que não encarar uma desilusão amorosa ou um luto irá torná-las mais “felizes” quando apenas as desumaniza, as torna zumbis. As pessoas estão fugindo para dentro de si mesmas e não é em busca de autoconhecimento 😦

    Bem, como você, também já fui espírita, depois migrei para o Budismo e finalmente me assumi com ateu. Mas como Budismo não tem deus e a filosofia deles é muito parecida com a do Espiritismo, porém mais original e madura, sem aquela coisa de autoajuda que tantos livros espírtias tem, continuo nutrindo grande simpatia pela filosofia deles.

    Mas tenho uma teoria sobre o espiritismo que podemos falar no bate papo uma hora dessas…

    Beijo.

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